15/03/2013

Sto. Agostinho: a Teologia Como Base do Poder Político Eclesiástico

No livro “A Cidade de Deus”, Agostinho dá a entender que a Igreja é a única representante de Deus na Terra

Para entender o pensamento de Sto. Agostinho lembramos uma particularidade histórica de valor fundamental: até o século IX ser bispo cristão ou mesmo ser um fiel cristão, não significava estar em comunhão com o bispo de Roma.
Essa "comunhão" é uma invenção muito tardia no cristianismo; além do mais, a autoridade e o valor eclesiástico de um bispo qualquer não eram maiores do que aquilo que tem um padre (vigário) qualquer da nossa cidade, com exceção do poder político do bispo de Roma que representava na Itália o imperador que vivia no Oriente.
 
Era-se cristão pela adesão aos decretos dos grandes concílios: de Nicéia (325) em primeiro lugar; mas também de Constantinopla (381) que tratou do Espírito Santo; de Efeso (431) que condenou o nestorianismo e o pelagianismo; de Calcedônia (451) que afirmou que Jesus tinha uma natureza humana e uma natureza divina unidas na única pessoa do verbo; e de Constantinopla II (553).
 
Os bispos eleitos costumavam escrever uns para os outros afirmando sua fé e lealdade aos decretos dos concílios. Os bispos de Roma faziam a mesma coisa: mandavam e recebiam cartas de outros bispos.
Daí o erro de muitos historiadores católicos que imaginam serem estas cartas romanas documentos comprobatórios do "primado": erro imperdoável porque distorce a verdade.
Voltemos a Sto. Agostinho (354-430) nascido no norte da África, numa terra que era uma mistura de raças (númida; púnica; romana) e uma mistura de religiões (orientais; egípcios; pagãos romanos e cristãos).
O "púnico" é a antiga língua da Fenícia cuja cultura sobrepujava em Cartago. Leia-se o interessante romance histórico "O Cartaginês" de Manáf Hardan; Ed. Edicon; SP; 1985.
Mas não deixe de ler também J. Mac Cabe: "St. Augustine and his Age"; London; 1926;

02/03/2013

A Ideologia e o Mito

A Roma cristã e seu poder estão fundamentados sobre a Roma pagã

 
Atenção, leitor! Esta obra que estou começando a escrever não é Histó­ria do Cristianismo ou História da Igreja cris­tã, mas tão somente a história dos homens que ocuparam o cargo de bispos na cidade de Roma. Vou falar de homens e de sua ideologia do poder. Só.
 
Nos casos específicos dos bispos de Roma chamo de ideo­logia a interpretação que os mes­mos fizeram e fazem de uma si­tuação religiosa que tem um as­pecto social e político.

Essa interpretação acontece a partir de uma evolução histó­rica para a qual confluíram elementos políticos, morais, religio­sos, filosóficos e econômicos que implicaram numa tomada de posição, de modo que em primeiro lugar foram elaboradas doutrinas para justificar aquela interpretação e, em seguida, foram tomadas as medidas que se julgara necessárias para a realização do sonho interpretativo de situação já programada, para realizá-lo com referência ao poder.

Neste caso, a "ideologia do po­der" é o sonho espalhado no gran­de círculo eclesiástico romano que justifica, sob a luz da religião, todos esses elementos políticos, econômicos, morais e religiosos de uma supremacia (ou ditadura) papal.

Por "poder" aqui entendo aquele aspecto da faculdade da vontade que quer colocar-se acima dos outros para dominá-los ou física, ou política, ou economicamente, sempre, po­rém, sob o manto da religião.

Noutras palavras: poder, enquanto tal, significa capacidade de dominar. Por isso, neste caso, ideologia do poder é o sonho de domínio que usa da religião para estar acima do bem e do mal, seja político ou eco­nômico.

Deste modo, a ideologia do po­der se torna, num certo momen­to, o substrato de toda uma men­talidade. Seria o caso de falar do inconsciente coletivo que se reflete no inconsciente indivi­dual dos bispos de Roma.

Para Sto. Agostinho, só pa­ra citar um dos grandes respon­sáveis desta ideologia, "o Es­tado justo deveria ser aquele em que a verdadeira religião é mantida pela lei e pela autori­dade e nenhum Estado pode­ria ser justo a partir do adven­to do cristianismo, a menos que não fosse também cristão". (G. Sabine; "História das Teorias Políticas"; Ed. F. de C; RJ; 1964; pág. 198).

Em todos os próximos arti­gos só tratarei da ideologia do po­der dos homens que foram bis­pos em Roma. Se, a um certo momento, estes homens deram ao seu cargo de bispos um cunho universal é porque os homens que ocupavam este cargo com­partilhavam de uma ideologia que, embora não fosse da essên­cia do cargo, quiseram enxertá-la no mesmo cargo.

O que mais impressiona o his­toriador é que nunca foi escrito algo com referência direta e ex­clusiva a este assunto. Todos os historiadores misturam a vida política do bispo de Roma com a história da vida cristã no Oci­dente, de modo que vida cristã e vida papal se fundem.

Sem contar que muitos his­toriadores colocam um manto so­bre o assunto para que o leitor não entenda nada.

Por exemplo: "A Reforma na Idade Média" de Brenda Balton (Edições 70) só diz à página 20: "A Igreja tornara-se negligente e mundana". E George Duby em "O Ano Mil" (Ed. 70) nem fala da vida pessoal dos papas ou de sua ideologia do poder...

E é justamente o ano 1000 que é o mais importante para este assunto! Quanto

12/02/2013

A Origem do Poder Temporal da Igreja Romana

Foi com a bênção do rei dos francos que o bispo de Roma também se tornou “rei”
O bispo romano Zacarias sucedeu a Estêvão II (752-757), que teve problemas de ordem burocrática porque não foi consagrado. Por isso alguns historiadores católicos recusam a sua integração no número dos bispos romanos.
 
Mas outros historiadores, como o cardeal Barénio, o padre Pétan e o Panvini, entenderam que a eleição canónica é suficiente e que a consagração nada lhe acrescentava. Também era assim nos primeiros séculos.
 
Temos, por exemplo, uma carta de São Cipriano, falecido em 258, que diz: "Os fiéis não só têm por direito divino a faculdade de escolher os ministros, como também de depô-los, mesmo consagrados, quando se tornam indignos".
 
(Parêntese: este direito que os fiéis realmente tinham nos primeiros dois séculos acabou quando começou a prevalecer a ideologia do poder centralizado no bispo).
 
Também Leão I, bispo de Roma, escreveu que a eleição por si confere a dignidade episcopal e acrescenta que a nomeação de um bispo deve ser feita por todos os fiéis de uma cidade e chega a anatematizar aqueles que tentam tirar este poder aos fiéis.
 
Estêvão II teve um papel muito importante na formação do território que constituía o Estado Pontifício. Ele, temendo que os longobardos ocupando Roma e tornando-se senhores da Itália reduzissem a Santa Sé e seu bispo a um bispado local sem importância, apelou para o imperador grego Constantino V; mas esse nem resposta lhe deu.
 
Foi assim que Estêvão II se voltou para os francos e pediu ajuda  a Pepino o Breve, que venceu os longobardos, e em 756 já havia  dado ao bispo de Roma toda a Itália Central com a famosa carta chamada "Doação de Pepino" que Roma fez passar como sendo uma restituição de territórios conquistados pelos lombardos mas que haviam sido doados à Sé de Roma quando era bispo Silvestre I (314-335) pelo imperador Constantino (Doação de Constantino).
A Estêvão II sucedeu Estêvão III (768-772) com o qual finalmente começa o tão suspirado, desejado e planejado poder temporal pontifício! A primeira coisa que Estêvão III fez foi trocar os selos de lacre das cartas pontifícias pelos selos de chumbo.
 
 
Era o símbolo de força e de grandeza. Então, ele se preocupou com os longobardos, cujo governo era tão difícil (ou mais) do que o dos imperadores do Oriente.
 
Longobardos e Oriente infernizaram a Sé de Roma proibindo-lhe, na prática, a sua realização política na Itália. Então se apresentou a Astolfo, rei dos longobardos, e mediante valiosos presentes conseguiu arrancar-lhe um juramento de trégua de quatro anos.
 
Mas os generais gregos, do imperador do Oriente, fizeram a mesma coisa. Então Astolfo rompeu a trégua com Estêvão III e foi conquistar Ravena e o Exarcato. Não tendo encontrado ninguém que o impedisse, resolveu conquistar a Itália e, antes de mais nada, reivindicar a soberania sobre Roma.
 
Estêvão III tremeu nas bases e mandou logo embaixadores para Constantinopla a fim de ser socorrido pelo imperador Constantino, que por estar ocupado em guerra contra os árabes, mandou um delegado imperial para convencer Astolfo a restituir as cidades, a praça e a fortaleza à Sé de Roma. Mas Astolfo conseguiu enganar o delegado imperial porque queria consolidar suas conquistas na Itália.
 
O delegado imperial voltou para Constantinopla sem ter recebido nenhuma satisfação de Astolfo. Por outro lado, ele odiava a Igreja Católica romana porque ele era iconoclasta. Então abandonou Estêvão III ao seu destino, prevendo como seria logo destruído pelos longobardos.
 
Astolfo, para se vingar, invadiu imediatamente Roma e obrigou seus habitantes a reconhecê-lo como seu soberano, sob pena de morte. As tropas de Estêvão III fugiram e ele ficou encerrado numa torre por muito tempo.
 
Então, abandonado propositadamente pelo imperador e prisioneiro de Astolfo, apelou para Pepino, embora soubesse que Pepino era um traidor e que nada se importava com Roma. Escreveu-lhe pedindo socorro e prometendo-lhe, em nome de São Pedro, o perdão de todos os pecados que tivesse cometido e a felicidade eterna no Céu!
 
Nesse meio tempo um embaixador do imperador Constantino chegou a Roma ordenando que Estêvão III fosse logo à corte de Astolfo para receber de volta Ravena, o Exarcato e as demais cidades que ao longo dos anos os imperadores gregos haviam dado à Sé de Roma.
 
Sabendo dos acontecimentos, Astolfo mandou a Estêvão III um salvo-conduto para ele e para os seus secretários, garantindo-lhe que o receberia em Pavia com todas as honras.
 
Em 14 de outubro de 754 Estêvão III empreendeu a viagem para Pavia acompanhado dos embaixadores francos que haviam sido enviados por Pepino. Mal chegou em Pavia e Astolfo mandou avisá-lo que havia perdido a viagem se vinha para pedir a restituição de Ravena e do Exarcato.
 
Estêvão respondeu que tinha vindo por ordem do imperador. Astolfo persistiu na recusa dizendo que pouco se importava com as ameaças ao imperador. Foi então que os embaixadores francos disseram a Astolfo que o rei Pepino havia ordenado que o bispo de Roma, Estêvão III, fosse conduzido até a França.
 
Astolfo ficou cheio de raiva, mas teve que conter-se e deixou Estêvão III partir. No norte da Itália já era inverno. Assim mesmo passaram os Alpes cheios de neve e chegaram ao mosteiro de São Maurício em Valais. De lá foram ao castelo de Pouthion,  que era uma das residências dos reis francos. O rei com toda a família veio-lhe ao encontro (quem nos conta a cena é Anastácio, o Bibliotecário) a uma légua do castelo de Pouthion. Então, a pé, de cabeça descoberta, o rei segurou as rédeas do cavalo de Estêvão III até ao palácio.
 
No dia seguinte, [o papa] Estêvão e os bispos que o acompanharam, com a cabeça coberta de cinza e uma roupa miserável, se prostraram aos pés de Pepino, conjurando-o em nome de Deus que os libertassem dos longobardos.
 
Estêvão III conservou-se prostrado com o rosto no chão até que Pepino o levantou (e este era o sinal de proteção dos reis francos). Parêntese: nasceu aqui o conceito de "França, filha primogénita da Igreja Católica" que dura até hoje e nem Napoleão conseguiu cancelar!).
 
Então Pepino mandou seus embaixadores dizerem a Astolfo que devia restituir as terras e as cidades à Sé de Roma. Mas Astolfo recebeu muito mal os embaixadores francos.
 
Então Pepino partiu para uma guerra terrível a fim de "libertar a Santa Igreja". Mas, antes de partir para a Itália, fez questão de assinar o auto das doações das terras da Sé de Roma, em seu nome e em nome de Carlos e Carlomano, seus filhos.
 
Astolfo se assustou e prometeu restituir tudo com exceção do Exarcato de Ravena, dizendo que essa questão não lhe cabia, nem a ele, nem a Pepino. Mas Pepino jurou que seu exército iria conquistar toda a Itália Central para doá-la ao papa.
 
Então houve uma festa solene em que Estêvão III consagrou rei Pepino e consagrou também Carlos e Carlomano e a sua mulher Bertrade. Depois de ter-lhe imposto as mãos, Estêvão declarou em nome de Deus que era proibido aos francos, sob pena de excomunhão e condenação eterna, escolherem reis de outra raça. Em seguida nomeou Carlos e Carlomano "Patrícios Romanos" e Estêvão III foi padrinho de batismo dos dois príncipes.
 
Pepino desceu na Itália com um poderoso exército; venceu Astolfo e o obrigou a restituir todas as terras ao bispo de Roma.
 
Foi assinado um tratado na presença dos embaixadores do imperador Constantino, que se encontravam lá para pedir as mesmas terras em nome do imperador grego. Mas tão logo Pepino voltou à França, Astolfo se apoderou de novo de Roma e Pepino teve que voltar novamente à Itália.
 
Mas dessa vez, além de Ravena e o Exarcato a Sé de Roma recebeu de presente todas as terras que formam a Itália Central e que até o ano de 1870 tornaram-se o conhecido Estado Pontifício.
 
Astolfo morreu logo de tristeza e Pepino e seus descendentes ficaram conhecidos como os defensores do Património de São Pedro.
 
E assim a ideologia do poder eclesiástico ficava firmemente estabelecida sob o patrocínio e com o consentimento do mais poderoso rei da Europa e do imperador de Constantinopla.
Autor: Carlo Bússola, professor aposentado de Filosofia da UFES
 
Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.
 
Nota e Comentários do IASD Em Foco
Temos aqui, na postagem destes excelentes artigos, enfatizado reiteradamente a erudição, imparcialidade e honestidade intelectual do Dr. Carlo Bússola. Tudo o que ele escreve aqui em termos de História e a “ideologia de poder dos bispos” é fidedigno...
 
Analisem com “espírito desarmado” e sinceridade as seguintes colocações do Dr. Carlo Bússola:
 
“[...] por 870 anos nenhum concílio ecuménico foi convocado pelo bispo de Roma. Os grandes concílios e sínodos foram sempre convocados pelos imperadores sem perguntar nada ao bispo de Roma” (A História dos Papas, artigo 30).
 
“[...] pelo prazo de mil anos nenhum bispo de Roma dirigiu decisões sobre matéria de fé e costumes à Igreja Universal” (A História dos Papas, artigo 30).
 
Foi somente no Concilio de Éfeso (431) que os delegados romanos declararam que "Pedro, a quem Cristo havia dado o poder de atar e desatar, continua a viver e julgar em seus sucessores" (Mansi; "Concilia Oecumenica"; IV; pág. 366). Mas ninguém lhes deu importância (A História dos Papas, artigo 30).
 
O bispo romano Gregório Magno (590-604) rejeitou com horror o título de "bispo ecuménico" (universal) entendido como plenitude da autoridade eclesiástica. Ele chegou a chamar este título de "criminoso e blasfemo a Deus” (A História dos Papas, artigo 30).
Por mais que esta verdade doa aos católicos sinceros – e eles existem aos milhões – isso não se aplica ao Cristianismo como um todo, mas, sim, à Igreja Católica Apostólica Romana. Este poder que, como estava profetizado centenas de anos antes, nas suas duas fases (imperial e papal) substituiria a Verdade da Palavra de Deus pelas mentiras das tradições humanas.  
 
Vejamos, de forma sucinta, o que diz a Bíblia sobre isso:
“De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou” (Daniel 8:9-12).
 
Foi Roma, repetimos e provamos bíblica e profeticamente, que nas suas duas fases – imperial e papal – atacou todo o conjunto de verdades bíblicas e o jogou por terra. É o quarto animal de Daniel 7 (ler: Daniel 7:7) exatamente o quarto Império Mundial e, das suas cinzas, surge um poder (Roma papal) simbolizado pelo “chifre pequeno” ou “ponta pequena” (ler: Daniel 7:8, Apocalipse 13:1-10).
 
Nosso Senhor Jesus e profetas e escritores bíblicos já haviam advertido sobre o gravíssimo perigo de substituir a Palavra de Deus pelas tradições humanas:
 
“Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós o Mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] E, assim, invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3 e 6).
 
“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:8-9). 
 
“E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente [com astúcia, falsificações da verdade, embustes, enganos de toda sorte] rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (Marcos 7:7-9).
 
“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia [os padres dão show de filosofia: Tenho amigos que estudaram em seminários católicos e, hoje, são padres. Com eles é assim: Filosofia 10 X Bíblia 0] e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8). 
 
Quando entram em campo questões religiosas, espirituais, questões de salvação: das quais dependem o nosso destino terno, é bom lembrar sempre que:
 
- O importante não é o que o presbítero diz!
- O importante não é o que o missionário diz!
- O importante não é o que o evangelista diz!
- O importante não é o que o bispo diz!
- O importante não é o que o obreiro diz!
- O importante não é o que o “apóstolo” diz!
- O importante não é o que o padre diz!
- O importante não é o que o pastor diz!
- O importante não é o que o teólogo diz!
O importante é o que Deus diz!!! O importante, e nisto está a nossa segurança eterna, é o que a Palavra de Deus diz!!! E ela nos ordena:
“Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).
Ela nos indica para onde devemos ir e qual caminho devemos seguir, em meio aos enganos finais dos últimos dias:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os Mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

24/01/2013

FOI SÃO PEDRO BISPO EM ROMA?

Não existem documentos históricos da época que atestem que Pedro foi bispo em Roma

O dogma católico é claro: "É objeto de fé católica que por vontade de Jesus, Pedro devia ter perpetuamente um sucessor no cargo de pastor supremo e este sucessor é o bispo de Roma". (B. Bartmann; "Teologia Dogmática" vol. II; Ed. Paulinas; SP; 1964; pág. 481).

Com efeito, o Concilio Vaticano I decretou isto na sessão 4, C.2. Este decreto inclui um ponto dogmático: que o apóstolo Pedro sempre terá um sucessor; e um ponto histórico: que o bispo de Roma é o sucessor de São Pedro.

Os teólogos [católicos] provam o primeiro ponto pelo fato de que a Igreja de Jesus, sendo eterna, terá eternamente alguém que cuide dela e este só poderá ser o sucessor de São Pedro. Também os teólogos provam o segundo ponto

10/01/2013

MÁRTIRES CRISTÃOS - HISTÓRIA DA PERSEGUIÇÃO NA BOÉMIA


Os pontífices romanos, que tinham usurpado o poder sobre várias igrejas, foram particularmente severos com os boémios, até ao ponto de lhes enviar dois ministros e quatro laicos a Roma, no ano 997, para obterem reparações do Papa. Depois de alguma tardança, foi-lhes concedida sua petição, e reparados os danos. Permitiram-lhes duas coisas em particular: ter o serviço divino em sua própria língua, e que o povo pudesse participar do vinho no sacramento.


Apesar disso, as disputas voltaram a renascer, tentando os seguintes Papas por todos seus médios impor-se sobre as mentes dos boémios, e estes, animadamente, tratando de preservar suas liberdades religiosas.

No ano 1375, alguns zelosos amigos do Evangelho apelaram a Carlos, rei da Boémia, para que convocasse um Concílio Ecuménico para fazer uma indagação dos abusos que tinham-se introduzido na Igreja, e para efetivar uma reforma plena e exaustiva. O rei, que não sabia como proceder, enviou ao Papa uma comunicação pedindo-lhe conselho acerca de como agir; mas o pontífice sentiu-se tão indignado ante este assunto que sua única resposta foi: “Castigai severamente a estes desconsiderados e profanos hereges”. O monarca, portanto, desterrou a todos os que estavam implicados nesta solicitude, e, para agradar o Papa, impus um grande número de restrições adicionais sobre as liberdades religiosas do povo.

As vítimas da perseguição, não obstante, não foram tão numerosas na Boémia senão até depois da queima de John Huss e de Jerónimo de Praga. Estes dois eminentes reformadores foram condenados e executados a instigação do Papa e de seus emissários, como o leitor verá pela leitura dos seguintes breves bosquejos de suas vidas.

A perseguição de John Huss
John Huss nasceu em Hussenitz, um povoado de Boémia, por volta do ano 1380. Os seus pais lhe deram a melhor educação que lhes permitiam as circunstâncias; e tendo adquirido um bom conhecimento dos clássicos numa escola privada, passou à universidade de Praga, onde logo deu provas de sua capacidade intelectual, e onde se destacou por sua diligencia e aplicação ao estudo.


Em 1398, Huss alcançou o nível de bacharel em divindade, e depois foi sucessivamente escolhido pastor da Igreja de Belém, em Praga, e decano e reitor da universidade. Nestas posições cumpriu seus deveres com grande fidelidade, e ao final se destacou de tal modo por sua predicação, que se conformava com as doutrinas de Wycliffe, que não era possível que pudesse fugir à atenção do Papa e de seus partidários, contra os que predicava com não pouca aspereza.


O reformista inglês Wycliffe havia acendido de tal modo a luz da reforma, que começou a iluminar os cantos mais tenebrosos do papado e da ignorância. Suas doutrinas se espalharam pela Boémia, e foram bem recebidas por muitas pessoas, porém por ninguém tão particular como por John Huss e seu zeloso amigo e companheiro de martírio, Jerónimo de Praga.

O arcebispo de Praga, ao ver que os reformistas aumentavam a diário, emitiu um decreto para suprimir a dispersão contínua dos escritos de Wycliffe; no entanto, isto teve um efeito totalmente contrário ao esperado, porque serviu de estímulo para o zelo dos amigos destas doutrina, e quase toda a universidade se uniu para propagá-las.


Estreito aderente das doutrinas de Wycliffe, Huss se opus ao decreto do arcebispo, que contudo conseguiu uma bula do Papa, que lhe encarregava impedir a dispersão das doutrinas de Wycliffe em sua província. Em virtude desta bula, o arcebispo condenou os escritos de Wycliffe; também procedeu contra quatro doutores que não tinham entregado as cópias daquela teologia, e lhes proibiram, apesar de seus privilégios, anunciar a consagração alguma. O doutor Huss, junto com alguns outros membros da universidade, protestaram contra estes procedimentos, e apelaram contra a sentença do arcebispo.

Ao saber o Papa da situação, concedeu uma comissão do cardeal Colonna, para que citasse a John Huss a comparecer pessoalmente na corte de Roma, a fim de responder a acusação que tinha sido apresentada em sua contra de predicar erros e heresias. O doutor Huss pediu ser escusado de comparecer pessoalmente, e era tão favorecido na Boémia que o rei Wenceslau, a rainha, a nobreza e a universidade pediram ao Papa que dispensara seu comparecimento; também que não deixasse que o reino de Boémia estiver sob acusação de heresia, senão que lhes for permitido predicar o Evangelho com liberdade em seus lugares de culto.


Três procuradores compareceram ante o cardeal Colonna em representação do doutor Huss. Trataram de escusar a sua ausência, e disseram que estavam dispostos a responder em seu lugar. Mas o cardeal declarou contumaz a Huss, e por isso o excomungou. Os procuradores apelaram ao Papa, e designaram a quatro cardeais para que examinassem o processo. Estes comissionados confirmaram a sentença, e estenderam a excomunhão não só a Huss senão também a seus amigos e seguidores.

Huss apelou contra esta sentença a um futuro Concílio, porém sem êxito; e apesar da severidade do decreto e da conseguinte expulsão de sua igreja em Praga, se retirou a Hussenitz, sua cidade natal, onde continuou propagando sua nova doutrina, tanto desde o púlpito como com sua pluma.

As cartas que escreveu nesta época foram muito numerosas; e recopilou um tratado no qual mantinha que não se podia proibir de forma absoluta a leitura dos livros dos reformistas. Escreveu em defesa do livro de Wycliffe acerca da Trindade, e se manifestou abertamente em contra dos vícios do Papa, dos cardeais e do clero daqueles tempos corruptos. Escreveu também muitos outros livros, todos os quais redigiu com uma força argumentativa que facilitava enormemente a difusão de suas doutrinas.

No mês de novembro de 1414 se convocou um Concílio geral em Constança, Alemanha, com o único propósito, como se pretendia, de decidir entre uma disputa que estava então pendente entre três pessoas que contendiam pelo papado; porém seu verdadeiro motivo era esmagar o avanço da Reforma.
 
John Huss foi chamado a comparecer diante deste Concílio; para alentá-lo, o imperador lhe enviou um salvo-conduto. As cortesias e inclusive a reverência com que Huss se encontrou pelo caminho eram inimagináveis. Pelas ruas que passava, e inclusive pelas estradas, se aglomerava a gente as quais o respeito, mais que a curiosidade, levava até lá.

Foi levado à cidade em meio de grandes aclamações, e se pode dizer que passou pela Alemanha em triunfo. Não podia deixar de expressar sua surpresa ante o tratamento que lhe dispensavam. “Pensava eu (disse) que era um proscrito. Agora vejo que meus piores inimigos estão na Boémia”.

Tão logo como Huss chegou a Constança, tomou um alojamento numa parte afastada da cidade. Pouco depois de sua chegada, veio um tal Stephen Paletz, quem tinha sido contratado pelo clero de Praga para apresentar as acusações em sua contra. A Paletz se uniu posteriormente Miguel de Cassis, de parte da corte de Roma. Estes dois se declararam seus acusadores, e redigiram um conjunto de artigos em contra dele, que apresentaram ao Papa e aos prelados do Concílio.

Quando se soube que estava na cidade, foi arrestado imediatamente, e constituído prisioneiro numa câmara do palácio. Esta violação da lei comum e da justiça foi observada em particular por um dos amigos de Huss, quem aduziu o salvo-conduto imperial; porém o Papa replicou que ele nunca tinha concedido nenhum salvo-conduto, e que não estava sujeito pelo do imperador.


Enquanto Huss esteve encerrado, o Concílio agiu como Inquisição. Condenaram as doutrinas de Wycliffe, e inclusive ordenaram que seus restos fossem exumados e queimados, ordens que foram estritamente cumpridas. Nesse ínterim, a nobreza da Boémia e da Polónia intercedeu intensamente por Huss, e prevaleceram até o ponto de impedir que for julgado sem ser ouvido, coisa que tinha sido a intenção dos comissionados designados para julgá-lo.

Quando o fizeram comparecer diante do Concílio, leram-lhe os artigos redigidos contra ele; eram por volta de uns quarenta, maiormente extraídos de seus escritos.

A resposta de John Huss foi: “Apelei ao Papa e, morto ele, e não tendo sido decidida minha causa, apelei do mesmo modo a seu sucessor João XXIII, e não podendo lograr meus advogados que me admitisse em sua presença para defender minha causa, apelei ao sumo juiz, Cristo”.


Tendo dito Huss estas coisas, foi-lhe perguntado se havia recebido a absolvição do Papa ou não. Ele respondeu: “Não”. Depois, quando lhe perguntou se era legítimo que apelasse a Cristo, John Huss respondeu: “Em verdade afirmo aqui diante de todos vós outros que não há apelação mais justa nem mais eficaz que a que se faz a Cristo, porquanto a lei determina que apelar não é outra cousa que, quando for cometido um mal por parte de um juiz inferior, se implora e pede ajuda de mãos de um juiz superior. E quem é maior Juiz que Cristo? Quem, digo eu. Pode conhecer ou julgar a questão com maior justiça ou equidade? Pois d´Ele não há engano, nem Ele pode ser enganado por ninguém; e acaso pode alguém dar melhor ajuda que Ele aos pobres e aos oprimidos?” Enquanto John Huss, com rosto devoto e sóbrio, falava e pronunciava estas palavras, estava sendo ridicularizado e escarnecido por todo o Concílio.

Estas excelentes expressões foram consideradas como manifestações de traição, e tenderam a inflamar seus adversários. Por isso, os bispos designados pelo Concílio o privaram de seus hábitos sacerdotais, o degradaram, lhe colocaram uma mitra de papel na cabeça com demónios pintados nela, com esta expressão: “Líder de hereges”. Ao ver isto, ele disse: “Meu Senhor Jesus Cristo, por minha causa, levou uma coroa de espinhos. Por que não iria eu, então, levar esta ligeira coroa, por ignominiosa que seja? Em verdade vou levá-la, e de boa vontade”. Quando a colocaram em sua cabeça, o bispo disse: “Agora encomendamos tua alma ao demónio”. “Porém eu”, disse John Huss, levantando os olhos ao céu, “encomendo em tuas mãos, oh Senhor Jesus Cristo, meu espírito que Tu remiste”.


Quando o amarraram à estaca com a corrente, disse, com rosto sorridente: “Meu Senhor Jesus foi amarrado com uma corrente mais dura que esta por minha causa; por que deveria eu envergonhar-me desta, tão enferrujada?”.

Quando empilharam a lenha até o pescoço, o duque de Baviera esteve muito solícito com ele, desejando-lhe que se desdissesse. “Não”, disse-lhe Huss, “nunca prediquei doutrina alguma com más tendências, e o que ensinaram meus lábios o selarei agora com meu sangue”. Depois disse ao algoz: “Vai assar um ganso (sendo que Huss significa ganso em língua boémia), porém dentro de um século te encontrarás com um cisne que não poderás nem assar nem cozer”. Se ele disse uma profecia, devia referir-se a Martinho Lutero, que apareceu após uns cem anos, e em cujo escudo de armas figurava um cisne.

Finalmente aplicaram o fogo à lenha, e então nosso mártir cantou um hino com voz tão forte e alegre que foi ouvido através do crepitar da lenha e do fragor da multidão. Finalmente, sua voz foi silenciada pela força das labaredas, que logo puseram fim a sua existência.

Então, com grande diligência, reunindo as cinzas, as lançaram no rio Rhin, para que não sobrasse o menos resto daquele homem sobre a terra, cuja memória,contudo, não poderá ser abolida das mentes dos piedosos nem pelo fogo, nem por água, nem por tormento algum.

A perseguição de Jerónimo de Praga
Este reformador, companheiro do doutor Huss, e poderia dizer-se que mártir com ele, tinha nascido em Praga, e se educou naquela universidade, onde se distinguiu por suas enormes capacidades e erudição. Visitou também vários outros eruditos seminários na Europa, particularmente as universidades de Paris, Heidelberg, Colónia e Oxford. Neste último lugar se familiarizou com as obras de Wycliffe, e, sendo pessoa de uma grande capacidade de trabalho, traduziu muitas delas a sua língua nativa, tendo chegado a ser um grande conhecedor da língua inglesa, após árduos estudos.

Ao voltar a Praga, se manifestou abertamente como favorecedor de Wycliffe, e ao ver que suas doutrinas tinham feito grande progresso na Boémia, e que Huss era seu principal patrocinador, veio em sua ajuda na grande obra da reforma.

O quatro de abril de 1415 chegou Jerónimo a Constança, uns três meses antes da morte de Huss. Entrou em privado na cidade, e consultando com alguns dos líderes de seu partido, aos que encontrou ali, ficou facilmente convencido de que não poderia ser de ajuda alguma para seus amigos.


Ao saber que sua chegada a Constança tinha sido conhecida publicamente, e que o Concílio tinha a intenção de apresá-lo, considerou que o mais prudente era retirar-se. Assim sendo, no dia seguinte foi para Iberling, uma cidade imperial a uma milha de Constança. Desde este lugar escreveu ao imperador, manifestando-lhe sua boa disposição a comparecer diante do Concílio se lhe era concedido um salvo-conduto; porém lhe foi recusado. Então enviou uma solicitude ao Concílio, e recebeu uma resposta não menos desfavorável que a do imperador.

Depois disto, empreendeu o retorno à Boémia. Teve a precaução de levar consigo um certificado, assinado por vários dos nobres boémios, que então estavam em Constança, que dava testemunho de que tinha utilizado todos os médios prudentes em sua mão para conseguir uma audiência.

Jerónimo, contudo, não escaparia. Foi apressado em Hirsaw por um oficial do duque de Sultbach, que, embora carecendo de autorização para agir neste sentido, não tinha dúvida alguma de que o Concílio iria agradece-lhe um serviço tão aceitável.


O duque de Sultbach, com Jerónimo em seu poder, escreveu ao Concílio pedindo instruções acerca de como proceder. O Concílio, trás expressar seu agradecimento ao duque, pediu-lhe que enviasse o prisioneiro de imediato a Constança. O eleitor palatino se encontrou com ele no caminho, e o levou de volta à cidade, cavalgando com ele num corcel, com um numeroso cortejo, que levava a Jerónimo acorrentado com uma longa corrente; assim que chegaram, Jerónimo foi lançado numa imunda masmorra.

Jerónimo foi logo tratado de uma forma muito semelhante a como tinha sido tratado Huss, só que sofreu um confinamento muito mais prolongado, e passou de uma a outra prisão. No final, feito comparecer perante o Concílio, desejou defender sua causa e exculpar-se; sendo- lhe isto negado, prorrompeu nas seguintes palavras:


“Que barbaridade é esta! Durante trezentos e quarenta dias estive encerrado em várias prisões. Não há miséria nem carência que não tenha experimentado. Aos meus inimigos lhes tendes permitido toda as facilidades para acusar. A mim me negais a mais mínima oportunidade de defender-me. Nem uma hora me permitireis preparar-me para o meu juízo. Tendes engolido as mais negras calúnias contra minha honra. Tendes-me apresentado como herege, sem conhecer minha doutrina; como inimigo da fé, antes que saber que fé professo; como perseguidor de sacerdotes, antes de ter uma oportunidade de saber quais são meus pensamentos acerca disto. Sois um Concílio Geral; em vós se centra tudo o que este mundo pode comunicar de seriedade, sabedoria e santidade; porém, contudo sois somente homens, e os homens poder ser atraídos pelas aparências. Quanto mais elevado seja vosso caráter para sabedoria, tanto mais cuidado deveríeis tomar de não desviar-vos para a insensatez. A causa que agora alego não é minha própria causa: é a causa de todos os homens, é a causa dos cristãos; é uma causa que afetará os direitos da posteridade, segundo o que fizerdes com minha pessoa”.


Este discurso não exerceu o mais mínimo efeito; Jerónimo foi obrigado a ouvir a leitura da acusação, que se reduzia aos seguintes encabeçados:
1) Que era um ridicularizador da dignidade papal.

2)  Um opositor do Pai.

3)  Um inimigo dos cardeais.

4)  Um perseguidor dos prelados.

5)  Um aborrecedor da religião cristã.

O juízo de Jerónimo teve lugar no terceiro dia de sua acusação, e se interrogou a testemunhas em apoio da acusação. O prisioneiro estava disposto para sua defesa, o que parece quase incrível, quando consideramos que tinha estado trezentos e quarenta dias aprisionado numa imunda cela, privado da luz do dia, e quase morto de fome por carência das coisas mais necessárias. Mas seu espírito se elevou por acima destas desvantagens sob as que homens com menor coragem teriam afundado; e não se privou de citar os pais e os autores antigos, como se tivesse estado dotado da melhor biblioteca.


Os mais fanáticos da assembleia não desejavam que fosse ouvido, porque sabiam o efeito que pode ter a eloquência nas mentes das pessoas mais cheias de prejuízos. No final, a maioria prevaleceu em que se devia dar-lhe liberdade para falar em sua própria defesa. Esta defesa a iniciou com uma eloquência tão comovente e sublime que se viu como se fundiam os corações mais cheios de zelo e endurecidos e como as mentes supersticiosas pareciam admitir um raio de convicção. Estabeleceu uma admirável distinção entre a evidência que repousava sobre os fatos, e a sustentada pela malícia e a calúnia. Expus ante a assembleia todo o teor de sua vida e conduta. Observou que os maiores e santos dos homens tinham sido observados diferindo em questões pontuais e especulativas, com vistas a distinguir a verdade, não a mantê-la oculta. Expressou um nobre menosprezo de todos seus inimigos, que o haviam induzido a desdizer-se da causa da virtude e da verdade. Entrou num alto encómio de Huss, e se manifestou disposto a segui-lo no glorioso caminho do martírio. Depois tocou as doutrinas mais defendíveis de Wycliffe, e concluiu observando que estava longe de sua intenção avançar nada em contra do estado da Igreja de Deus; que somente se queixava dos abusos do clero; que não podia deixar de dizer que era certamente coisa ímpia que o património da Igreja, que originalmente tinha sido designado para a caridade e a benevolência universal, se prostituísse pela concupiscência dos olhos, em festas, vestes extravagantes e outros vitupérios para o nome a profissão do cristianismo. Terminado o juízo, Jerónimo recebeu a mesma sentença que tinha sido executada contra seu compatriota mártir. Como consequência disto foi, segundo o estilo do engano papista, entregue ao braço secular; mas como era laico, não podia passar pela cerimónia da degradação. Tinham-lhe preparado uma coroa de papel pintada com demónios vermelhos. Quando a teve colocada sobre a sua cabeça, exclamou: “Nosso Senhor Jesus Cristo, quando sofreu a morte por mim, um pecador mais que miserável, levou sobre Sua cabeça uma coroa de espinhos; por amor d´Ele levarei eu esta coroa”.

Foram-lhe permitidos dois dias, com a esperança que se retratasse; durante este tempo o cardeal de Florência empregou todos seus esforços para tratar de ganhá-lo. porém tudo isso resultou ineficaz. Jerónimo estava resolvido a selar a doutrina com seu sangue, e sofreu a morte com a mais distinguida magnanimidade.

Ao ir para o local da execução cantou vários hinos, e ao chegar no lugar, que era o mesmo no qual Huss tinha sido queimado, se ajoelhou e orou fervorosamente. Abraçou a estaca com grande ânimo, e quando foram por trás dele a acender a lenha, disse-lhes: “Vinde aqui, acendei o fogo diante de minha cara; se eu tiver tido medo das chamas, não teria vindo a este lugar”. Ao acender-se o fogo, cantou um hino, porém logo viu-se interrompido pelas labaredas, e as últimas palavras que se ouviram foram estas: “A ti, oh Cristo, te ofereço esta alma em chamas”.

O elegante Pogge, um erudito cavalheiro de Florência, secretário de dois Papas, e católico zeloso, porém liberal, deu numa carta a Leonard Arotin um amplo testemunho das extraordinárias qualidades e virtudes de Jerónimo, a quem descreve de maneira enfática como um homem prodigioso!

A perseguição de Zisca
O verdadeiro nome deste zeloso servo de Cristo era João de Troczonow; o nome de Zisca é uma palavra boémia, que significa caolho, já que tinha perdido um olho. Era íntima de Boémia, de uma boa família, e deixou a corte de Venceslau para entrar no serviço do rei da Polónia contra os cavalheiros germanos. Tendo obtido um título honorifico e uma bolsa de ducados por seu valor, ao terminar a guerra voltou à corte de Venceslau, ante quem reconheceu abertamente o profundo interesse que se tomava na sanguinária afronta que se tinha feito aos súbditos de sua majestade em Constança, no assunto de Huss. Venceslau lamentava não ter o poder de vingá-lo, e desde este momento se diz que Zisca assumiu a ideia de afirmar as liberdades religiosas de seu país. No ano 1418 se dissolveu o Concílio, tendo feito mais mal que bem, e no verão daquele ano se celebrou uma reunião geral dos amigos da reforma religiosa no castelo de Wisgrade que, dirigida por Zisca, se

16/12/2012

SENHORA, PADROEIRA E CO-REDENTORA

Airton Evangelista da Costa

Escreveu um livro: A Verdade sobre Maria
O autor postou o livro em um blog e dá liberdade de divulgação deste material. Lemos e achamos interessantes e postaremos o livro neste espaço. O nosso compromisso é não alterar o sentido nem fazer revisão do texto, assim, o nosso foco é apresentar aos que se questionam quem foi Maria? Dar uma resposta no contexto bíblico. Desfrutem!
A santa e humilde Maria nunca desejou tomar o lugar do Salvador, do Filho de Deus. A sua posição foi de serva ciente de sua missão, a missão de trazer à luz a Luz do mundo, o Pão da vida, o Verbo de Deus. Até nas suas palavras a mãe de Jesus foi discreta. O registo mais extenso das palavras por ela pronunciadas está em Lucas 1.46-55, sob o título "O cântico de Maria." Nessa oração, como já vimos atrás, Maria se mostra muito feliz e agradecida a Deus por haver sido agraciada com tão nobre missão: "Pois olhou para a humildade da sua serva.
Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada". Nos versículos 46 e 47,
Maria se declara necessitada de salvação: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador".
Não se encontra nas Escrituras qualquer tipo de adoração a Maria, ou qualquer ensino nesse sentido. Muitas pessoas interpretam mal o título "Bem-aventurada". Uma pessoa bem-aventurada quer dizer uma pessoa feliz, ditosa e bendita. É o estado "daqueles que, por seu relacionamento com Cristo e com a sua Palavra, receberam de Deus o amor, o cuidado, a salvação e sua presença diária. O arcanjo Gabriel disse: "Bendita és tu ENTRE as mulheres", e não bendita ACIMA das mulheres. A mesma declaração foi feita por Isabel a Maria acrescentando: "... e bendito o fruto do teu ventre" (Lucas 1.42). E a própria Maria afirmou que "desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1.48b).
Jesus, no "Sermão da Montanha", chamou de "BEM- AVENTURADOS" os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça e os perseguidos por causa dele (Mateus 5.3-11). E bem-aventurada é Maria em razão da missão a ela confiada. Então, os salvos somos bem-aventurados, isto é, somos felizes porque agraciados com bênçãos de Deus. Não há a menor possibilidade de, após a nossa morte – a morte dos bem-aventurados - chegarmos à condição elevada de Senhor ou Senhora, Pai ou Mãe de todos. Vejamos o que diz a Bíblia:
"Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor"; "Amarás o Senhor teu Seus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração." (Deuteronómio 6.4-5-6). Este mandamento foi confirmado por Jesus, quando afirmou que não existia outro mandamento maior do que este (Marcos 12.30-31), porque quem ama cumpre a Lei Moral. Ora, um coração completamente cheio do amor a Deus não possui espaço para adorar outros deuses, seja "senhor" ou "senhora", ou qualquer pessoa falecida. Ademais, fazer pedidos aos mortos e acreditar que eles sejam mensageiros de Deus, faz parte da doutrina espírita.
"Eu e a minha casa serviremos ao Senhor... nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses" (Josué 24.14-16). Devemos confiar no Senhor e somente a Ele dirigir as nossas súplicas. Em nenhuma parte da Bíblia a santa Maria é elevada à posição de Senhora, Padroeira, Protetora ou Co-Redentora. Nenhum homem ou mulher pode, depois da morte física, receber tal sublimação. Quem morreu em nosso lugar foi Jesus, e Ele não divide a sua obra redentora com mais ninguém:
"E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4.12). "Eu sou o Senhor; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei, nem o meu louvor às imagens de escultura" (Isaías42.8).
Mas, pela palavra da Tradição, Maria cooperou na obra do Salvador e hoje, no céu, é instrumento de salvação: "Mas o seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai mais longe. De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para restauração da vida sobrenatural das
almas" (C.I.C. p. 273, # 968). "Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna" (C.I.C. p. 274, # 969).
Entenda-se como "múnus salvífico" a função de salvar, de Co-Redentora.
"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança" (Salmos 33.12). Daí porque não foi feliz a ideia de, por decreto, eleger Maria à posição de "Padroeira do Brasil", isto é, defensora e protetora de nosso País. Mais coerente com a nossa fé cristã, seria declararmos o que está na Bíblia, ou seja, que Deus é o nosso Senhor, Salvador, Protetor e Pai:
"Adorarás ao Senhor teu Deus, e só a ele servirás" (Lucas 4.8).
Vamos repetir. Jesus, respondendo a Satanás, citou o versículo 13 de Deuteronómio 6. Jesus foi categórico, direto, claro, objetivo. Ele disse que a nossa adoração deve ser dirigida exclusivamente a Deus, e só a Ele devemos servir, servir com o nosso louvor, com o nosso exemplo, com a nossa fé, com nossas orações, nossas lágrimas, nossos jejuns, e obediência à Sua Palavra. Se as nossas lágrimas, súplicas e louvores forem dirigidos à santa Maria, logo estaremos em oposição à palavra do Senhor Jesus. Oposição significa desobediência; desobediência significa rebeldia; rebeldia significa pecado, e “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23).
"Há um só Deus e pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos" (Hebreus 4.6).
Se até aqui o leitor ainda estava em dúvida, creio que este versículo colocou as coisas no devido lugar. Como já disse, a Bíblia não fala na existência de uma "Senhora" ou de um outro "Senhor". O Deus da Bíblia é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Deus que tirou seu povo da escravidão do Egito; que abriu o Mar Vermelho e o seu povo fez passar; que lhe entregou a Terra da promessa; que não está de braços cruzados, impassível, assistindo à rebeldia da humanidade. Ele é por todos.
Como vimos, a eleição da humilde serva Maria, mãe de Jesus, à posição de Senhora ou de Padroeira não encontra respaldo nas Escrituras. A nossa adoração não pode ficar dividida entre o Senhor Deus e a Senhora Maria. Não se pode "coxear entre dois pensamentos", seguir dois caminhos, ter dois senhores. Devemos aprender com Maria e declararmos que a "nossa alma exalta e engrandece ao Senhor, e que o nosso espírito se alegra porque estamos em comunhão com Jesus nosso Salvador".
A Tradição fica longe da Bíblia quando diz que em Maria há salvação. Vimos que em nenhum outro nome há salvação. (Atos 4.12). E mais: "Eu, eu Sou o Senhor, e fora de mim não há salvação” (Isaías 43.11). Leiam:
"Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14.6).
"Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o povo dos seus pecados" (Mateus 1.21).
"...E sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (João 4.42). Tradição
insiste em afirmar:
"...Maria, por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho: em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto de redenção..." (C.I.C. p. 300, # 1172).
 
Fonte http://averdadesobremaria.blogspot.pt/search/label/PADROEIRA%20E%20CO-REDENTORA