27/10/2013

PENSAMENTO BATISTA SOBRE O PODER DO PAPA


O Papa - Sobre Esta Pedra?

Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: ...tu és Pedro [petros] e sobre esta pedra [petra] edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. – Mateus 16.16-18
Apascenta os meus cordeiros... Pastoreia as minhas ovelhas... Apascenta as minhas ovelhas”. – João 21.15-17
Após a confissão de fé de Pedro, ele [Cristo] determinou que sobre ele construiria a sua Igreja; a ele prometeu as chaves do reino dos céus... – Vaticano II [1]
Um papa infalível como sucessor de Pedro, que tem as chaves do reino do céu, sendo o vigário de Cristo? Antes foi a declaração arrogante de que a pompa e os poderes foram herdados de Constantino. Hoje afirma-se que a declaração de Cristo a Pedro fez dele o primeiro papa, a pedra sobre a qual “a única Igreja verdadeira” foi construída, e todos os que o seguiram nesse ofício têm sido seus sucessores, não importa a violência e as fraudes que usaram para consegui-lo, nem suas atitudes malignas. A autoridade que o papa possui hoje e a religião católica que ele lidera estão ancoradas sobre essa afirmação.
O papa é a Igreja Católica. Sem ele a Igreja não poderia funcionar e nem mesmo existir. Por isso é importante estudarmos esse assunto mais a fundo. Pouco importa o que o fiel católico comum pense ou faça. Mas as doutrinas e os feitos da hierarquia e principalmente dos papas continuam controlando a Igreja. É aí que o nosso foco deve estar, não na opinião de alguns católicos que dizem não acreditar na metade do que a Igreja ensina. (Essas pessoas não deveria se chamar “católicas”. Por que confiar numa Igreja para obter a salvação eterna se ela nem é digna de confiança em assuntos menos importantes?)
E que dizer da declaração de Cristo a Pedro: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja?”(Mateus 16.18). Os protestantes argumentam que existe um jogo de palavras no verso chave acima. No grego, “Pedro” é petros, uma pedrinha, enquanto “pedra” no grego é uma petra,como a rocha de Gibraltar, por exemplo. Uma petra tão imensa obviamente só poderia ser o próprio Cristo e a confissão de que Jesus é o Cristo, que Pedro acabara de fazer.
Os apologistas católicos modernos respondem que Cristo estava provavelmente falando em aramaico, o que elimina o jogo de palavras e deixa Pedro como a pedra sobre a qual a Igreja foi edificada. Essa posição, contudo, certamente nega uma das doutrinas básicas do catolicismo romano, a profissão de fé tridentina. Ela exige que todos os clérigos, a partir do papa Pio IV (1559-1565), aceitem a interpretação das Sagradas Escrituras somente de acordo com o consenso unânime dos Pais [da Igreja].

O Testemunho dos Pais da Igreja


Os Pais da Igreja Católica Romana posicionaram-se unanimemente contra a interpretação católica atual. E é Von Dollinger (foto), um católico devoto, uma autoridade da história eclesiástica e que ama a sua Igreja, quem aponta para esses fatos.
Como os “Pais da Igreja” (líderes da Igreja até o papa Gregório, o Grande, que morreu em 604) interpretam esta passagem? Acontece que neste assunto em particular eles são unânimes em concordar com a posição dos protestantes. Nenhum deles interpreta essa passagem como os católicos são ensinados a entendê-la atualmente.
Para estar de acordo com o ensino unânime dos Pais da Igreja, um católico teria de rejeitar o dogma de que Pedro foi o primeiro papa, que ele era infalível e que transmitiu sua autoridade a sucessores. O historiador e católico devoto Von Dollinger lembra fatos inegáveis:
De todos os Pais que interpretam estas passagens nos Evangelhos (Mateus 16.18, João 21.17), nenhum as aplica ao bispo de Roma como sucessor de Pedro.Quantos Pais se ocuparam com estes textos, mas nenhum daqueles cujos comentários possuímos – Orígenes, Crisóstomo, Hilário, Agostinho, Cirilo, Teodoro e aqueles cujas interpretações são coletadas às centenas – têm sequer insinuado que o primado de Roma é a conseqüência da comissão e promessa feita a Pedro!
Nenhum deles explicou que a pedra ou fundamento sobre o qual Cristo construiria a sua Igreja seria o ofício dado a Pedro que devia ser transmitido aos seus sucessores, mas entenderam que se tratava do próprio Cristo ou da confissão de fé de Pedro sobre Cristo; muitas vezes afirmando que eram as duas coisas juntas.[2]
Em outras palavras, ao contrário do que a maioria dos católicos tem aprendido, os Pais da Igreja Católica Romana posicionaram-se unanimemente contra a interpretação católica atual. E é um católico devoto, uma autoridade da história eclesiástica e que ama a sua Igreja, quem aponta para esses fatos.
Outros historiadores católicos concordam com Von Dollinger. Peter de Rosa, também católico devoto, habilmente contesta a supremacia e a linha contínua de sucessão papal desde Pedro:
Pode ser um choque para eles [católicos] saber que os grandes Pais da Igreja não viam conexão alguma entre a declaração [Mateus 16.18] e o papa. Nenhum deles aplica “Tu és Pedro” a alguém mais senão a Pedro. Um após outro, todos analisaram-na: Cipriano, Orígenes, Cirilo, Hilário, Jerônimo, Ambrósio, Agostinho. E eles não são protestantes.
Nenhum deles chama o bispo de Roma de “pedra” ou aplica especificamente a ele a promessa das chaves do reino. Isso é tão surpreendente para os católicos, como se eles não pudessem encontrar menção alguma dos Pais sobre o Espírito Santo e a ressurreição dos mortos...
Para os Pais é a fé de Pedro – ou o Senhor em quem Pedro deposita sua fé – que é chamado de “pedra” e não Pedro. Todos os concílios da Igreja, de Nicéia, no século IV, ao de Constância, no século XV, concordam que o próprio Cristo é o único fundamento da Igreja, isto é, a pedra sobre a qual a Igreja se sustém.
...nenhum dos Pais fala de uma transferência de poder de Pedro aos que o sucederam ...Não há indicação alguma de um ofício petrino permanente.
Então a Igreja primitiva não olhava para Pedro como bispo de Roma, nem, por conseguinte, pensava que todo bispo de Roma seria o seu sucessor... Os evangelhos não criaram o papado; porém o papado buscou apoio nos Evangelhos [mesmo que isso não seja possível].[3]
O fato dos papas durante séculos terem se baseado em documentos fraudulentos (A Doação de Constantino e os Falsos Decretos) para justificar sua pompa e poder, mesmo após terem sido expostos como deliberadas falsificações, mostra como esses “vigários de Cristo” não apreciavam a verdade. Também nos mostram que naqueles dias os papas não baseavam suas justificativas para a sua autoridade papal e a suposta sucessão apostólica desde Pedro em Mateus 16.18. Se isso ocorresse eles não precisariam de documentos falsos para autenticar sua posição. Tal aplicação para as palavras “Tu és Pedro” foi inventada muito mais tarde.

Quem é a Pedra?

A verdade sobre o assunto não depende da questionada interpretação de alguns versículos, mas sim da totalidade das Escrituras. O próprio Deus é claramente descrito como a “pedra” ou “rocha” infalível de nossa salvação através de todo o Antigo Testamento. (Deuteronômio 32.3,4; Salmo 62.1,2, etc.). Na verdade a Bíblia declara que Deus é a única pedra: “Pois quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus?” (Salmo 18.31).
O Novo Testamento torna igualmente claro que Jesus Cristo é a pedra sobre a qual a Igreja é construída, e que Ele, sendo Deus e um com o Pai, é, portanto, a Pedra. Cristo e Seus ensinamentos (Mateus 7.24-29) são rocha onde o “homem prudente edifica a sua casa”, e não Pedro. O próprio apóstolo Pedro frisa que Cristo é a “pedra angular” sobre a qual a Igreja é construída (1 Pedro 2.6-8). E ele cita uma passagem do Antigo Testamento para enfatizar isso.
Paulo, do mesmo modo, chama Cristo “a pedra angular” da Igreja e declara que a Igreja também é edificada “sobre o fundamento dos [todos] apóstolos e profetas” (Efésios 2.20). Esta declaração nega claramente que Pedro tenha uma posição especial no fundamento da Igreja.

Pedro Não Recebeu Promessa Alguma


Os Pais da Igreja nem ao menos puderam reconhecer no poder das chaves, e no poder de ligar e desligar, qualquer prerrogativa ou senhorio do bispo de Roma.
Quando Cristo deu a Pedro “as chaves do reino dos Céus” (Mateus 16.19), Ele explicou o que aquilo significava: “o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. A mesma promessa foi renovada a todos os discípulos em Mateus 18.18, assim como em João 20.23, com a especial aplicação, neste contexto, ao perdão de pecados.
A chave para ligar e desligar e remir ou reter pecados foi claramente dada a todos, não só a Pedro. Portanto, não é certo afirmar que Pedro tinha poder e autoridade especial sobre os demais apóstolos. Tal conceito não se encontra em parte alguma do Novo Testamento e era desconhecido mesmo para a Igreja Católica Romana até alguns séculos mais tarde. A Pedro foi dado o privilégio especial de pregar o Evangelho, primeiro aos judeus (Atos 2.14-41) e depois aos gentios (Atos 10.34-48), mas ele não recebeu nenhuma autoridade especial.
Os apologistas católicos alegam que as palavras de Cristo a Pedro em João 21.15-47 (“apascenta meus cordeiros”, “pastoreia as minhas ovelhas”) deu-lhe autoridade única. Pelo contrário, o próprio Pedro aplicou esse mandamento a todos os anciãos (1 Pedro 5.2) do mesmo modo que Paulo fez (Atos 20.28). Novamente é Von Dollinger quem nos informa:
Nenhuma das antigas confissões de fé, nenhum catecismo, nenhum dos escritos patrísticos, que visavam instruir o povo, contém uma sílaba sequer sobre o papa, nem sequer uma indicação mínima sobre o fato de toda certeza da fé e doutrina depender dele...
Os Pais da Igreja nem ao menos puderam reconhecer no poder das chaves, e no poder de ligar e desligar, qualquer prerrogativa ou senhorio do bispo de Roma, tanto mais que – o que à primeira vista fica óbvio para qualquer um – eles não viram um poder dado primeiramente a Pedro, e em seguida repetindo precisamente as mesmas palavras a todos os apóstolos, como algo que fosse peculiar a ele, ou uma herança para a linhagem dos bispos de Roma, e eles usavam o símbolo das chaves significando exatamente o mesmo que a expressão figurada de ligar e desligar...
O poder das chaves ou de ligar e desligar, foi universalmente reconhecido como pertencente a outros bispos, tanto quanto ao bispo de Roma.[4]

Nenhum Poder Especial Foi Dado a Pedro

A autoridade especial que tem sido alegada pelos papas católicos romanos, que afirmam ser os supostos sucessores de Pedro, jamais foi exercida por Pedro. Em suas epístolas o apóstolo exorta seus iguais; não dá ordens a subordinados. “Aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles...” (1 Pedro 5.1). Ele não oferece base em seus escritos para nenhuma posição ou poder eclesiástico oficial e exaltado. Pedro declara ser simplesmente “testemunha dos sofrimentos de Cristo” (1 Pedro 5.1) junto com todos os apóstolos, que foram “testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1.16). Ele não faz uma única afirmação em seu favor, simplesmente se coloca entre os outros apóstolos.
A reunião de “apóstolos e anciãos” em Jerusalém por volta de 45-60 d.C. descrita em Atos 15.4-29 foi organizada por iniciativa de Paulo, não de Pedro. (Não foi “o primeiro Concílio da Igreja”, como alguns afirmam. Não havia hierarquia na Igreja, nenhuma delegação de fora, todos os presentes residiam em Jerusalém.) Além do mais, foi Tiago, e não Pedro, quem parece ter tomado a liderança. Conquanto Pedro tenha feito uma declaração importante, ela não foi doutrinária, sendo apenas um resumo de sua experiência ao levar o Evangelho primeiro aos gentios. Tiago, contudo, discorreu sobre as Escrituras e argumentou sobre um ponto de vista doutrinário. Além do mais, foi Tiago quem disse: “Pelo que julgo eu... [meu veredito é]” (Atos 15.19) e sua declaração tornou-se a base da carta oficial enviada a Antioquia.
Não há evidências de que Pedro tenha intimidado os outros, mas Tiago o intimidou. O temor de Tiago e sua influência e liderança levaram Pedro a se voltar à tradicional separação dos gentios. Como resultado, Paulo, que escreveu muito mais do Novo Testamento do que Pedro, e cujo ministério foi muito mais abrangente, censurou Pedro publicamente por seu erro (Gálatas 2.11-14). Certamente Pedro não agia como papa, nem era tratado assim pelos outros.

Os Verdadeiros Sucessores dos Apóstolos

Cristo mandou que os apóstolos fizessem discípulos através da pregação do Evangelho. Ele acrescentou que cada pessoa que cresse no Evangelho deveria ser ensinada a obedecer a todas as coisas que Ele havia ensinado. A declaração: “ensinando-os [aos discípulos que se converterão] a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28.20), não pode ser atribuída exclusivamente a uma liderança hierárquica. Esperava-se que todos aqueles que se tornaram discípulos de Cristo através da pregação dos discípulos originais obedecessem a tudo que Cristo havia ordenado aos apóstolos. Para que pudessem fazer tudo que os 11 foram comissionados, cada discípulo comum precisava ter a mesma autoridade e o mesmo poder procedentes de Cristo que os apóstolos tinham.
Quaisquer que tenham sido os mandamentos e poderes que os apóstolos receberam de Cristo, eles foram passados a todos os que creram no Evangelho (ou seja, seus próprios discípulos), os quais, por sua vez, ensinaram esses mandamentos aos seus conversos, e assim por diante, até o presente. Portanto fica evidente que não somente uma classe especial de bispos, arcebispos, cardeais, papas ou um Magistério, são sucessores dos apóstolos, mas todos os cristãos.
A história da Igreja primitiva apresentada no Novo Testamento diz isso. Os apóstolos obedeceram ao que Cristo mandou: fizeram discípulos aos milhares e ensinaram a eles todos os mandamentos de Cristo; e o próprio Cristo, do céu, capacitava seus novos discípulos para desempenharem esta grande comissão. Os cristãos se multiplicaram e as igrejas foram estabelecidas em todo o Império Romano.

Não havia catedrais. A igreja local se reunia nas casas.
Não havia catedrais. A igreja local se reunia nas casas. Sua liderança era um grupo de anciãos piedosos, mais velhos e maduros na fé e que viviam vidas exemplares. Não havia hierarquia, nem local ou tampouco sobre um território maior, que tivesse de ser obedecida por causa de seu ofício ou título. Não havia classe seleta de sacerdotes que possuísse autoridade especial para agir como intermediária entre Deus e o povo. Isso se aplicava ao sacerdócio judaico, que era uma sombra das coisas que haveriam de vir (Hebreus 7.11-28; 10.1-22) mas tornou-se terrivelmente corrupto e teve seu fim no sacrifício feito na cruz.
Todos os crentes foram encorajados a orar e profetizar nas reuniões da Igreja. Paulo deixou isto bem claro: “Quando vos reunis [como Igreja], um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação. No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois, ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete... Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem. Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro [a fim de que o outro fale]. Porque todos podereis profetizar um após outro, para todos aprenderem e serem consolados... Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas” (1 Coríntios 14.26-40).

Não Havia uma Classe de Elite

Nenhuma das promessas de Cristo aos apóstolos foi somente para eles ou para uma classe de elite. Por exemplo: “Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa, que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus” (Mateus 18.19). “Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei...” (João 14.13) e novamente: “Se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (João 16.23). Todos os cristãos que crêem na Bíblia oram em nome de Cristo, embora a promessa tenha sido dada ao Seu círculo íntimo de apóstolos. Todos os católicos tomam o pão e o vinho na missa, mesmo que Cristo tenha dito a todos os apóstolos: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22.19).
Está claro que tudo o que Cristo determinou a seus amigos mais chegados se aplicava a todos os convertidos e a todos os cristãos de hoje. Isso quer dizer que se dois cristãos concordarem sobre alguma coisa em oração esta lhes será concedida, ou que tudo o que um cristão pedir ao Pai, em nome de Cristo, lhe será dado? Sim. Então, por que nem toda oração é respondida? Todas elas são respondidas, mas para algumas a resposta é “não” e para outras, “mais tarde”. O “nome” de Cristo não é uma fórmula mágica, que, se adicionada à oração, assegura uma resposta automática positiva. Pedir em Seu nome significa pedir como Ele pediria, para Sua honra e glória, não para a nossa.
Nesse ponto a Igreja tem decepcionado tremendamente os católicos sinceros. Cada oração que um padre católico faz não é respondida automaticamente mais do que aquelas feitas pelos católicos comuns, ministros protestantes ou leigos. Isso é obvio. Ainda assim diz-se que um membro do clero católico tem um poder especial sobre qualquer coisa que ele pronunciar usando o nome de Cristo – o que for ligado ou desligado, ou o perdão de pecados – ocorre automaticamente. Não é assim. É desonesto dizer que o desligamento do pecado (que não pode ser verificado) ocorre a cada vez que o sacerdote o pronuncia, se desligar da doença ou do débito (algo que pode ser verificado) raramente acontece quando ele pronuncia o desligamento.
A implicação é clara: qualquer coisa que se obtenha através da oração ao Pai em nome de Cristo, ou qualquer graça obtida quando dois cristãos concordam, ligar e desligar ou perdoar pecados, não acontecem automaticamente, pela mera expressão de uma fórmula, mas é feito somente através de Cristo trabalhando por meio de vasos escolhidos, quando, onde e como Lhe agrada.
Nenhuma dessas promessas era cumprida automaticamente, sob a direção única de Pedro ou qualquer um dos outros apóstolos. Nem são concedidas instantaneamente a um membro da Igreja Católica Romana ou de qualquer hierarquia religiosa. Esses dogmas falsos têm posto aqueles que acreditam neles sob o poder de Roma, levando-os a procurar num sacerdote aquilo que é a herança de todo discípulo verdadeiro de Cristo.

Os Tiranos do Passado e o Magistério de Hoje

O grande apóstolo Paulo escreveu que desde que os governantes civis não ordenem algo contrário à vontade Deus, todo cristão, inclusive os próprios apóstolos, devem obedecer suas ordens (Romanos 13.1-7). Devemos orar “pelos reis e por todos os que estãoinvestidos de autoridade” (1 Timóteo 2.1-3). Todos os cristãos devem estar sujeitos “aos que governam, às autoridades...” (Tito 3.1).

A submissão total que Roma exige tem sido expressa por muitos papas, mas nenhum deles as expressou mais claramente do que Nicolau I (858-867).
Paulo escreveu aos cristãos: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei como soberano, quer às autoridades como enviadas por ele...” (1 Pedro 3.13-14). Os papas ensinaram exatamente o contrário: que eles eram os supremos soberanos e que somente suas leis deveriam ser obedecidas, inclusive pelos reis. A submissão total que Roma exige tem sido expressa por muitos papas, mas nenhum deles as expressou mais claramente do que Nicolau I (858-867):
É evidente que os papas não podem estar ligados nem tampouco sujeitos aos poderes terrenos, nem mesmo aos do apóstolo [Pedro], se ele voltasse à terra; desde que Constantino, o Grande, reconheceu que os pontífices representam o poder de Deus na terra, a divindade não pode ser julgada por nenhum homem. Somos, portanto, infalíveis, e quaisquer que sejam nossos atos, não precisamos prestar contas deles a ninguém mais do que a nós mesmos.[5]
Fica claro, tanto na história como nos dogmas oficias da Igreja ainda vigentes, que Nicolau não estava expressando apenas o seu fanatismo, mas a visão de todos os papas, que acabou se tornando a doutrina católica. Conforme o Vaticano II, a ninguém é permitido sequer questionar o Magistério em assuntos de fé e moral. Somente a hierarquia pode interpretar a Bíblia, e os fiéis devem aceitar essa interpretação como se fosse vinda do próprio Deus. Todos devem obedecer ao papa, mesmo quando ele não fala ex catedra. Tais exigências de fé cega são vestígios atuais da atuação tirânica dos papas através dos séculos.

O Fracasso do “Primeiro Papa”

Se as palavras de Cristo a Pedro em Mateus 16.18 fizeram dele o primeiro papa infalível, então temos outro problema sério. As palavras seguintes na boca de Pedro negam o cerne do Evangelho cristão ao declarar que Cristo não precisava ir até a cruz: “...Tem compaixão de ti, Senhor; isso [a morte na cruz] de modo algum te acontecerá” (Mateus 16.22). Ao que o Senhor respondeu imediatamente: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das obras dos homens” (Mateus 16.23). Esta foi a primeira declaração ex catedra de Pedro a toda a Igreja (conforme registra a Bíblia) em matéria de fé e moral (ela tem a ver com o meio de salvação) – e não era infalível, mas pura heresia!
No próximo capítulo Pedro comete um erro sério, com outro pronunciamento herético. Ele coloca Cristo no mesmo nível de Moisés e Elias: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias” (Mateus 17.4).Desta vez é o próprio Deus quem censura, do céu, o “novo papa”: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo; a ele ouvi” (v. 5).
Mais tarde, temendo por sua vida, Pedro nega, pragueja e jura não conhecer Jesus – novamente uma declaração de “fé e moral” a toda a Igreja que nega o próprio Cristo. Mesmo se os papas fossem seus sucessores, Pedro dificilmente poderia ter-lhes passado uma infalibilidade que, obviamente, não possuía.

Base Bíblica para a Infalibilidade?

Hans Küng, teólogo católico contemporâneo, disse: “A principal prova citada pelo Vaticano I para a infalibilidade papal, Lucas 22.32 (“Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça”), jamais foi usada, nem mesmo pelos canonistas medievais, para documentar esse dogma – o que é correto. Nessa passagem Jesus não prometeu a Pedro que este não erraria mais, porém deu-lhe a graça de perseverar na fé até o fim”.[6] Von Dollinger concorda plenamente:
Todos conhecem a clássica passagem da Escritura sobre a qual o edifício da infalibilidade papal tem se escorado “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça, tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lucas 22.32). Essas palavras referem-se especificamente a Pedro, à sua negação de Cristo e sua conversão...
É totalmente contrário ao sentido original da passagem... encontrar nela uma promessa de infalibilidade futura a uma sucessão de papas... Até o final do século XVII nenhum escritor sonharia com tal interpretação; todos eles, sem exceção – num total de 18 – explicam-na apenas como uma oração de Cristo para que o seu apóstolo não sucumbisse e perdesse inteiramente a sua fé na prova que teria de enfrentar em breve.[7]
Muitos outros eminentes historiadores e teólogos católicos poderiam ser citados do mesmo modo. Peter de Rosa acrescenta sua própria visão:
De acordo com os Pais [da Igreja], Pedro não tinha sucessor algum. Eles viam todos os bispos como sucessores dos apóstolos, não um bispo sucedendo um apóstolo apenas, neste caso, Pedro. Logo, eles não poderiam sequer ter aceito a alegação de que “o sucessor de Pedro” deveria dirigir a Sé em Roma.
Também já vimos que todas as declarações de doutrina, especialmente os credos, não vieram dos papas, mas dos concílios. Nos primeiros séculos jamais ocorreu aos bispos de Roma que eles pudessem definir doutrinas para toda a Igreja.[8]

Pedras Instáveis

Depois de ter prometido a Cristo na última ceia que preferia morrer a negá-lo, Pedro fez exatamente o contrário. “Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem!” (Mateus 26.74). Essa é uma negação completa do próprio Cristo e do cristianismo como um todo. Pedro era uma “pedra” muito instável para Cristo ter construído sobre ele a sua Igreja! Porém seus supostos sucessores foram culpados de coisas ainda piores.
Já mencionamos uma porção deles. Consideremos brevemente mais um exemplo: o papa Júlio II (1503-1513), sifilítico e infame mulherengo, pai de inúmeros bastardos. Ele comprou sua posição no papado. Durante a Quaresma, enquanto os bons católicos faziam dietas rigorosas, ele se deleitava com ricas iguarias. Usando sua armadura, Júlio muitas vezes conduziu pessoalmente seus exércitos para a conquista de cidades e territórios, com o objetivo de expandir os Estados papais. Como poderia ser ele o vigário de Cristo, que afirmou que o Seu reino não era deste mundo e que por isso os Seus súditos não lutariam? Dizer tal coisa é zombar de Cristo e de Seus ensinos.

Sucessores de Imperadores

Lembre-se que nos primeiros tempos da Igreja a infalibilidade não era atribuída ao bispo de Roma, mas ao seu superior, o imperador. O papa Leão I (440-461), por exemplo, concedeu a um imperador incrédulo a mesma infalibilidade que Pio IX persuadiu os membros do Vaticano I a declararem ter sido sempre o poder exclusivo dos papas. Leão I disse: “Pela inspiração do Espírito Santo o imperador não necessita de instrução humana e é incapaz de cometer erros doutrinários”.[9]
O rasgado louvor que transcrevemos a seguir soa como aquele que hoje é dado aos papas, mas trata-se de um discurso de Eusébio, honrando o imperador pagão Constantino depois que este assumiu a liderança da Igreja:
Deixemos, então, que apenas o Imperador... seja declarado digno... livre... estando acima da sede de riquezas, superior ao desejo sexual... que dominou as paixões que sobrecarregam o restante dos homens; cujo caráter é formado conforme o original divino do Supremo Soberano, e cuja mente reflete, como num espelho, a radiação de Suas virtudes. Além disso, o nosso imperador é perfeito em prudência, bondade, justiça, coragem, piedade, devoção a Deus...”[10]
Esse louvor era apenas para o imperador, que o colocava acima do bispo de Roma, o qual lhe era subordinado. Assim, Constantino chamou a si mesmo “bispo dos bispos”. Hoje os papas que ostentam os títulos de Constantino e desfrutam de suas regalias são seus legítimos sucessores e não os sucessores de Pedro. O historiador Will Durant mostra que “durante a duração de seu reinado, ele [Constantino] tratava seus bispos como auxiliares políticos; os convocava, presidia seus Concílios e concordava em apoiar qualquer opinião que a sua maioria formulasse”.[11]
A doutrina nada significava para Constantino – apenas que os bispos deveriam concordar com ele pelo bem da unidade imperial. Peter de Rosa cita um bispo do século IV: “A Igreja [naquele tempo] fazia parte do Estado”. Ele continua explicando:
Mesmo o bispo de Roma – que não foi chamado de “papa” por muitos séculos – era, em comparação [com Constantino], uma pessoa sem importância. Em termos civis, era um vassalo do imperador; em termos espirituais, quando comparado a Constantino, era um bispo de segunda classe...
Não o papa, mas ele [Constantino], assim como Carlos Magno mais tarde, era o cabeça da Igreja, sua fonte de unidade, diante de quem o bispo de Roma tinha de se prostrar e declarar lealdade. Todos os bispos concordavam que ele [o Imperador] era o “oráculo inspirado da sabedoria da Igreja”.
Portanto, era Constantino e não o bispo de Roma quem ditava o tempo e o local dos sínodos da Igreja e até mesmo estipulava como os votos seriam dados. Sem a sua aprovação, eles não seriam legalizados; ele era o único legislador do Império.[12]

A Herança Pagã do Papado


A idéia de um Concílio da Igreja foi inventada por Constantino, o qual, apesar de sua professa “conversão” a Cristo, continuou sendo pagão.
A idéia de um Concílio da Igreja foi inventada por Constantino, o qual, apesar de sua professa “conversão” a Cristo, continuou sendo pagão. Ele jamais renunciou à sua lealdade aos deuses pagãos, jamais aboliu o altar pagão de Vitória, no Senado, nem o das virgens Vestais; e o deus-Sol, não Cristo, continuou a ser honrado nas moedas imperiais. Ele só foi batizado pouco antes de sua morte, e mesmo assim, por Eusébio, um sacerdote ariano herege. Durant nos revela que durante toda sua vida “cristã” Constantino usava tanto os ritos pagãos como os cristãos e continuava a confiar em “fórmulas mágicas para proteger as colheitas e curar doenças”.[13]
O fato de Constantino ter assassinado todos os que pleiteavam o seu trono [notoriamente seu filho Crispo, um sobrinho e um cunhado] é uma evidência ainda maior que sua “conversão” ao cristianismo era, como têm sugerido os historiadores, uma astuta manobra política. O historiador e padre católico Philip Hughes nos lembra: “Em seus atos, ele [Constantino] permaneceu sendo até o final de sua vida o mesmo pagão de sempre. Seus ataques de fúria, a crueldade que, uma vez despertada, não poupava nem a vida de suas esposas e filhos, são... um desagradável testemunho da imperfeição de sua conversão”.[14]
Os três filhos “cristãos” de Constantino (Constantino II, Constâncio II e Constanço), asseguraram, após a morte de seu pai, a posse de suas regiões separadas do império depois de um massacre implacável da família. Eles conseguiram levar a “cristianização” do Império a um patamar ainda maior. Foram eles, (e não Pedro) os antecessores dos papas da atualidade.
Como já foi dito, Constantino convocou, estabeleceu o que seria discutido, fez o discurso de abertura e desempenhou um papel proeminente no primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, o Concílio de Nicéia, e também em uma porção de concílios, assim como faria Carlos Magno, 500 anos depois. Tendo em vista que os imperadores convocavam os concílios, não é de admirar que nenhum dos que foram realizados nos primeiros 1000 anos tenha reconhecido o bispo de Roma como cabeça da Igreja.
Cristo exemplificou a humildade e serviço aos outros. Ele disse aos Seus discípulos: “Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve” (Lucas 22.25-26). Esquecendo essa admoestação, os papas imitaram os imperadores pagãos, de quem herdaram sua posição e poder.
Cristo também condenou a posição autoritária exercida pelos rabinos em Seus dias. Suas palavras aos líderes da religião judaica são deveras apropriadas à hierarquia católica romana:
Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus...
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia... por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mateus 23.6-9; 27-28). (Dave Hunt - http://www.chamada.com.br)
Dave Hunt (1926-2013). Devido a suas profundas pesquisas e sua experiência em áreas como profecias, misticismo oriental, fenômenos psíquicos, seitas e ocultismo, realizou muitas conferências nos EUA e em outros países. Também foi entrevistado freqüentemente no rádio e na televisão. Começou a escrever em tempo integral após trabalhar por 20 anos como consultor em Administração e na direção de várias empresas. Dave Hunt escreveu mais de 20 livros, que foram traduzidos para dezenas de idiomas, com impressão total acima dos 4.000.000 de exemplares.

Fonte: 
http://camposesantos.blogspot.pt/2013/07/o-papam-tem-as-chaves-do-ceu.html

A SANTA INQUISIÇÃO


13/10/2013

O que a Igreja Católica diz sobre a Lei e o Sábado?


Introdução:

Faremos na introdução uma síntese de algumas das principais questões que serão feitas aos católicos. Vejamos agora resumidamente como as autoridades católicas respondem a essas questões:
—> Existe diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?
 Sim, ensinamos a divisão em Moral, Cerimonial e Judicial.
—> A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, estão vigentes para o cristão?
 Sim, pois são eternos.
 —> Há razões para santificarmos o sábado?
 Sim, há vários motivos.
  —> Que poder arroga autoridade para mudar a Lei de Deus?
 O papado.
   —> Que mandamento da Lei de Deus o papado cuidou em mudar?
 Especificamente o quarto mandamento.
  —> A Igreja Católica reconhece haver mudado o sábado?
 Sim, reconhecemos.
—> As autoridades católicas reconhecem não haver fundamento bíblico para a santificação do domingo?
 Sim, reconhecemos não haver base bíblica.
—> O papado roga o domingo como marca ou sinal de sua autoridade eclesiástica e instituição exclusivamente católica?
 Sim, a instituição dominical deveria ser de exclusividade católica.
—> O que dizem os católicos quanto à observância do domingo pelos protestantes?
 Se os protestantes seguissem a Bíblia, deveriam se tornar adventistas do sétimo dia. Ao santificarem o domingo, estão reconhecendo nossa soberania e autoridade eclesiástica sobre a cristandade.

Não sou eu quem diz isso, o que está escrito a preto é uma síntese do que é declarado explicitamente em documentos oficiais da Igreja Católica, os quais veremos a seguir em pormenor.

QUESTÕES AOS CATÓLICOS

1) O que é a Lei de Deus? O que são os Dez Mandamentos?
O Pe. Fernando Bastos de Ávila, SJ, é quem fica responsável por esta resposta. Vejamos o que diz:
“DECÁLOGO. Do grego ‘deka’ dez ‘logos’ razão, sentença. É o conjunto dos Dez Mandamentos da Lei de Deus que, segundo a tradição bíblica, foram comunicados por Jeová a Moisés, no Monte Sinai, esculpidos em pedra, que os israelitas conservaram na Arca da Aliança. Ele é a explicitação mais essencial à lei natural. (…) o Decálogo é a síntese mais perfeita de toda a experiência moral e religiosa da humanidade. É o código mais simples e mais fundamental sobre o qual, em última análise, repousam todas as legislações que regulam o comportamento humano.” — Em “Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo”, p. 170.

Muitas pessoas pensam que o Decálogo foi dado apenas ao povo de Israel, lá no Monte Sinai, e que não serve mais para o povo de Deus, na atualidade. O que podemos pensar disso? Quem vai responder isso é o famoso “Dicionário Enciclopédico da Bíblia”, organizado pelo Dr. A. Van Den Born, e publicado pela “Editora Vozes Ltda”. (católica). Ele diz:

“O dom da lei de Deus, porém, e particularmente o do decálogo não era destinado apenas para o Israel segundo a carne, mas também para o ‘novo Israel’, que é a Igreja de Cristo. Por isso o decálogo é várias vezes citado no Novo Testamento por Jesus e pelos apóstolos.” — Coluna 363.

Outra vez, a contribuição do Pe. Júlio Maria, no mesmo livro:
“Deus escreveu os mandamentos em duas pedras como no-lo indica a Bíblia. (…) Na primeira pedra estavam escritos os mandamentos que indicam os nossos deveres para com Deus… e na segunda, estavam escritos os nossos deveres para com os homens. (…) Os mandamentos da lei de Deus encontram-se no Êxodo e no Deuteronómio (5:6-21).” — Op. cit., p. 86 e 95.

Muito esclarecedor este texto acima!
—> Deus escreveu em tábuas de pedra, os Dez Mandamentos;
—> A primeira tábua tem os deveres do homem para com Deus; isto é, o “amar a Deus sobre todas as coisas”;
—> A segunda tábua tem os deveres do homem para com o homem; isto é, “amar o próximo como a si mesmo”;
—> Os Dez Mandamentos se encontram, nas Sagradas Escrituras, nos livros de Êxodo (capítulo 20) e de Deuteronómio (capítulo 5).

Conforme foi visto acima, esses teólogos e autoridades da Igreja Católica têm a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, numa alta estima.

2) Existe diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?
Às vezes, encontramos, nas Escrituras Sagradas, algumas afirmações que parecem se contradizer. Uma hora ela fala que a lei é eterna e não pode ser abolida; outra hora, que a lei passou. A que se deve essa aparente confusão? Vamos atentar para o que escreveu o Pe. Júlio Maria, esclarecendo o problema:

“Os preceitos do Antigo Testamento dividem-se em três géneros:
“1o. Os preceitos morais, que prescrevem aos homens os seus deveres para com Deus e para com o próximo.
“2o. Os preceitos cerimoniais, que indicam os ritos exteriores e as cerimónias que os judeus deviam seguir no culto divino.
“3o. Os preceitos judiciais, que determinam o modo de administrar a justiça ao povo.
“Destes três géneros de preceitos, só o primeiro fica em pé, integralmente; os outros preceitos só têm o valor que lhes comunica a palavra de Jesus Cristo.
“A lei antiga, na sua parte cerimonial, era apenas uma figura da nova lei, e é por isto que cessou, desde que foi promulgada a lei nova.” — Em “Ataques Protestantes”, p. 96–97.

De tudo que está registado, fica mais do que claro que esses documentos confessionais cristãos históricos, além de mestres de outras confissões, admitem que existam pelo menos duas leis, dentre outras, das quais fala a Escritura Sagrada:
—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.
 Os preceitos morais permanecem; os cerimoniais, eram uma figura, “sombra dos bens futuros”, e foram substituídos pela Realidade: Cristo; e os judiciais, só existiram enquanto havia a nação de Israel como uma teocracia (governada por Deus)! E os dez mandamentos morais tratam do amor a deus e do amor ao próximo.

3) A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, estão vigentes para o cristão?
Quem responde a esta pergunta é o Frei Leopoldo Pires Martins, OFM, no “Catecismo Romano”, onde lemos:

“Dentre as razões que movem o coração do homem a cumprir os preceitos do Decálogo, sobressai, como o mais eficiente, o fato de ser Deus o autor dessa mesma lei. (…) Estava essa luz divina quase ofuscada por maus costumes e vícios inveterados entre os homens. Todavia, pela promulgação da Lei de Moisés, Deus não trouxe uma luz nova, mas deu antes maior fulgor à primitiva. É preciso explicar assim, para que o povo não se julgue livre do Decálogo, quando ouve dizer que a Lei de Moisés está abrogada.
“Ainda mais. É absolutamente certo que não devemos cumprir esses preceitos, por ser Moisés que os promulgou, mas por serem inatos em todos os corações, e por terem sido explicados e confirmados por Cristo Nosso Senhor.” — P. 399–400.

Aí está! Não só a “Santa Madre Igreja” crê que o Decálogo está em vigor, mas incentiva a todos os fiéis para obedecê-los.

Também o já citado Padre Júlio Maria adiciona mais alguma coisa ao que foi lido.
“Os mandamentos, com o ensino moral, são eternos porque são a expressão da lei natural; e por isso Jesus Cristo não pode suprimi-los.” — Op. cit., p. 98.

Também podemos encontrar a resposta a esta questão no “Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã”, que diz o seguinte:
“Sim. Somos obrigados a observar os mandamentos da lei de Deus, pois devemos respeitar a ordem que o Pai Celeste quis dar ao mundo. Basta pecar gravemente contra um só deles para merecermos o inferno.” — P. 33–34

Depois de mostrarmos o pensamento no próprio catecismo católico, precisaríamos citar mais alguma fonte para provar que todos os Dez Mandamentos permanecem vigentes para os cristãos, segundo o ensinamento oficial da Igreja Católica?

4) Há razões para santificarmos o sábado?
Outra vez, convidamos o Frei Leopoldo Pires Martins, OFM, para responder:
“Este Preceito do Decálogo regula o culto externo, que devemos a Deus. (…) Ora, como esse dever não pode ser facilmente cumprido, enquanto nos deixamos absorver por negócios e interesses humanos, foi marcado um tempo fixo, para que se possam comodamente satisfazer as obrigações do culto externo. (…)
“O quanto aproveita aos fiéis respeitar este Preceito, transparece do fato de que sua exata observância induz, mais facilmente, os fiéis a guardarem os outros Preceitos do Decálogo.” — Em “Catecismo Romano”, p. 434–435.

O Frei Leopoldo responde, com muita propriedade, que o mandamento do sábado rege o culto, e que os fiéis tornam-se mais fiéis a Deus, quando praticam esse mandamento específico.

“O sábado era um dia sagrado, que seria profanado pelo trabalho (Eze. 22:18). Conforme Êxodo 20:8-11 e 31:17 (mais um passo adiante) a santidade do sábado era 
uma santidade objetiva, devido à bênção de Deus, que no 7º dia ‘descansou’ da Sua obra, a criação, pensamento esse que foi largamente elaborado em Gén. 1:1-2:4a”. — Em “Dicionário Enciclopédico da Bíblia”, coluna 1340.

Outra contribuição bastante proveitosa de John Mckenzie:
“O sábado é profanado pelo exercício do comércio, e Neemias fechava os portões de Jerusalém no sábado para impedir o comércio (Nee. 13:15-22). Carregar cargas viola o sábado (Jer. 17:21–27…) .” — Em “Dicionário Bíblico”, p. 810.

Indiscutivelmente, todas essas autoridades e documentos religiosos católicos não concordam com a visão

22/07/2013

PESQUISA BÍBLICA E TRADIÇÃO


Apocalipse 22:18-19

 ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NO CRISTIANISMO NÃO AUTORIZADAS PELA BÍBLIA
Quando a Bíblia fala da unidade da Igreja, fá-lo não à custa da verdade, mas com base nela.

ÍNDICE:
1-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  336 – 538 AD
2-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  993 – 1075 AD
3-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  1090 – 1190 A
4-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  1213 – 1215 AD.
5-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  1226 – 1311
6-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  1414 – 1545 AD.
7-      ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE 1854 – 1870
8-      REFLEXÕES

1- ALTERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE 336 – 538 AD.

336 AD – Observância do domingo em vez do Sábado: Isto foi determinado pelo Concílio de Laodicéia, reunido neste ano, como confirmação religiosa da mudança feita por Constantino, em 7 de Março de 321 AD.
*O que diz Bíblia  a esse respeito?
Êxodo 20:8-11
Mateus 5:17-19

538 AD – Estabelecimento do papado: Este assunto, que tinha sido motivo de muitas controvérsias, foi finalmente decidido neste ano, quando Justiniano, imperador romano, proclamou o bispo de Roma “Bispo dos bispos e Chefe da igreja universal”.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Hebreus 4:14-15
II Tessalonicenses 2:3-4

2 – ATERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE  993 – 1075 AD.

993 AD – Primeiro caso de canonização de um santo: Foi realizado em Roma, neste ano.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Romanos 3:23
Marcos 10:18

1022 AD – A penitência: Deu-se-lhe um carácter legal no concílio de Worms, reunido nesse ano, embora o papa Victor II fosso o primeiro que a autorizou.
*O que a Bíblia diz a esse respeito?
Romanos 6:23
João 3:16

1070 AD – Declarada a infalibilidade da igreja:
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Job 9:20
Salmo 119:96

1075 AD – O celibato dos sacerdotes: Foi decretado no Concílio de Barcelona, em 1068, mas foi promulgado por Gregório VII neste ano. Os clérigos casados foram obrigados a divorciarem-se das suas esposas no Primeiro Concílio de Latrão, no ano de 1123, segundo o cânon XXI. (Antes os sacerdotes e papas eram casados)
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
I Timóteo 4:1,3
I Timóteo 3:2-5

3- ALTERAÇÕES FEITAS À FÉ BÍBLICA ENTRE 1090 – 1190 AD.

1090 AD – O uso do rosário: Foi inventado por Pedro, o eremita, e o seu uso generalizou-se com a pregação de Domingos de Guzmão.
O que diz a Bíblia a esse respeito?
Mateus 6:7-9

1100 AD – A missa é instituída: É nesta altura que começa também o pagamento pela realização de serviços religiosos.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Hebreus 9:28
Romanos 3:24
Efésios 2:8

1190 AD – As indulgências: Há dois tipos de indulgências: as plenas ou totais, e as parciais. As primeiras consistem na remissão de todos os castigos respeitantes ao pecado, de modo que não é necessária outra expiação no purgatório. As indulgências parciais eliminam apenas uma parte das penas.
O que diz a Bíblia a esse respeito?
 I João 1:9
Isaías 1:18
Só Deus pode perdoar pecados. E não há “indulgências” pelo pecado. Só Jesus Cristo se nos oferece gratuitamente.

4- ALTERAÇÕES FEITAS À FÉ BÍBLICA ENTRE 1213 – 1215 AD.

1213 AD – A inquisição: Consiste em juízos de tormento para todos os que não aceitavam os ensinos papais, juntamente com a pena de morte por heresia. Foi estabelecida pelo próprio papa, neste ano, e foi, em seguida, confirmada por Inocêncio IV na sua bula “Ad Extirpanda”, do dia 15 de Maio de 1252. Foi ratificada pelo papa Alexandre IV no dia 30 de Novembro de 1259, e por Clemente IV a 2 de Novembro de 1265.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Josué 24:15
O próprio Deus não obriga ninguém a servi-Lo. Mal faria o homem se tentasse impôr tal coisa:
Êxodo 20:13
Ninguém tem o direito  a tirar a vida de nutrem:
Marcos 12:31
O amor pelo meu próximo não me leva de modo nenhum a torturá-lo:
Mateus 5:44
Esse é o verdadeiro espírito cristão

1215 AD – O baptismo de crianças:
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
 Lucas 3:21-23
João 13:15

1215 AD – A transubstanciação: Foi declarada dogma pelo Concílio de Latrão, sessão XIII, e está registada no Cânon 4.º.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
I Corintios 11:24,25
A Bíblia Sagrada fala de um memorial, de uma recordação, e não de uma transusbstanciação do corpo e sangue no pão e no vinho.

1215 AD – A confissão auricular: É  feita pelo crente ao sacerdote, e é este que dá o perdão.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Mateus 11:28
1ª João 1:7-9
Hebreus 4:15

5- ATERAÇÕES FEITAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE 1226 – 1311 AD.

1226 AD – A adoração da hóstia: Esta prática foi começada pelo bispo Pedro de Corbie, ao celebrar a vitória de Luís VII sobre os albigenses. Em seguida foi aprovada pelo próprio papa.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Êxodo 20:4-5

1229 AD – Proibição da leitura da Bíblia: O Sínodo de Tolosa pôs a Bíblia no Índex Librorum Prohibitrum, a lista  dos livros que eram proibidos aos fiéis.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
João 5:39
II Timóteo 3:16-17

1226-74 AD – O limbo: Foi idealizado por Tomás de Aquino, que viveu nesta época.

*O que diz a Bíblia a esse respeito? Nem sequer lhe faz referência! Não existe qualquer base bíblica para esta doutrina.

1311 AD – O baptismo por imersão é substituído pela aspersão: Foi tomada esta decisão no Concílio de Ravena, neste ano. Antes, durante alguns séculos, a aspersão foi usada no caso de doentes graves, e era conhecida como “o baptismo clínico”.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
João 3:23
Cristo foi baptizado nesse lugar porque havia muita água;
Mateus 3:16;
Jesus foi baptizado por imersão;
João 13:15

6- ALTERAÇÕES Á FÉ BÍBLICA INTRODUZIDAS ENTRE 1414 – 1545 AD.

1414 AD – É negada aos leigos a participação no cálice, na celebração da Comunhão: Foi no Concílio de Constança, reunido nesse ano, que foi tomada esta decisão.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Mateus 26:27

1439 AD – A ideia do Purgatório passa a ser considerada doutrina: Isto aconteceu no Concílio de Florença. A ideia já vinha do ano 593, aproximadamente.
*O que diz a Bíblia a esse respeito? Nem sequer lhe faz referência! Não existe qualquer base bíblica para esta doutrina.

1545 AD – Dá-se à tradição o mesmo valor que à Bíblia: Isto foi decidido na quarta sessão do Concílio de Trento, que durou até 1563.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
 Mateus 15:3,6-9

7 – ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS Á FÉ BÍBLICA ENTRE 1854 – 1870 AD.

1854 AD – A adoração da Virgem: O culto em si, tinha começado no ano 600 AD, mas foi neste ano que o papa Pio IX proclamou e definiu o “novo dogma” da Imaculada Conceição da Virgem. Na Encíclica “Lux Veritatis”, promulgada no natal de 1931, decretou-se que todo o bom católico tem que crer na Virgem como mediadora e intercessora ante Deus, e ao mesmo tempo pediu-se aos protestantes que se unam aos católicos no culto a Maria.
*O que diz a Bíblia a esse respeito?
Êxodo 20:4-5
Hebreus 4:15-16
I Timóteo 2:5

1870 AD – A infalibilidade papal: Foi decretada no Concílio celebrado em Roma, no dia 13 de Julho deste ano.
*O que diz a Bíblia a esse respeito? Na verdade, só Deus é infalível.
I João 1:8
Romanos 3:9-10,23

8 – REFLEXÃO
Depois desta breve focagem sobre algumas das muitas alterações que foram feitas à doutrina de Jesus Cristo. Façamos uma pergunta, que diz a Bíblia a respeito de mudar, alterar, tirar ou acrescentar qualquer coisa às doutrinas ensinadas na Bíblia ?

Apocalipse 22:18-19

Prezado amigo, conhece alguma Igreja que não tenha mudado nem um “jota ou um til” da Bíblia e que viva os Santos princípios como os viveu a Igreja fundada por Jesus, que se chamou a Igreja dos Apostólica ?

Se não conhece, ela encontra-se identificada:
Apocalipse 14:12

Isaías 8:14

São Mateus 5:15-17

É tempo de voltar à Bíblia, nela assenta a fé dos Apóstolos e nela deve basear-se a Fé da Igreja de Deus nos últimos dias. Para quê esperar?

Estude com atenção os SEMINÁRIOS apresentados neste Site.

Assista às Conferências PAZ PARA VIVER.

A DIVISÃO É MELHOR DO QUE A CONCORDÂNCIA NO ERRO.

13/06/2013

QUEM FOI O PRIMEIRO PAPA?


Do primeiro papa até Zefirino: 217 d.C.

 
O primeiro bispo de Roma de que se tem certeza foi Lino, que morreu por volta do ano 67 d.C. depois de ter escrito, segundo o historiador Platino, algo referente à luta de São Pedro com Simão Mago.
Em seguida veio Anacleto, ou Cleto, como alguns preferem, que cuidou dos fiéis romanos por seis anos. Parece que foi ele que dividiu Roma em "títuli" ou paróquias, ordenando os primeiros sete diáconos. Parece que morreu em 71: uns dizem como mártir, outros o negam.
Veio em seguida a Clemente, de quem já falamos bastante nos artigos passados quanto às suas ideias sobre a constituição do cristianismo.
Pouco se sabe da vida dele. Parece que morreu mártir. Assim afirmam Rufino e o bispo Zósimo, embora Eusébio e Gerónimo o neguem. Ireneu deixou escrito que o primeiro bispo romano mártir foi Telésforo.
Por aí o leitor vê a dificuldade de encontrar a verdade histórica desses primeiros séculos. Clemente morreu em 101, quando era imperador Trajano. Sucedeu-lhe Evaristo (101-109) que o "Liber Pontificalis" chama de mártir na perseguição de Trajano. Ordenou seis padres, cinco bispos e dois diáconos.
Então foi eleito Alexandre (109-116). O cardeal Barônio, na sua "Cronologia", coloca a eleição de Alexandre no ano de 121 enquanto a Enciclopédia Mirador o coloca no ano de 109. Alguns autores dizem que o imperador Adriano deu liberdade ao culto cristão, na época do bispo Alexandre.
Como isto foi possível é difícil de explicar, já que Adriano reinou de 117 até 138... Nenhuma cronologia destes primeiros séculos combina! O "Liber Pontificalis" diz que morreu mártir; Sto. Ireneu diz que morreu normalmente em sua cama.
A importância deste bispo romano é ter inventado o ritual da água benta para afugentar o demónio; do pão ázimo e do vinho com água para o ritual da missa.
Mas o cardeal Barônio diz que a água benta, por ser um ritual muito santo, só podia ser inventada pelos apóstolos. E, no entanto, do ponto de vista histórico nós sabemos que a água benta é um antigo ritual pagão dos velhos romanos.
 
Sucedeu-lhe Xisto (117-126). Pouco e muito confuso é o que sabemos dele. Parece que instituiu a Quaresma. Foram-lhe atribuídas duas decretais que começam assim: "Xisto, bispo universal da Igreja apostólica, a todos os bispos, saúde em Deus nosso Senhor; etc."
Mas os historiadores Marino e Baluze provaram tratar-se de documentos apócrifos, forjados séculos mais tarde, para fundamentar a ideologia do poder do bispo de Roma.
Até o historiador padre Pagi afirma tratar-se de documentos falsos pois esse título de "bispo universal" nunca foi usado nos primeiros séculos. Mais tarde os bispos de Roma irão usar outras metáforas como "servo dos servos de Deus".
Sucedeu-lhe Telésforo (126-136), do qual só sabemos que era grego de nascimento e havia morado num convento desde jovem. Sucedeu-lhe Higino (137-141), também grego de nascimento; era filho de um filósofo cujo nome não sabemos.
Exigiu que cada neófito ao ser batizado fosse apresentado por um padrinho ou madrinha. Nesta época houve grande propagação das ideias gnósticas no meio cristão.
Sucedeu-lhe Pio (141-154), do qual nada se sabe com certeza. As notícias que dele temos são muito contraditórias. Sucedeu-lhe Aniceto (154-166), do qual sabemos que era sírio e teve muitas discussões com o bispo Policarpo, discípulo de João Evangelista quanto à data da Páscoa; pois Policarpo, como todos os orientais, queria que fosse celebrada segundo o calendário judaico.
Mas Aniceto não concordou: foi a primeira violação de um costume adotado pelos apóstolos.
Aniceto teve que combater os carpocracianos, que sustentavam que os homens, mesmo cristãos, podiam e deviam gozar todos os prazeres possíveis; que as mulheres deviam pertencer a todos os homens; que não havia ressurreição da carne; que Jesus não passava de mito.
Foi nesta época que os eclesiásticos tiveram que refazer o evangelho original de Marcos porque estes carpocracianos se baseavam em trechos ambíguos deste evangelho (veja meu artigo n° 444, de 21/11/95).
Aniceto foi o primeiro que exigiu dos padres romanos a tonsura, no alto da cabeça, em forma de coroa.
Sucedeu-lhe Sotero (166-175) que, segundo a tradição, exigiu que os recém-casados depois da cerimónia civil fossem tomar a bênção do bispo. É tradição mas não é certo. Provavelmente a bênção do bispo é uma invenção do século XI para salientar o poder eclesiástico.
Note o leitor que se trata de bênção, só. A presença do padre será uma exigência do concilio de Trento, quando se chegará ao absurdo de dizer que o casamento cristão é válido só quando realizado na presença de um eclesiástico autorizado pelo bispo.
Sucedeu-lhe Eleutério (175-189). Nesta época era bispo em Alexandria o célebre Clemente, que escreveu "Strómata", um pequeno tratado de Filosofia Cristã onde, entre outras observações, podemos ler: "Demócrito e Epicuro olhavam o casamento como a principal origem de todos os males; os estóicos consideravam-no um ato sem importância e os discípulos de Aristóteles como o menor de todos os males. Mas nenhum destes filósofos tinha autoridade para julgar ou para apreciar o casamento porque todos se davam às práticas de sodomia."
"Na religião cristã o casamento é uma instituição moral. Ordena-se a conformação do nosso corpo e o mesmo Deus que disse: crescei e multiplicai-vos. (...) O casamento é o germe da família que é a pedra fundamental da sociedade; e os sacerdotes cristãos devem ser os primeiros a dar o exemplo, contraindo uniões sagradas".
"Os nicolaítas e os discípulos de Carpocrates e de seu filho Epifânio pregaram a comunidade das mulheres e cometeram um grande crime perante Deus; são contudo menos culpados dos que renunciam às doçuras do casamento para não aumentar o número dos filhos da humanidade."
"Igualmente condenáveis são os que pretendem que as relações sexuais nos desviam da oração, como é de se condenar Júlio Cassiano que por ódio à reprodução da humanidade chegou a afirmar que Cristo nunca teve mais que as aparências dos Órgãos viris. (...)"
"Todos esses insensatos recusam-se obstinadamente a seguirem os exemplos dos apóstolos São Pedro e São Paulo, que eram casados e coabitavam com suas mulheres e tinham numerosos filhos"... (Não é interessante este trecho escrito cerca de 100 anos após a morte de Pedro e de Paulo?).
Ao bispo Eleutério sucedeu Vitor (189-199), que era natural da África e suscitou novamente a discussão da data da festa da Páscoa escrevendo veementes cartas a todos os bispos do Oriente próximo, ameaçando excomungar quem não aceitasse seu ponto de vista.
Mas esses bispos orientais reagiram com palavras duras pedindo-lhe que ficasse quieto na sua cidade de Roma. Até Sto. Ireneu lhe enviou uma carta, em nome dos cristãos da Gallia, censurando-o por ter mexido na data da Páscoa.
Sucedeu-lhe Zefirino (199-217), que por ser natural de Roma se deixou impressionar pelo cargo de bispo da capital do império e pensou ser uma espécie de imperador espiritual, mas na perseguição de Caracallo fugiu para não ser morto.
Reapareceu quando voltou a calmaria e, para fazer esquecer a sua covardia, perseguiu os heréticos e excomungou os montanistas e, com eles, Tertuliano.
Mas nenhum bispo, no Oriente ou no Ocidente, protestou contra aquilo que Tertuliano havia escrito, isto é: "As nossas Igrejas são todas apostólicas e, todas juntas, formam uma só Igreja. Pela comunhão da paz e pelo mútuo tratamento de irmãos e pelos vínculos de hospitalidade que entrelaçam todos os fiéis".
Para Tertuliano não havia nenhum Primado de bispos romanos: eram todos iguais... E o bispo de Roma Zefirino não reagiu e concordou.
Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES
Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.

16/05/2013

Foi São Pedro Bispo em Roma?

Não existem documentos históricos da época que atestem que Pedro foi bispo em Roma
O dogma católico é claro: "É objeto de fé católica que por vontade de Jesus, Pedro devia ter perpetuamente um sucessor no cargo de pastor supremo e este sucessor é o bispo de Roma". (B. Bartmann; "Teologia Dogmática" vol. II; Ed. Paulinas; SP; 1964; pág. 481).
Com efeito, o Concilio Vaticano I decretou isto na sessão 4, C.2. Este decreto inclui um ponto dogmático: que o apóstolo Pedro sempre terá um sucessor; e um ponto histórico: que o bispo de Roma é o sucessor de São Pedro.
Os teólogos [católicos] provam o primeiro ponto pelo fato de que a Igreja de Jesus, sendo eterna, terá eternamente alguém que cuide dela e este só poderá ser o sucessor de São Pedro. Também os teólogos provam o segundo ponto dizendo que Pedro foi bispo em Roma, onde morreu mártir, deixando um outro bispo como seu sucessor.
O primeiro ponto ainda hoje é muito questionado. Os católicos afirmam e os racionalistas negam; ainda mais, dizem que nas palavras de Jesus nunca aparece a suposta figura do sucessor. O que interessa, agora, é saber se realmente Pedro esteve em
Temos quatro escritores que nos relatam que na sua época havia uma tradição que afirmava que Pedro tinha estado em Roma; são eles: Orígenes no III século; Lactâncio e Eusébio, ambos no IV século; Gerónimo, no V século.
 É importante frisar que se trata de historiadores que viveram 300-400 anos depois de São Pedro e que relatam "tradições".
Orígenes (que morreu 187 anos depois da morte de São Pedro) costumava dizer que "Pedro foi crucificado em Roma de cabeça para baixo, a pedido seu" (Eusébio; II; 25. Veja também: Eusébius; "Eclesiastical History"; New York: 1839).
Lactâncio (que morreu 258 anos depois da morte de São Pedro) opina (isto é: acha) que Pedro foi a Roma no tempo do imperador Nero (veja: Lactantius: "De mortibus persecutorum"; 2. Veja também: Lactantius; "Works", em "Ante-Nicene Christian Library"; vols. XXX-II; London; 1881).
Gerónimo (que morreu 353 anos após a morte de São Pedro) diz que Pedro chegou em Roma no ano 42 d.C. (Shot-well J. And Loomis L.; "The see of Peter";Columbia U.P.;1927; pg. 64-65).
Eusébio (que morreu em 340, isto é: cerca de 270 anos após a morte de São Pedro, no começo do III livro da "História Eclesiástica" escreve: "Parece (note-se este "parece"!) que Pedro tenha pregado o evangelho aos judeus da dispersão e por fim foi para Roma, sendo lá crucificado de cabeça para baixo".
E acrescenta algo importantíssimo: "Depois do martírio de Pedro e Paulo, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma".
Então, se Lino foi o primeiro, Pedro era apenas, "visita" e não bispo de Roma!
O historiador Peter De Rosa em seu livro "Vicars of Christ" (London; Bantan Press; 1988) à página 15 diz que segundo vários autores Pedro só teria chegado em Roma nos últimos anos de sua vida e a sua função de bispo não passa de uma lenda; prova disto é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal.
Mas precisava dar vida e força a uma lenda para fundamentar a ideologia do poder, afirmam os racionalistas... É o que veremos mais adiante. O que nos interessa agora é a história de Pedro em Roma.
A arqueóloga romana Margherita Guarducci, professora de Epigrafia e Antigüidades Gregas na Universidade de Roma, que trabalhou junto a outros arqueólogos nas escavações feitas na Basílica de São Pedro para encontrar os restos mortais do apóstolo Pedro, escreveu dois artigos na revista internacional "Trinta dias na Igreja e no mundo", precisamente: fevereiro-1990, pg. 40-45 e agosto-1991, pg. 66-69.
O que vou relatar aqui é o resumo desses dois artigos.
Papa Pio XII "superando o receio e o acanhamento de seus predecessores" ordenou as escavações sob o altar-mor da Basílica de São Pedro. Infelizmente as escavações foram comprometidas pelo uso de ferramentas inadequadas e pela ausência de rigor científico e falta de coesão entre os arqueólogos.
Todavia, o local do túmulo foi encontrado em 1950 e Pio XII deu a notícia ao mundo. Apressadamente. Apressadamente, pois os ossos de Pedro não haviam sido encontrados. As obras pararam.
Dois anos mais tarde, em 1952, a arqueóloga Margherita Guarducci reiniciou as buscas e encontrou no muro do túmulo a inscrição em grego "Petrós ení" (Pedro está aqui); mas os ossos não estavam...
Somente em 1953 foi encontrado, numa caixa de madeira, parte de um esqueleto que examinado por antropólogos revelou pertencer a um só indivíduo de sexo masculino, de cerca de um metro e sessenta e cinco de altura, de constituição robusta e de idade entre 60 e 70 anos. A ossada estava envolvida em precioso manto de púrpura bordado em ouro.
A descoberta provocou toda uma série de contestações dentro e fora da Igreja Católica.
A arqueóloga comunicou oficialmente a descoberta a Paulo VI, que lhe disse: "A senhora não sabe quanta alegria me dá!... Aqueles ossos são como ouro para nós!" E comprometeu-se a dar logo o anúncio numa sessão do Concilio Vaticano II. Mas o anúncio não foi dado.
Certamente foi pressionado a esperar mais, talvez porque isso poderia aborrecer os protestantes, que sempre se pronunciaram contra essa tese.
Finalmente no dia 26 de junho de 1968 Paulo VI anunciou publicamente que os restos mortais de São Pedro haviam sido encontrados debaixo do altar-mor da Basílica de São Pedro. Aos poucos, porém, tudo foi esquecido.
A Santa Sé proibiu que a arqueóloga Margherita Guarducci visitasse os subterrâneos. Dez anos mais tarde, querendo completar seu livro "Pedro no Vaticano" com fotografias tiradas no local, ela soube que não poderia fotografar nada. Recorreu aos cardeais A. Casaroli e J. Ratzinger [atual papa, Bento 16] que queriam ajudá-la; mas não conseguiu nada!
Quando Paulo VI morreu, o silêncio voltou a reinar absoluto sobre as descobertas. 0s guias que acompanham os peregrinos aos subterrâneos não sabem nada ou estão proibidos de falar sobre as descobertas. Alguns até "dizem que a autenticidade dos ossos não foi confirmada" (30 dias, etc; fev. 1990; pg. 45; III Col.)
Então Pedro esteve, ou não, em Roma? A citada revista (que é ultraconservadora) no número de março 1996, pg. 50, escreve: "Todavia enquanto sobre Paulo temos notícias mais precisas (...) quanto à presença de Pedro em Roma não possuímos testemunhas de contemporâneos".
Por isso, acrescenta, "é difícil afirmar quando Pedro chegou em Roma. O certo é que Pedro não ficou ininterruptamente em Roma já que em 49 o encontramos em Jerusalém".
Tudo não passa de "tradição"... disse que disse... Por isso os racionalistas dizem que provavelmente Pedro veio a Roma como "visita", jamais como bispo.
A tradição nasceu numa época que representava o momento melhor na história da Igreja: o imperador Constantino, amigo do papa Silvestre I, bispo de Roma; em seguida: Teodósio e Justiniano.
Era o momento histórico único para colocar as bases da ideologia do poder eclesiástico romano.
Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES
Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.
Comentários do IASD Em Foco
Sabemos que há muitos cristãos sinceros entre os católicos – com os quais o Espírito Santo tem trabalhado e pelos quais temos orado diariamente – e, quando falamos isso, nos referimos tanto aos membros, leigos, como ao clero desta Igreja.
Agora, embora seja bastante difícil e até doloroso admitir isso – como o foi para Martinho Lutero, que era padre e teólogo católico, e para milhões de outros cristãos egressos do catolicismo através dos séculos – toda a base desta Igreja foi construída em cima de imposturas, falsos testemunhos, adulteração dos fatos, mentiras e desvios doutrinários.
Até mesmo quanto à tradicional e arrogante alegação feita pelos líderes e membros de que a Igreja Católica Apostólica Romana é a primeira e única Igreja instituída por nosso Senhor Jesus Cristo, como se pode ver claramente a partir desta criteriosa obra de pesquisa documental do Professor Carlo Bússola, a sua fragilidade e/ou total inconsistência vem à tona com força; ela torna-se evidente e patente, quando confrontada com a pregação, testemunho e estilo de vida dos primeiros (cristãos) seguidores de Cristo.
Nesse sentido, a Bíblia é clara e taxativa: “... aquele que diz que permanece nEle [é cristão], esse deve andar assim como Ele andou” (I João 2:6).
O próprio Cristo torna isso claro ao definir em termos espirituais quem são e como agem, de fato, os Seus verdadeiros irmãos, a Sua verdadeira família, aqui na Terra: “Falava ainda Jesus ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e querem falar-Te. Porém Ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de Meu Pai celeste, esse é Meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:46-50).
Dessa forma, a verdadeira sucessão apostólica é encontrada tão-somente naqueles que vivem e ensinam a doutrina dos apóstolos. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20).

03/05/2013

O Imperador Constantino e Mudanças no Cristianismo

Visão de Constantino - Rafael Sanzio
É o dia 27 de outubro do ano 312 depois de Cristo. Dois exércitos se defrontam às portas de Roma. O primeiro sai dos Muros Aurelianos para posicionar-se ao longo das margens do Tibre, junto a Ponte Milvio. É comandado por Marcos Aurélio Valério Maxêncio. O segundo, que desceu de Trier (na Alemanha) rumo a Roma, se coloca ao longo da via Flaminia. É guiado por Flávio Valério Constantino. Os dois contendores lutam pelo título de Augusto do Ocidente, um dos quatro cargos supremos, na Tetrarquia, o novo sistema de governo do Império, ideado por Diocleciano.
O sol começa a se pôr quando as tropas de Constantino vêem repentinamente surgir no céu um grande sinal luminoso, com uma frase chamejante:  In hoc signo vinces (com este sinal vencerás). Eusébio de Cesareia, o primeiro grande histórico da Igreja recorda o acontecimento com estas palavras: "Um sinal extraordinário aparece no céu. … quando o sol começava a declinar, Constantino vê com os próprios olhos, no céu, mais acima do sol, o troféu de uma cruz de luz sobre a qual estavam traçadas as palavras IN HOC SIGNO VINCES. Foi tomado por um grande estupor e, com ele, todo seu exército." EUSEBIO, Vita Constantini, 37-40.
Constantino é a prova histórica de que o cristianismo primitivo só tinha poder eclesiástico.
O começo da queda do império romano começou com Constantino levando a capital para Bizâncio e os bárbaros invadindo o império.
Depois da abdicação de Diocleciano e Maximiano, Flávio Constâncio Cloro e Galério Maxímino dividiram entre si o império. Constâncio Cloro recuperou a Bretanha, derrotou 60 mil alemães e edificou a cidade de Spira.
Assim dominava a Inglaterra, e a Bretanha até a Dalmácia e às províncias orientais. Era um homem sóbrio e honesto. Gostava dos cristãos que tratava como amigos mesmo quando se recusavam sacrificar aos deuses romanos.
Constâncio Cloro morreu em York tendo antes proclamado imperador e seu sucessor o filho Constantino. Nesta mesma época quem dominava em Roma, na Itália e na África era Maxêncio, um homem de uma avareza insaciável e de uma devassidão e crueldade pior que Nero. Embriagava-se frequentemente e o vinho o tornava louco furioso. Nestas horas mandava mutilar os próprios amigos.
Era evidente que a guerra devia explodir entre Maxêncio e Constantino. Mas houve apenas começo de guerra, pois Maxêncio morreu afogado no Tibre numa armadilha que havia preparado para Constantino. Então, vencido Licínio, marido de sua irmã, Constância, Constantino tornou-se o único senhor do império.
Quem era Constantino? Segundo os cristãos era um santo, uma vez que em 313, no Edito de Milão, havia ordenado por lei que a religião cristã fosse livre e respeitada. Segundo Julíano, o apóstata, era um diabo cheio de orgulho e de ódio.
Na realidade temos que reconhecer-lhe a inteligência, a coragem e a prudência que lhe permitiram ser o senhor de todo o império romano do Ocidente, do Oriente e da África do Norte, por mais de 30 anos! Mas também foi suficientemente cruel e frio quando se tratava de interesses pessoais...
Mandou matar seu filho Crispo pela simples acusação da madrasta. Mandou sufocar no banho sua mulher Fausta. Mandou matar Liciniano, que era inocente dos crimes de Licínio, seu pai. Estes e muitos outros crimes de aparência política, ele os achava necessários para "proteger-se dentro de casa", como dizia...
Mas certo dia, quando estava entrando no templo de Júpiter para oferecer sacrifícios e purificar-se, o grande sacerdote barrou-lhe o caminho dizendo-lhe que os deuses não o perdoavam...
Foi então que alguém lhe fez observar que o batismo cristão perdoa todos os crimes cometidos anteriormente. Anteriormente? Sim, anteriormente!
Foi assim que Constantino resolveu adiar o batismo para o último dia de sua vida, já que outros homicídios políticos estavam previstos... Se isso é história ou lenda, é impossível saber. O que se sabe é que ainda matou gente e no fim da vida pediu o batismo.
Mas um outro fato estava acontecendo: o Oriente próximo estava se tornando a porta de entrada no império para multidões de bárbaros.
Em 254, os Marcomanos invadiram a Panónia e o norte da Itália. Em 255 os godos entravam na Dalmácia e na Macedónia; os citas, na Ásia Menor; os persas, na Síria; em 257 os godos invadiram o Bósforo e entraram no Ponto; em 258 conquistaram a Calcedónia, Nicomedia e Nicéia; em 259 os alemanos invadiram a Itália; em 260 o imperador Valeriano foi preso pelos persas. Os bárbaros haviam-se apercebido da fraqueza de Roma.
Já Roma, com a recusa do perdão dos deuses, não agradava mais Constantino e assim ele resolveu levar a capital do império para Bizâncio que, em 330, transformou numa esplêndida cidade que chamou de Constantinopla ou Nova Roma, fundando ali uma universidade e uma sede patriarcal onde o bispo tivesse seu lugar de honra primacial no Império. (Daí a luta entre o bispo de Roma e o de Bizâncio).
Parece que a promessa de que o batismo o purificaria de todos os seus pecados criou em Constantino um sentimento de benevolência para com os cristãos.
Mas ele não se apercebeu que Roma, livre do imperador, estava transferindo para o seu bispo a antiga primazia mundial (veja o caso de Atila!): uma primazia religiosa que se transformará brevemente em primazia política.
E este será mais um motivo de rivalidade entre o bispo de Roma e o bispo de Constantinopla: uma