01/05/2013
24/04/2013
É A VIRGEM MARIA CO-REDENTORA?
A santa e humilde Maria nunca desejou tomar o lugar do
Salvador, do Filho de Deus. A sua posição foi de serva ciente de sua missão, a
missão de trazer à luz a Luz do mundo, o Pão da vida, o Verbo de Deus. Até nas
suas palavras a mãe de Jesus foi discreta. O registo mais extenso das palavras
por ela pronunciadas está em Lucas 1.46-55, sob o título "O cântico de Maria."
Nessa oração, como já vimos atrás, Maria se mostra muito feliz e agradecida a
Deus por haver sido agraciada com tão nobre missão: "Pois olhou para a
humildade da sua serva. Desde agora todas as gerações me chamarão
bem-aventurada". Nos versículos 46 e 47, Maria se declara necessitada de
salvação: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra
em Deus, meu Salvador".
Não se encontra nas Escrituras qualquer tipo de adoração a
Maria, ou qualquer ensino nesse sentido. Muitas pessoas interpretam mal o
título "Bem-aventurada". Uma pessoa bem-aventurada quer dizer uma
pessoa feliz, ditosa e bendita. É o estado "daqueles que, por seu relacionamento
com Cristo e com a sua Palavra, receberam de Deus o amor, o cuidado, a salvação
e sua presença diária. O arcanjo Gabriel disse: "Bendita és tu ENTRE as
mulheres", e não bendita ACIMA das mulheres. A mesma declaração foi feita
por Isabel a Maria acrescentando: "... e bendito o fruto do teu
ventre" (Lucas 1.42). E a própria Maria afirmou que "desde agora
todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1.48b).
Jesus, no "Sermão da Montanha", chamou "BEM-
AVENTURADOS" os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm
fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os
pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça e os perseguidos
por causa dele (Mateus 5.3-11). E bem-aventurada é Maria em razão da missão a ela
confiada. Então, os salvos somos bem-aventurados, isto é, somos felizes porque agraciados
com bênçãos de Deus. Não há a menor possibilidade de, após a nossa morte – a morte
dos bem-aventurados - chegarmos à condição elevada de Senhor ou Senhora, Pai ou
Mãe de todos. Vejamos o que diz a Bíblia:
"Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único
Senhor"; "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a
tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no
teu coração." (Deuteronómio 6.4-5-6). Este mandamento foi confirmado por
Jesus, quando afirmou que não existia outro mandamento maior do que este
(Marcos 12.30-31), porque quem ama cumpre a Lei Moral. Ora, um coração
completamente cheio do amor a Deus não possui espaço para adorar outros deuses,
seja "senhor" ou "senhora", ou qualquer pessoa falecida.
Ademais, fazer pedidos aos mortos e acreditar que eles sejam mensageiros de
Deus, faz parte da doutrina espírita.
"Eu e a minha casa serviremos ao Senhor... nunca nos
aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses" (Josué
24.14-16). Devemos confiar no Senhor e somente a Ele dirigir nossas súplicas.
Em nenhuma parte da Bíblia a santa Maria é elevada à posição de Senhora,
Padroeira, Protetora ou Co-Redentora. Nenhum homem ou mulher pode, depois da morte
física, receber tal sublimação. Quem morreu em nosso lugar foi Jesus, e Ele não
divide a sua obra redentora com mais ninguém: "E não há salvação em nenhum
outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens,
pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4.12). "Eu sou o Senhor;
este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei, nem o meu louvor às
imagens de escultura" (Isaías 42.8).
Mas, pela palavra da Tradição, Maria cooperou na obra do
Salvador e hoje, no céu, é instrumento de salvação: "Mas seu papel em
relação à Igreja e a toda a humanidade vai mais longe. De modo inteiramente
singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na
obra do
22/03/2013
Do Primeiro papa até Zeferino: 217 d.C.
Esses primeiros bispos romanos são todos de uma
insignificância muito grande
O primeiro bispo de Roma de que se tem certeza foi Lino, que
morreu por volta do ano 67 d.C. depois de ter escrito, segundo o historiador
Platino, algo referente à luta de São Pedro com Simão Mago.
Em seguida veio Anacleto, ou Cleto, como alguns preferem,
que cuidou dos fiéis romanos por seis anos. Parece que foi ele que dividiu Roma
em "títuli" ou paróquias, ordenando os primeiros sete diáconos.
Parece que morreu em 71: uns dizem como mártir, outros o negam.
Veio em seguida a Clemente, de quem já falamos bastante nos
artigos passados quanto às suas ideias sobre a constituição do cristianismo.
Pouco se sabe da vida dele. Parece que morreu mártir. Assim
afirmam Rufino e o bispo Zósimo, embora Eusébio e Gerónimo o neguem. Ireneu nos
deixou escrito que o primeiro bispo romano mártir foi Telésforo.
Por aí o leitor vê a dificuldade de encontrar a verdade
histórica desses primeiros séculos. Clemente morreu em 101, quando era
imperador Trajano. Sucedeu-lhe Evaristo (101-109) que o "Liber
Pontificalis" chama de mártir na perseguição de Trajano. Ordenou seis
padres, cinco bispos e dois diáconos.
Então foi eleito Alexandre (109-116). O cardeal Barônio, em
sua "Cronologia", coloca a eleição de Alexandre no ano de 121
enquanto a Enciclopédia Mirador o coloca no ano de 109. Alguns autores dizem
que o imperador Adriano deu liberdade ao culto cristão, na época do bispo
Alexandre.
Como isto foi possível é difícil de explicar, já que Adriano
reinou de 117 até 138... Nenhuma cronologia destes primeiros séculos combina! O
"Liber Pontificalis" diz que morreu mártir; Sto. Ireneu diz que
morreu normalmente em sua cama.
A importância deste bispo romano é ter inventado o ritual da
água benta para afugentar o demónio; do pão ázimo e do vinho com água para o
ritual da missa.
Mas o cardeal Barônio diz que a água benta, por ser um
ritual muito santo, só podia ser inventada
15/03/2013
Sto. Agostinho: a Teologia Como Base do Poder Político Eclesiástico
No livro “A Cidade de Deus”, Agostinho dá a entender que a Igreja é a única representante de Deus na Terra
Para entender o pensamento de Sto. Agostinho lembramos
uma particularidade histórica de valor fundamental: até o século IX ser bispo
cristão ou mesmo ser um fiel cristão, não significava estar em comunhão com o
bispo de Roma.
Essa "comunhão" é uma invenção muito tardia no
cristianismo; além do mais, a autoridade e o valor eclesiástico de um bispo
qualquer não eram maiores do que aquilo que tem um padre (vigário) qualquer da
nossa cidade, com exceção do poder político do bispo de Roma que representava na
Itália o imperador que vivia no Oriente.
Era-se cristão pela adesão aos decretos dos grandes
concílios: de Nicéia (325) em primeiro lugar; mas também de Constantinopla (381)
que tratou do Espírito Santo; de Efeso (431) que condenou o nestorianismo e o
pelagianismo; de Calcedônia (451) que afirmou que Jesus tinha uma natureza
humana e uma natureza divina unidas na única pessoa do verbo; e de
Constantinopla II (553).
Os bispos eleitos costumavam escrever uns para os outros
afirmando sua fé e lealdade aos decretos dos concílios. Os bispos de Roma faziam
a mesma coisa: mandavam e recebiam cartas de outros bispos.
Daí o erro de muitos historiadores católicos
que imaginam serem estas cartas romanas documentos comprobatórios do "primado":
erro imperdoável porque distorce a verdade.
Voltemos a Sto. Agostinho (354-430) nascido no norte da
África, numa terra que era uma mistura de raças (númida; púnica; romana) e uma
mistura de religiões (orientais; egípcios; pagãos romanos e
cristãos).
O "púnico" é a antiga língua da Fenícia cuja cultura
sobrepujava em Cartago. Leia-se o interessante romance histórico "O Cartaginês"
de Manáf Hardan; Ed. Edicon; SP; 1985.
Mas não deixe de ler também J. Mac Cabe: "St. Augustine
and his Age"; London; 1926;
07/03/2013
02/03/2013
A Ideologia e o Mito
Atenção, leitor! Esta obra que estou
começando a escrever não é História do Cristianismo ou História da Igreja
cristã, mas tão somente a história dos homens que ocuparam o cargo de bispos na
cidade de Roma. Vou falar de homens e de sua ideologia do poder. Só.
Nos casos específicos dos bispos de
Roma chamo de ideologia a interpretação que os mesmos fizeram e fazem
de uma situação religiosa que tem um aspecto social e político.
Essa interpretação acontece a partir
de uma evolução histórica para a qual confluíram elementos políticos, morais,
religiosos, filosóficos e econômicos que implicaram numa tomada de
posição, de modo que em primeiro lugar foram elaboradas doutrinas para
justificar aquela interpretação e, em seguida, foram tomadas as medidas que se
julgara necessárias para a realização do sonho interpretativo de situação já
programada, para realizá-lo com referência ao poder.
Neste caso, a "ideologia do poder" é
o sonho espalhado no grande círculo eclesiástico romano que justifica, sob a
luz da religião, todos esses elementos políticos, econômicos, morais e
religiosos de uma supremacia (ou ditadura) papal.
Por "poder" aqui entendo aquele
aspecto da faculdade da vontade que quer colocar-se acima dos outros para
dominá-los ou física, ou política, ou economicamente, sempre, porém, sob o
manto da religião.
Noutras palavras: poder, enquanto
tal, significa capacidade de dominar. Por isso, neste caso, ideologia do poder é
o sonho de domínio que usa da religião para estar acima do bem e do mal, seja
político ou econômico.
Deste modo, a ideologia do poder se
torna, num certo momento, o substrato de toda uma mentalidade. Seria o caso de
falar do inconsciente coletivo que se reflete no inconsciente individual dos
bispos de Roma.
Para Sto. Agostinho, só para citar
um dos grandes responsáveis desta ideologia, "o Estado justo deveria ser
aquele em que a verdadeira religião é mantida pela lei e pela autoridade e
nenhum Estado poderia ser justo a partir do advento do cristianismo, a menos
que não fosse também cristão". (G. Sabine; "História das Teorias Políticas"; Ed.
F. de C; RJ; 1964; pág. 198).
Em todos os próximos artigos só
tratarei da ideologia do poder dos homens que foram bispos em Roma. Se, a um
certo momento, estes homens deram ao seu cargo de bispos um cunho universal é
porque os homens que ocupavam este cargo compartilhavam de uma ideologia que,
embora não fosse da essência do cargo, quiseram enxertá-la no mesmo
cargo.
O
que mais impressiona o historiador é que nunca foi escrito algo com referência
direta e exclusiva a este assunto. Todos os historiadores misturam a vida
política do bispo de Roma com a história da vida cristã no Ocidente, de modo
que vida cristã e vida papal se fundem.
Sem contar que muitos historiadores
colocam um manto sobre o assunto para que o leitor não entenda nada.
Por exemplo: "A Reforma na Idade
Média" de Brenda Balton (Edições 70) só diz à página 20: "A Igreja
tornara-se negligente e mundana". E George Duby em "O Ano Mil" (Ed. 70)
nem fala da vida pessoal dos papas ou de sua ideologia do
poder...
E
é justamente o ano 1000 que é o mais importante para este assunto! Quanto
12/02/2013
A Origem do Poder Temporal da Igreja Romana
Foi com a bênção do rei dos francos que o bispo de Roma
também se tornou “rei”
O bispo romano Zacarias sucedeu a Estêvão II (752-757), que
teve problemas de ordem burocrática porque não foi consagrado. Por isso alguns
historiadores católicos recusam a sua integração no número dos bispos romanos.
Mas outros historiadores, como o cardeal Barénio, o padre
Pétan e o Panvini, entenderam que a eleição canónica é suficiente e que a
consagração nada lhe acrescentava. Também era assim nos primeiros séculos.
Temos, por exemplo, uma carta de São Cipriano, falecido em
258, que diz: "Os fiéis não só têm por direito divino a faculdade de
escolher os ministros, como também de depô-los, mesmo consagrados, quando se
tornam indignos".
(Parêntese: este direito que os fiéis realmente tinham nos
primeiros dois séculos acabou quando começou a prevalecer a ideologia do poder
centralizado no bispo).
Também Leão I, bispo de Roma, escreveu que a eleição por si
confere a dignidade episcopal e acrescenta que a nomeação de um bispo deve ser
feita por todos os fiéis de uma cidade e chega a anatematizar aqueles que
tentam tirar este poder aos fiéis.
Estêvão II teve um papel muito importante na formação do
território que constituía o Estado Pontifício. Ele, temendo que os longobardos
ocupando Roma e tornando-se senhores da Itália reduzissem a Santa Sé e seu
bispo a um bispado local sem importância, apelou para o imperador grego
Constantino V; mas esse nem resposta lhe deu.
Foi assim que Estêvão II se voltou para os francos e pediu
ajuda a Pepino o Breve, que venceu os longobardos, e em 756 já havia
dado ao bispo de Roma toda a Itália Central com a famosa carta chamada
"Doação de Pepino" que Roma fez passar como sendo uma restituição de
territórios conquistados pelos lombardos mas que haviam sido doados à Sé de
Roma quando era bispo Silvestre I (314-335) pelo imperador Constantino (Doação
de Constantino).
A Estêvão II sucedeu Estêvão III (768-772) com o qual
finalmente começa o tão suspirado, desejado e planejado poder temporal
pontifício! A primeira coisa que Estêvão III fez foi trocar os selos de lacre
das cartas pontifícias pelos selos de chumbo.
Era o símbolo de força e de grandeza. Então, ele se
preocupou com os longobardos, cujo governo era tão difícil (ou mais) do que o
dos imperadores do Oriente.
Longobardos e Oriente infernizaram a Sé de Roma
proibindo-lhe, na prática, a sua realização política na Itália. Então se
apresentou a Astolfo, rei dos longobardos, e mediante valiosos presentes
conseguiu arrancar-lhe um juramento de trégua de quatro anos.
Mas os generais gregos, do imperador do Oriente, fizeram a
mesma coisa. Então Astolfo rompeu a trégua com Estêvão III e foi conquistar
Ravena e o Exarcato. Não tendo encontrado ninguém que o impedisse, resolveu
conquistar a Itália e, antes de mais nada, reivindicar a soberania sobre Roma.
Estêvão III tremeu nas bases e mandou logo embaixadores para
Constantinopla a fim de ser socorrido pelo imperador Constantino, que por estar
ocupado em guerra contra os árabes, mandou um delegado imperial para convencer
Astolfo a restituir as cidades, a praça e a fortaleza à Sé de Roma. Mas Astolfo
conseguiu enganar o delegado imperial porque queria consolidar suas conquistas
na Itália.
O delegado imperial voltou para Constantinopla sem ter
recebido nenhuma satisfação de Astolfo. Por outro lado, ele odiava a Igreja
Católica romana porque ele era iconoclasta. Então abandonou Estêvão III ao seu
destino, prevendo como seria logo destruído pelos longobardos.
Astolfo, para se vingar, invadiu imediatamente Roma e
obrigou seus habitantes a reconhecê-lo como seu soberano, sob pena de morte. As
tropas de Estêvão III fugiram e ele ficou encerrado numa torre por muito tempo.
Então, abandonado propositadamente pelo imperador e
prisioneiro de Astolfo, apelou para Pepino, embora soubesse que Pepino era um
traidor e que nada se importava com Roma. Escreveu-lhe pedindo socorro e
prometendo-lhe, em nome de São Pedro, o perdão de todos os pecados que tivesse
cometido e a felicidade eterna no Céu!
Nesse meio tempo um embaixador do imperador Constantino
chegou a Roma ordenando que Estêvão III fosse logo à corte de Astolfo para
receber de volta Ravena, o Exarcato e as demais cidades que ao longo dos anos
os imperadores gregos haviam dado à Sé de Roma.
Sabendo dos acontecimentos, Astolfo mandou a Estêvão III um
salvo-conduto para ele e para os seus secretários, garantindo-lhe que o
receberia em Pavia com todas as honras.
Em 14 de outubro de 754 Estêvão III empreendeu a viagem para
Pavia acompanhado dos embaixadores francos que haviam sido enviados por Pepino.
Mal chegou em Pavia e Astolfo mandou avisá-lo que havia perdido a viagem se
vinha para pedir a restituição de Ravena e do Exarcato.
Estêvão respondeu que tinha vindo por ordem do imperador.
Astolfo persistiu na recusa dizendo que pouco se importava com as ameaças ao
imperador. Foi então que os embaixadores francos disseram a Astolfo que o rei
Pepino havia ordenado que o bispo de Roma, Estêvão III, fosse conduzido até a
França.
Astolfo ficou cheio de raiva, mas teve que conter-se e
deixou Estêvão III partir. No norte da Itália já era inverno. Assim mesmo
passaram os Alpes cheios de neve e chegaram ao mosteiro de São Maurício em
Valais. De lá foram ao castelo de Pouthion,
que era uma das residências dos reis francos. O rei com toda a família
veio-lhe ao encontro (quem nos conta a cena é Anastácio, o Bibliotecário) a uma
légua do castelo de Pouthion. Então, a pé, de cabeça descoberta, o rei segurou
as rédeas do cavalo de Estêvão III até ao palácio.
No dia seguinte, [o papa] Estêvão e os bispos que o
acompanharam, com a cabeça coberta de cinza e uma roupa miserável, se
prostraram aos pés de Pepino, conjurando-o em nome de Deus que os libertassem
dos longobardos.
Estêvão III conservou-se prostrado com o rosto no chão até
que Pepino o levantou (e este era o sinal de proteção dos reis francos).
Parêntese: nasceu aqui o conceito de "França, filha primogénita da Igreja
Católica" que dura até hoje e nem Napoleão conseguiu cancelar!).
Então Pepino mandou seus embaixadores dizerem a Astolfo que
devia restituir as terras e as cidades à Sé de Roma. Mas Astolfo recebeu muito
mal os embaixadores francos.
Então Pepino partiu para uma guerra terrível a fim de
"libertar a Santa Igreja". Mas, antes de partir para a Itália, fez
questão de assinar o auto das doações das terras da Sé de Roma, em seu nome e
em nome de Carlos e Carlomano, seus filhos.
Astolfo se assustou e prometeu restituir tudo com exceção do
Exarcato de Ravena, dizendo que essa questão não lhe cabia, nem a ele, nem a
Pepino. Mas Pepino jurou que seu exército iria conquistar toda a Itália Central
para doá-la ao papa.
Então houve uma festa solene em que Estêvão III consagrou
rei Pepino e consagrou também Carlos e Carlomano e a sua mulher Bertrade.
Depois de ter-lhe imposto as mãos, Estêvão declarou em nome de Deus que era
proibido aos francos, sob pena de excomunhão e condenação eterna, escolherem
reis de outra raça. Em seguida nomeou Carlos e Carlomano "Patrícios
Romanos" e Estêvão III foi padrinho de batismo dos dois príncipes.
Pepino desceu na Itália com um poderoso exército; venceu
Astolfo e o obrigou a restituir todas as terras ao bispo de Roma.
Foi assinado um tratado na presença dos embaixadores do
imperador Constantino, que se encontravam lá para pedir as mesmas terras em
nome do imperador grego. Mas tão logo Pepino voltou à França, Astolfo se
apoderou de novo de Roma e Pepino teve que voltar novamente à Itália.
Mas dessa vez, além de Ravena e o Exarcato a Sé de Roma
recebeu de presente todas as terras que formam a Itália Central e que até o ano
de 1870 tornaram-se o conhecido Estado Pontifício.
Astolfo morreu logo de tristeza e Pepino e seus descendentes
ficaram conhecidos como os defensores do Património de São Pedro.
E assim a ideologia do poder eclesiástico ficava firmemente
estabelecida sob o patrocínio e com o consentimento do mais poderoso rei da
Europa e do imperador de Constantinopla.
Autor: Carlo Bússola, professor aposentado de Filosofia da
UFES
Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” –
Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.
Nota e Comentários do IASD Em Foco
Temos aqui, na postagem destes excelentes artigos,
enfatizado reiteradamente a erudição, imparcialidade e honestidade intelectual
do Dr. Carlo Bússola. Tudo o que ele escreve aqui em termos de História e a
“ideologia de poder dos bispos” é fidedigno...
Analisem com “espírito desarmado” e sinceridade as seguintes
colocações do Dr. Carlo Bússola:
“[...] por 870 anos nenhum concílio ecuménico foi convocado
pelo bispo de Roma. Os grandes concílios e sínodos foram sempre convocados
pelos imperadores sem perguntar nada ao bispo de Roma” (A História dos Papas,
artigo 30).
“[...] pelo prazo de mil anos nenhum bispo de Roma dirigiu
decisões sobre matéria de fé e costumes à Igreja Universal” (A História dos
Papas, artigo 30).
Foi somente no Concilio de Éfeso (431) que os delegados
romanos declararam que "Pedro, a quem Cristo havia dado o poder de atar e
desatar, continua a viver e julgar em seus sucessores" (Mansi;
"Concilia Oecumenica"; IV; pág. 366). Mas ninguém lhes deu importância
(A História dos Papas, artigo 30).
O bispo romano Gregório Magno (590-604) rejeitou com horror
o título de "bispo ecuménico" (universal) entendido como plenitude da
autoridade eclesiástica. Ele chegou a chamar este título de "criminoso e
blasfemo a Deus” (A História dos Papas, artigo 30).
Por mais que esta verdade doa aos católicos sinceros – e
eles existem aos milhões – isso não se aplica ao Cristianismo como um todo,
mas, sim, à Igreja Católica Apostólica Romana. Este poder que, como estava
profetizado centenas de anos antes, nas suas duas fases (imperial e papal)
substituiria a Verdade da Palavra de Deus pelas mentiras das tradições
humanas.
Vejamos, de forma sucinta, o que diz a Bíblia sobre isso:
“De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito
forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o
exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os
pisou. Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício
diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi
entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por
terra a verdade; e o que fez prosperou” (Daniel 8:9-12).
Foi Roma, repetimos e provamos bíblica e profeticamente, que
nas suas duas fases – imperial e papal – atacou todo o conjunto de verdades
bíblicas e o jogou por terra. É o quarto animal de Daniel 7 (ler: Daniel 7:7)
exatamente o quarto Império Mundial e, das suas cinzas, surge um poder (Roma
papal) simbolizado pelo “chifre pequeno” ou “ponta pequena” (ler: Daniel 7:8,
Apocalipse 13:1-10).
Nosso Senhor Jesus e profetas e escritores bíblicos já
haviam advertido sobre o gravíssimo perigo de substituir a Palavra de Deus
pelas tradições humanas:
“Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós o
Mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] E, assim, invalidastes a
Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3 e 6).
“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está
longe de Mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de
homens” (Mateus 15:8-9).
“E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos
de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.
E disse-lhes ainda: Jeitosamente [com astúcia, falsificações da verdade,
embustes, enganos de toda sorte] rejeitais o preceito de Deus para guardardes a
vossa própria tradição” (Marcos 7:7-9).
“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia
[os padres dão show de filosofia: Tenho amigos que estudaram em seminários
católicos e, hoje, são padres. Com eles é assim: Filosofia 10 X Bíblia 0] e vãs
sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e
não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).
Quando entram em campo questões religiosas, espirituais,
questões de salvação: das quais dependem o nosso destino terno, é bom lembrar
sempre que:
- O importante não é o que o presbítero diz!
- O importante não é o que o missionário diz!
- O importante não é o que o evangelista diz!
- O importante não é o que o bispo diz!
- O importante não é o que o obreiro diz!
- O importante não é o que o “apóstolo” diz!
- O importante não é o que o padre diz!
- O importante não é o que o pastor diz!
- O importante não é o que o teólogo diz!
O importante é o que Deus diz!!! O importante, e nisto está
a nossa segurança eterna, é o que a Palavra de Deus diz!!! E ela nos ordena:
“Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em
seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).
Ela nos indica para onde devemos ir e qual caminho devemos
seguir, em meio aos enganos finais dos últimos dias:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os
Mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).
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