24/04/2013

É A VIRGEM MARIA CO-REDENTORA?


A santa e humilde Maria nunca desejou tomar o lugar do Salvador, do Filho de Deus. A sua posição foi de serva ciente de sua missão, a missão de trazer à luz a Luz do mundo, o Pão da vida, o Verbo de Deus. Até nas suas palavras a mãe de Jesus foi discreta. O registo mais extenso das palavras por ela pronunciadas está em Lucas 1.46-55, sob o título "O cântico de Maria." Nessa oração, como já vimos atrás, Maria se mostra muito feliz e agradecida a Deus por haver sido agraciada com tão nobre missão: "Pois olhou para a humildade da sua serva. Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada". Nos versículos 46 e 47, Maria se declara necessitada de salvação: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador".
Não se encontra nas Escrituras qualquer tipo de adoração a Maria, ou qualquer ensino nesse sentido. Muitas pessoas interpretam mal o título "Bem-aventurada". Uma pessoa bem-aventurada quer dizer uma pessoa feliz, ditosa e bendita. É o estado "daqueles que, por seu relacionamento com Cristo e com a sua Palavra, receberam de Deus o amor, o cuidado, a salvação e sua presença diária. O arcanjo Gabriel disse: "Bendita és tu ENTRE as mulheres", e não bendita ACIMA das mulheres. A mesma declaração foi feita por Isabel a Maria acrescentando: "... e bendito o fruto do teu ventre" (Lucas 1.42). E a própria Maria afirmou que "desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1.48b).
Jesus, no "Sermão da Montanha", chamou "BEM- AVENTURADOS" os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça e os perseguidos por causa dele (Mateus 5.3-11). E bem-aventurada é Maria em razão da missão a ela confiada. Então, os salvos somos bem-aventurados, isto é, somos felizes porque agraciados com bênçãos de Deus. Não há a menor possibilidade de, após a nossa morte – a morte dos bem-aventurados - chegarmos à condição elevada de Senhor ou Senhora, Pai ou Mãe de todos. Vejamos o que diz a Bíblia:
"Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor"; "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração." (Deuteronómio 6.4-5-6). Este mandamento foi confirmado por Jesus, quando afirmou que não existia outro mandamento maior do que este (Marcos 12.30-31), porque quem ama cumpre a Lei Moral. Ora, um coração completamente cheio do amor a Deus não possui espaço para adorar outros deuses, seja "senhor" ou "senhora", ou qualquer pessoa falecida. Ademais, fazer pedidos aos mortos e acreditar que eles sejam mensageiros de Deus, faz parte da doutrina espírita.
"Eu e a minha casa serviremos ao Senhor... nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses" (Josué 24.14-16). Devemos confiar no Senhor e somente a Ele dirigir nossas súplicas. Em nenhuma parte da Bíblia a santa Maria é elevada à posição de Senhora, Padroeira, Protetora ou Co-Redentora. Nenhum homem ou mulher pode, depois da morte física, receber tal sublimação. Quem morreu em nosso lugar foi Jesus, e Ele não divide a sua obra redentora com mais ninguém: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4.12). "Eu sou o Senhor; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei, nem o meu louvor às imagens de escultura" (Isaías 42.8).
Mas, pela palavra da Tradição, Maria cooperou na obra do Salvador e hoje, no céu, é instrumento de salvação: "Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai mais longe. De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do

22/03/2013

Do Primeiro papa até Zeferino: 217 d.C.

Esses primeiros bispos romanos são todos de uma insignificância muito grande
O primeiro bispo de Roma de que se tem certeza foi Lino, que morreu por volta do ano 67 d.C. depois de ter escrito, segundo o historiador Platino, algo referente à luta de São Pedro com Simão Mago.
Em seguida veio Anacleto, ou Cleto, como alguns preferem, que cuidou dos fiéis romanos por seis anos. Parece que foi ele que dividiu Roma em "títuli" ou paróquias, ordenando os primeiros sete diáconos. Parece que morreu em 71: uns dizem como mártir, outros o negam.
Veio em seguida a Clemente, de quem já falamos bastante nos artigos passados quanto às suas ideias sobre a constituição do cristianismo.
Pouco se sabe da vida dele. Parece que morreu mártir. Assim afirmam Rufino e o bispo Zósimo, embora Eusébio e Gerónimo o neguem. Ireneu nos deixou escrito que o primeiro bispo romano mártir foi Telésforo.
Por aí o leitor vê a dificuldade de encontrar a verdade histórica desses primeiros séculos. Clemente morreu em 101, quando era imperador Trajano. Sucedeu-lhe Evaristo (101-109) que o "Liber Pontificalis" chama de mártir na perseguição de Trajano. Ordenou seis padres, cinco bispos e dois diáconos.
Então foi eleito Alexandre (109-116). O cardeal Barônio, em sua "Cronologia", coloca a eleição de Alexandre no ano de 121 enquanto a Enciclopédia Mirador o coloca no ano de 109. Alguns autores dizem que o imperador Adriano deu liberdade ao culto cristão, na época do bispo Alexandre.
Como isto foi possível é difícil de explicar, já que Adriano reinou de 117 até 138... Nenhuma cronologia destes primeiros séculos combina! O "Liber Pontificalis" diz que morreu mártir; Sto. Ireneu diz que morreu normalmente em sua cama.
A importância deste bispo romano é ter inventado o ritual da água benta para afugentar o demónio; do pão ázimo e do vinho com água para o ritual da missa.
Mas o cardeal Barônio diz que a água benta, por ser um ritual muito santo, só podia ser inventada

15/03/2013

Sto. Agostinho: a Teologia Como Base do Poder Político Eclesiástico

No livro “A Cidade de Deus”, Agostinho dá a entender que a Igreja é a única representante de Deus na Terra

Para entender o pensamento de Sto. Agostinho lembramos uma particularidade histórica de valor fundamental: até o século IX ser bispo cristão ou mesmo ser um fiel cristão, não significava estar em comunhão com o bispo de Roma.
Essa "comunhão" é uma invenção muito tardia no cristianismo; além do mais, a autoridade e o valor eclesiástico de um bispo qualquer não eram maiores do que aquilo que tem um padre (vigário) qualquer da nossa cidade, com exceção do poder político do bispo de Roma que representava na Itália o imperador que vivia no Oriente.
 
Era-se cristão pela adesão aos decretos dos grandes concílios: de Nicéia (325) em primeiro lugar; mas também de Constantinopla (381) que tratou do Espírito Santo; de Efeso (431) que condenou o nestorianismo e o pelagianismo; de Calcedônia (451) que afirmou que Jesus tinha uma natureza humana e uma natureza divina unidas na única pessoa do verbo; e de Constantinopla II (553).
 
Os bispos eleitos costumavam escrever uns para os outros afirmando sua fé e lealdade aos decretos dos concílios. Os bispos de Roma faziam a mesma coisa: mandavam e recebiam cartas de outros bispos.
Daí o erro de muitos historiadores católicos que imaginam serem estas cartas romanas documentos comprobatórios do "primado": erro imperdoável porque distorce a verdade.
Voltemos a Sto. Agostinho (354-430) nascido no norte da África, numa terra que era uma mistura de raças (númida; púnica; romana) e uma mistura de religiões (orientais; egípcios; pagãos romanos e cristãos).
O "púnico" é a antiga língua da Fenícia cuja cultura sobrepujava em Cartago. Leia-se o interessante romance histórico "O Cartaginês" de Manáf Hardan; Ed. Edicon; SP; 1985.
Mas não deixe de ler também J. Mac Cabe: "St. Augustine and his Age"; London; 1926;

02/03/2013

A Ideologia e o Mito

A Roma cristã e seu poder estão fundamentados sobre a Roma pagã

 
Atenção, leitor! Esta obra que estou começando a escrever não é Histó­ria do Cristianismo ou História da Igreja cris­tã, mas tão somente a história dos homens que ocuparam o cargo de bispos na cidade de Roma. Vou falar de homens e de sua ideologia do poder. Só.
 
Nos casos específicos dos bispos de Roma chamo de ideo­logia a interpretação que os mes­mos fizeram e fazem de uma si­tuação religiosa que tem um as­pecto social e político.

Essa interpretação acontece a partir de uma evolução histó­rica para a qual confluíram elementos políticos, morais, religio­sos, filosóficos e econômicos que implicaram numa tomada de posição, de modo que em primeiro lugar foram elaboradas doutrinas para justificar aquela interpretação e, em seguida, foram tomadas as medidas que se julgara necessárias para a realização do sonho interpretativo de situação já programada, para realizá-lo com referência ao poder.

Neste caso, a "ideologia do po­der" é o sonho espalhado no gran­de círculo eclesiástico romano que justifica, sob a luz da religião, todos esses elementos políticos, econômicos, morais e religiosos de uma supremacia (ou ditadura) papal.

Por "poder" aqui entendo aquele aspecto da faculdade da vontade que quer colocar-se acima dos outros para dominá-los ou física, ou política, ou economicamente, sempre, po­rém, sob o manto da religião.

Noutras palavras: poder, enquanto tal, significa capacidade de dominar. Por isso, neste caso, ideologia do poder é o sonho de domínio que usa da religião para estar acima do bem e do mal, seja político ou eco­nômico.

Deste modo, a ideologia do po­der se torna, num certo momen­to, o substrato de toda uma men­talidade. Seria o caso de falar do inconsciente coletivo que se reflete no inconsciente indivi­dual dos bispos de Roma.

Para Sto. Agostinho, só pa­ra citar um dos grandes respon­sáveis desta ideologia, "o Es­tado justo deveria ser aquele em que a verdadeira religião é mantida pela lei e pela autori­dade e nenhum Estado pode­ria ser justo a partir do adven­to do cristianismo, a menos que não fosse também cristão". (G. Sabine; "História das Teorias Políticas"; Ed. F. de C; RJ; 1964; pág. 198).

Em todos os próximos arti­gos só tratarei da ideologia do po­der dos homens que foram bis­pos em Roma. Se, a um certo momento, estes homens deram ao seu cargo de bispos um cunho universal é porque os homens que ocupavam este cargo com­partilhavam de uma ideologia que, embora não fosse da essên­cia do cargo, quiseram enxertá-la no mesmo cargo.

O que mais impressiona o his­toriador é que nunca foi escrito algo com referência direta e ex­clusiva a este assunto. Todos os historiadores misturam a vida política do bispo de Roma com a história da vida cristã no Oci­dente, de modo que vida cristã e vida papal se fundem.

Sem contar que muitos his­toriadores colocam um manto so­bre o assunto para que o leitor não entenda nada.

Por exemplo: "A Reforma na Idade Média" de Brenda Balton (Edições 70) só diz à página 20: "A Igreja tornara-se negligente e mundana". E George Duby em "O Ano Mil" (Ed. 70) nem fala da vida pessoal dos papas ou de sua ideologia do poder...

E é justamente o ano 1000 que é o mais importante para este assunto! Quanto

12/02/2013

A Origem do Poder Temporal da Igreja Romana

Foi com a bênção do rei dos francos que o bispo de Roma também se tornou “rei”
O bispo romano Zacarias sucedeu a Estêvão II (752-757), que teve problemas de ordem burocrática porque não foi consagrado. Por isso alguns historiadores católicos recusam a sua integração no número dos bispos romanos.
 
Mas outros historiadores, como o cardeal Barénio, o padre Pétan e o Panvini, entenderam que a eleição canónica é suficiente e que a consagração nada lhe acrescentava. Também era assim nos primeiros séculos.
 
Temos, por exemplo, uma carta de São Cipriano, falecido em 258, que diz: "Os fiéis não só têm por direito divino a faculdade de escolher os ministros, como também de depô-los, mesmo consagrados, quando se tornam indignos".
 
(Parêntese: este direito que os fiéis realmente tinham nos primeiros dois séculos acabou quando começou a prevalecer a ideologia do poder centralizado no bispo).
 
Também Leão I, bispo de Roma, escreveu que a eleição por si confere a dignidade episcopal e acrescenta que a nomeação de um bispo deve ser feita por todos os fiéis de uma cidade e chega a anatematizar aqueles que tentam tirar este poder aos fiéis.
 
Estêvão II teve um papel muito importante na formação do território que constituía o Estado Pontifício. Ele, temendo que os longobardos ocupando Roma e tornando-se senhores da Itália reduzissem a Santa Sé e seu bispo a um bispado local sem importância, apelou para o imperador grego Constantino V; mas esse nem resposta lhe deu.
 
Foi assim que Estêvão II se voltou para os francos e pediu ajuda  a Pepino o Breve, que venceu os longobardos, e em 756 já havia  dado ao bispo de Roma toda a Itália Central com a famosa carta chamada "Doação de Pepino" que Roma fez passar como sendo uma restituição de territórios conquistados pelos lombardos mas que haviam sido doados à Sé de Roma quando era bispo Silvestre I (314-335) pelo imperador Constantino (Doação de Constantino).
A Estêvão II sucedeu Estêvão III (768-772) com o qual finalmente começa o tão suspirado, desejado e planejado poder temporal pontifício! A primeira coisa que Estêvão III fez foi trocar os selos de lacre das cartas pontifícias pelos selos de chumbo.
 
 
Era o símbolo de força e de grandeza. Então, ele se preocupou com os longobardos, cujo governo era tão difícil (ou mais) do que o dos imperadores do Oriente.
 
Longobardos e Oriente infernizaram a Sé de Roma proibindo-lhe, na prática, a sua realização política na Itália. Então se apresentou a Astolfo, rei dos longobardos, e mediante valiosos presentes conseguiu arrancar-lhe um juramento de trégua de quatro anos.
 
Mas os generais gregos, do imperador do Oriente, fizeram a mesma coisa. Então Astolfo rompeu a trégua com Estêvão III e foi conquistar Ravena e o Exarcato. Não tendo encontrado ninguém que o impedisse, resolveu conquistar a Itália e, antes de mais nada, reivindicar a soberania sobre Roma.
 
Estêvão III tremeu nas bases e mandou logo embaixadores para Constantinopla a fim de ser socorrido pelo imperador Constantino, que por estar ocupado em guerra contra os árabes, mandou um delegado imperial para convencer Astolfo a restituir as cidades, a praça e a fortaleza à Sé de Roma. Mas Astolfo conseguiu enganar o delegado imperial porque queria consolidar suas conquistas na Itália.
 
O delegado imperial voltou para Constantinopla sem ter recebido nenhuma satisfação de Astolfo. Por outro lado, ele odiava a Igreja Católica romana porque ele era iconoclasta. Então abandonou Estêvão III ao seu destino, prevendo como seria logo destruído pelos longobardos.
 
Astolfo, para se vingar, invadiu imediatamente Roma e obrigou seus habitantes a reconhecê-lo como seu soberano, sob pena de morte. As tropas de Estêvão III fugiram e ele ficou encerrado numa torre por muito tempo.
 
Então, abandonado propositadamente pelo imperador e prisioneiro de Astolfo, apelou para Pepino, embora soubesse que Pepino era um traidor e que nada se importava com Roma. Escreveu-lhe pedindo socorro e prometendo-lhe, em nome de São Pedro, o perdão de todos os pecados que tivesse cometido e a felicidade eterna no Céu!
 
Nesse meio tempo um embaixador do imperador Constantino chegou a Roma ordenando que Estêvão III fosse logo à corte de Astolfo para receber de volta Ravena, o Exarcato e as demais cidades que ao longo dos anos os imperadores gregos haviam dado à Sé de Roma.
 
Sabendo dos acontecimentos, Astolfo mandou a Estêvão III um salvo-conduto para ele e para os seus secretários, garantindo-lhe que o receberia em Pavia com todas as honras.
 
Em 14 de outubro de 754 Estêvão III empreendeu a viagem para Pavia acompanhado dos embaixadores francos que haviam sido enviados por Pepino. Mal chegou em Pavia e Astolfo mandou avisá-lo que havia perdido a viagem se vinha para pedir a restituição de Ravena e do Exarcato.
 
Estêvão respondeu que tinha vindo por ordem do imperador. Astolfo persistiu na recusa dizendo que pouco se importava com as ameaças ao imperador. Foi então que os embaixadores francos disseram a Astolfo que o rei Pepino havia ordenado que o bispo de Roma, Estêvão III, fosse conduzido até a França.
 
Astolfo ficou cheio de raiva, mas teve que conter-se e deixou Estêvão III partir. No norte da Itália já era inverno. Assim mesmo passaram os Alpes cheios de neve e chegaram ao mosteiro de São Maurício em Valais. De lá foram ao castelo de Pouthion,  que era uma das residências dos reis francos. O rei com toda a família veio-lhe ao encontro (quem nos conta a cena é Anastácio, o Bibliotecário) a uma légua do castelo de Pouthion. Então, a pé, de cabeça descoberta, o rei segurou as rédeas do cavalo de Estêvão III até ao palácio.
 
No dia seguinte, [o papa] Estêvão e os bispos que o acompanharam, com a cabeça coberta de cinza e uma roupa miserável, se prostraram aos pés de Pepino, conjurando-o em nome de Deus que os libertassem dos longobardos.
 
Estêvão III conservou-se prostrado com o rosto no chão até que Pepino o levantou (e este era o sinal de proteção dos reis francos). Parêntese: nasceu aqui o conceito de "França, filha primogénita da Igreja Católica" que dura até hoje e nem Napoleão conseguiu cancelar!).
 
Então Pepino mandou seus embaixadores dizerem a Astolfo que devia restituir as terras e as cidades à Sé de Roma. Mas Astolfo recebeu muito mal os embaixadores francos.
 
Então Pepino partiu para uma guerra terrível a fim de "libertar a Santa Igreja". Mas, antes de partir para a Itália, fez questão de assinar o auto das doações das terras da Sé de Roma, em seu nome e em nome de Carlos e Carlomano, seus filhos.
 
Astolfo se assustou e prometeu restituir tudo com exceção do Exarcato de Ravena, dizendo que essa questão não lhe cabia, nem a ele, nem a Pepino. Mas Pepino jurou que seu exército iria conquistar toda a Itália Central para doá-la ao papa.
 
Então houve uma festa solene em que Estêvão III consagrou rei Pepino e consagrou também Carlos e Carlomano e a sua mulher Bertrade. Depois de ter-lhe imposto as mãos, Estêvão declarou em nome de Deus que era proibido aos francos, sob pena de excomunhão e condenação eterna, escolherem reis de outra raça. Em seguida nomeou Carlos e Carlomano "Patrícios Romanos" e Estêvão III foi padrinho de batismo dos dois príncipes.
 
Pepino desceu na Itália com um poderoso exército; venceu Astolfo e o obrigou a restituir todas as terras ao bispo de Roma.
 
Foi assinado um tratado na presença dos embaixadores do imperador Constantino, que se encontravam lá para pedir as mesmas terras em nome do imperador grego. Mas tão logo Pepino voltou à França, Astolfo se apoderou de novo de Roma e Pepino teve que voltar novamente à Itália.
 
Mas dessa vez, além de Ravena e o Exarcato a Sé de Roma recebeu de presente todas as terras que formam a Itália Central e que até o ano de 1870 tornaram-se o conhecido Estado Pontifício.
 
Astolfo morreu logo de tristeza e Pepino e seus descendentes ficaram conhecidos como os defensores do Património de São Pedro.
 
E assim a ideologia do poder eclesiástico ficava firmemente estabelecida sob o patrocínio e com o consentimento do mais poderoso rei da Europa e do imperador de Constantinopla.
Autor: Carlo Bússola, professor aposentado de Filosofia da UFES
 
Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.
 
Nota e Comentários do IASD Em Foco
Temos aqui, na postagem destes excelentes artigos, enfatizado reiteradamente a erudição, imparcialidade e honestidade intelectual do Dr. Carlo Bússola. Tudo o que ele escreve aqui em termos de História e a “ideologia de poder dos bispos” é fidedigno...
 
Analisem com “espírito desarmado” e sinceridade as seguintes colocações do Dr. Carlo Bússola:
 
“[...] por 870 anos nenhum concílio ecuménico foi convocado pelo bispo de Roma. Os grandes concílios e sínodos foram sempre convocados pelos imperadores sem perguntar nada ao bispo de Roma” (A História dos Papas, artigo 30).
 
“[...] pelo prazo de mil anos nenhum bispo de Roma dirigiu decisões sobre matéria de fé e costumes à Igreja Universal” (A História dos Papas, artigo 30).
 
Foi somente no Concilio de Éfeso (431) que os delegados romanos declararam que "Pedro, a quem Cristo havia dado o poder de atar e desatar, continua a viver e julgar em seus sucessores" (Mansi; "Concilia Oecumenica"; IV; pág. 366). Mas ninguém lhes deu importância (A História dos Papas, artigo 30).
 
O bispo romano Gregório Magno (590-604) rejeitou com horror o título de "bispo ecuménico" (universal) entendido como plenitude da autoridade eclesiástica. Ele chegou a chamar este título de "criminoso e blasfemo a Deus” (A História dos Papas, artigo 30).
Por mais que esta verdade doa aos católicos sinceros – e eles existem aos milhões – isso não se aplica ao Cristianismo como um todo, mas, sim, à Igreja Católica Apostólica Romana. Este poder que, como estava profetizado centenas de anos antes, nas suas duas fases (imperial e papal) substituiria a Verdade da Palavra de Deus pelas mentiras das tradições humanas.  
 
Vejamos, de forma sucinta, o que diz a Bíblia sobre isso:
“De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou” (Daniel 8:9-12).
 
Foi Roma, repetimos e provamos bíblica e profeticamente, que nas suas duas fases – imperial e papal – atacou todo o conjunto de verdades bíblicas e o jogou por terra. É o quarto animal de Daniel 7 (ler: Daniel 7:7) exatamente o quarto Império Mundial e, das suas cinzas, surge um poder (Roma papal) simbolizado pelo “chifre pequeno” ou “ponta pequena” (ler: Daniel 7:8, Apocalipse 13:1-10).
 
Nosso Senhor Jesus e profetas e escritores bíblicos já haviam advertido sobre o gravíssimo perigo de substituir a Palavra de Deus pelas tradições humanas:
 
“Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós o Mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] E, assim, invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3 e 6).
 
“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:8-9). 
 
“E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente [com astúcia, falsificações da verdade, embustes, enganos de toda sorte] rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (Marcos 7:7-9).
 
“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia [os padres dão show de filosofia: Tenho amigos que estudaram em seminários católicos e, hoje, são padres. Com eles é assim: Filosofia 10 X Bíblia 0] e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8). 
 
Quando entram em campo questões religiosas, espirituais, questões de salvação: das quais dependem o nosso destino terno, é bom lembrar sempre que:
 
- O importante não é o que o presbítero diz!
- O importante não é o que o missionário diz!
- O importante não é o que o evangelista diz!
- O importante não é o que o bispo diz!
- O importante não é o que o obreiro diz!
- O importante não é o que o “apóstolo” diz!
- O importante não é o que o padre diz!
- O importante não é o que o pastor diz!
- O importante não é o que o teólogo diz!
O importante é o que Deus diz!!! O importante, e nisto está a nossa segurança eterna, é o que a Palavra de Deus diz!!! E ela nos ordena:
“Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).
Ela nos indica para onde devemos ir e qual caminho devemos seguir, em meio aos enganos finais dos últimos dias:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os Mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).