20/10/2012

Bonifácio III é nomeado Bispo Universal

O título de Bispo Universal foi criação do imperador grego Focas; não de Jesus Cristo


Depois de 12 meses de sangrentas lutas durante a vacância da Sé pontifícia, quando várias facções romanas queriam que fosse nomeado bispo seu eleito, venceu o partido e Bonifácio, que então foi ordenado e recebeu o nome de Bonifácio III.

 
Dizem os historiadores que Bonifácio ganhou a vaga porque o imperador Focas gostava dele desde a época em que vivia na corte de Constantinopla. Focas havia matado sua mulher, a imperatriz, e suas filhas e o patriarca Ciríaco o havia excomungado.

Para vingar-se, Focas elevou a Sé de Roma acima da Sé de Constantinopla, dando ao papa o título de Bispo Universal de todas as igrejas cristãs.


Parêntese: primeiro, até esta época (607 d.C) a Sé de Roma, embora patriarcado, era considerada, na prática, inferior à Sé de Constantinopla por ser esta a nova capital do império romano que ainda existia pelo menos de nome.


Segundo: ainda não existia o título de honra de "Bispo Universal". Terceiro: este título, com tudo aquilo que implica o adjetivo "universal", foi criação do imperador Focas, c não de Jesus Cristo! É bom frisar isto.


Mas Bonifácio III gostou tanto do título que convocou logo um sínodo com todos os bispos do seu patriarcado para cientificá-los da nova situação religiosa da Sé de Roma e para que, a partir de então, todos os bispos só pudessem tomar posse depois do reconhecimento do bispo de Roma. Mas morreu nove meses depois da sua eleição,em l2de novembro de 607.

Sucedeu-lhe Bonifácio IV (608-615), que agradeceu o imperador Focas pelo que havia feito à Sé de Roma. Focas, enternecido, deu-lhe de presente o templo do Panteon construído por Mário Agripa, genro de Augusto, 30 anos antes da era cristã e consagrado a todos os deuses do paganismo.


Sucedeu-lhe Deodato (615-618): um homem piedoso que só viveu

para ajudar os leprosos, que eram numerosos em Roma. Morreu abençoado por todos.


Sucedeu-lhe Bonifácio V (619-625) e, a este, Honório (625-638), que representa um verdadeiro problema para a Igreja Católica. Com efeito, o bispo Honório é a clássica prova, nas mãos dos racionalistas, de que o papa não é infalível (como define o dogma católico) porque sustentou e aprovou a heresia monotelista, professada na igreja grega e protegido pelo imperador Heráclio.

Os monotelistas sustentavam que Jesus tinha uma só vontade: a vontade divina e não tinha vontade humana. Num sucessivo concilio, em 649, os bispos condenaram o monotelismo e condenaram também o papa Honório queimando suas cartas e gritando: "Excomungado seja Honório, o herético!"


Seguiu-se mais um concilio ecumênico condenando o monotelísmo e o papa Honório. As histórias dos papas escritas por católicos dizem somente que "se deixou enganar pelo patriarca Sérgio". Outros católicos escrevem: "manifestou-se sobre o monotelismo de maneira que mais tarde será criticado...". Esconde-se a triste verdade!

Sucedeu-lhe Severino (640) e logo em seguida João IV (640-642) e Teodoro I (642-649). Este bispo era um homem particularmente rancoroso e vingativo, dando prova de grande intolerância nas disputas teológicas do monotelismo.

 
Conta a história que querendo ele nu-milhar o bispo Pirro, que já foi monotelista, mas então, depois da retratação vivia retirado em Rovena, Teodoro reuniu em Roma um grupo de bispos e em seguida, misturando tinta vermelha com o vinho da missa já consagrado (o sangue de Cristo na crença católica) assinou com essa mistura a condenação de Pirro.


Historiadores católicos não tocam neste episódio ou quando tocam, dizem que este é um uso particular dos prelados gregos e já que Teodoro era filho de um patriarca de Jerusalém, queria continuar a tradição oriental...


Sucedeu-lhe Martinho I (649-655) que deu continuidade aos debates ocasionados pelo monotelismo. A pedido de vários bispos mandou reunir no palácio do Latrão um concilio de 500 bispos para que examinassem as questões religiosas que perturbavam a Igreja.


O concilio durou muitos meses e teve cinco sessões, a primeira das quais começou em 5 de outubro de 649. Todos os bispos falaram e falaram muito; mas poucos eram aqueles que diziam coisas certas, por falta de estudos teológicos e sobretudo por falta de idéias filosóficas.


O historiador Sócrates Escolástico, referindo-se aos bispos desta época diz claramente que eram "simplórios e ignorantes". (Bastaria só a pergunta: o que significa "vontade de Deus", se Deus não pode ter vontade porque a vontade é um atributo humano?)


Mas por fim, muito entediados e cansados aprovaram por contagem de votos, 20 cânones; e condenaram um monte de gente que não pensava como eles.


O fim de Martinho I [Papa] foi extremamente triste. Levado prisioneiro a Constantinopla por ordem do imperador, sofreu por muitos meses uma dolorosa prisão. No fím, quase morto, sem poder se defender, foi desterrado para o Quersoneso, onde morreu de fome aos 16 de setembro de 655. Isto para que os bispos de Roma aprendessem que quem ainda mandava na Itália e na Igreja era o imperador.

Sucedeu-lhe Eugênio I (654-657), de cuja santidade todos os historiadores são pródigos. Sabe-se que fez tudo que lhe era possível para reconciliar a Igreja com o imperador.


Sucedeu-lhe Vitaliano (657-672), que continuou a política de seu predecessor. Aliás, conseguiu do imperador um decreto que colocava o bispo Mauro de Rovena sob o poder do bispo de Roma.


IGNORÂNCIA

A impressão que se tem pesquisando em diferentes autores a história desses papas é a enorme, infinita ignorância teológica e filosófica. O papa tal tem uma intuição meio estranha?!?... Pronto! Declara que aquilo é artigo de fé.


Como não existia mais nenhuma Escola de Filosofia (Justiniano fechou a última!) ninguém era treinado no raciocínio lógico. Tudo é fundamentado na fé. Aliás, tudo é baseado naquilo que lreneu disse...; que Epifânio disse.../ que Agostinho disse.../ etc. etc.

É nos "disse que disse" que, nesta época, se constroem as grandes verdades do cristianismo. A ninguém interessa saber o que Jesus disse, porque, de fato, Jesus nada escreveu e certamente pouco se importasse com as teologias...

Quando os legatos pontifícios de papa Agaton chegaram a Bizân-cio, o imperador Constantino recebeu-os no oratório de São Pedro, no palácio imperial.


Eles apresentaram-lhe as cartas da cúria romana e grande foi a surpresa do monarca quando por um primeiro exame, reconheceu a extrema ignorância dos padres da igreja latina que escreviam numa língua latina cheia de erros! Erros de ortografia! Erros de palavras! Erros teológicos!

Mas os padres da igreja grega não eram melhores. Nem estes nem aqueles tinham idéias claras sobre a pessoa de Jesus; sobre a Trindade; sobre o conceito de Deus (considerado uma pessoa muito especial, lá no alto dos céus); sobre a Virgem Maria...


Nos sínodos e nos concílios prevalecia a opinião do bispo mais poderoso e os demais levantavam o braço num obsequioso consentimento... (Parêntese: até no Concilio Vaticano II os bispos tinham seus "Periti", ou seja, os teólogos que conheciam a Teologia!!!).


Resumindo: desde a morte de Jesus, passaram-se sete ou oito séculos de cristianismo: um cristianismo cheio de disputas teológicas que, naturalmente, não levaram a nada.


E assim o nosso cristianismo atual é um conjunto artificial de idéias prováveis, ou, melhor, de suposições que o fanatismo de cada época acrescentava como sendo verdades certas, mas que quase sempre eram impostas pelas armas dos reis e mais tarde pela Inquisição e foram aceitas pela força de tradição.


Dá para entender por que o falecido cardeal Otaviani, prefeito do antigo Santo Ofício (da Inquisição) a toda hora nos dizia a nós estudantes de Teologia: "A nossa fé é baseada na tradição... Aliás, é a tradição que nos dá as Sagradas Escrituras".


Podia também dizer: "É a tradição que garante o poder eclesiástico".

 
Autor: Carlo Bússola, professor aposentado de Filosofia da UFES


Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.

Nota e Comentários do IASD Em Foco

Temos aqui, na postagem destes excelentes artigos, enfatizado reiteradamente a erudição, imparcialidade e honestidade intelectual do Dr. Carlo Bússola. Tudo o que ele escreve aqui em termos de História e a “ideologia de poder dos bispos” é fidedigno... Ocorre, porém, que, sem má fé ou distorção da verdade, o pesquisador comete um equívoco – ainda que parcial – quando faz as seguintes colocações:


É nos "disse que disse" que, nesta época, se constroem as grandes verdades do cristianismo.

E assim o nosso cristianismo atual é um conjunto artificial de idéias prováveis, ou, melhor, de suposições que o fanatismo de cada época acrescentava como sendo verdades certas, mas que quase sempre eram impostas pelas armas dos reis e mais tarde pela Inquisição e foram aceitas pela força de tradição.


"A nossa fé é baseada na tradição... Aliás, é a tradição que nos dá as Sagradas Escrituras".


Por mais que doa esta verdade aos católicos sinceros – e eles existem aos milhões – isso não se aplica ao Cristianismo como um todo, mas, sim, à Igreja Católica Apostólica Romana. Este poder que – como estava profetizado centenas de anos antes – nas suas duas fases (imperial e papal) substituiria a Verdade da Palavra de Deus pelas mentiras das tradições humanas.

Vejamos, de forma sucinta, o que diz a Bíblia sobre isso:

“De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. O exército lhe foi entregue, com o sacrifício diário, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou” (Daniel 8:9-12).

Foi Roma, repetimos e provamos bíblica e profeticamente, que nas suas duas fases – imperial e papal – atacou todo o conjunto de verdades bíblicas e o jogou por terra. É o quarto animal de Daniel 7 (ler: Daniel 7:7) exatamente o quarto Império Mundial e, das suas cinzas, surge um poder (Roma papal) simbolizado pelo “chifre pequeno” ou “ponta pequena” (ler: Daniel 7:8, Apocalipse 13:1-10).


Nosso Senhor Jesus e profetas e escritores bíblicos já haviam advertido sobre o gravíssimo perigo de substituir a Palavra de Deus pelas tradições humanas:

 
“Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós o Mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] E, assim, invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mateus 15:3 e 6).

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:8-9).


“E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente [com astúcia, falsificações da verdade, embustes, enganos de toda sorte] rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (Marcos 7:7-9).

 
Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia [os padres dão show de filosofia: Tenho amigos que estudaram em seminários católicos e, hoje, são padres. Com eles é assim: Filosofia 10 X Bíblia 0] e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).

Quando entram em campo questões religiosas, espirituais, questões de salvação: das quais dependem o nosso destino terno, é bom lembrar sempre que:


- O importante não é o que o presbítero diz!

- O importante não é o que o missionário diz!

- O importante não é o que o evangelista diz!

- O importante não é o que o bispo diz!

- O importante não é o que o obreiro diz!

- O importante não é o que o “apóstolo” diz!

- O importante não é o que o padre diz!

- O importante não é o que o pastor diz!*

- O importante não é o que o teólogo diz!

O importante é o que Deus diz!!! O importante, e nisto está a nossa segurança eterna, é o que a Palavra de Deus diz!!! E ela nos ordena:

“Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:4).

Ela nos indica para onde devemos ir e que caminho devemos seguir, em meio aos enganos finais dos últimos dias:

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os Mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

* Digo isso na condição acadêmica e espiritual de quem cursou 3 faculdades (reconhecidas pelo MEC, incluindo Teologia) e uma Pós-Graduação em Ciências da Religião. Nesse caso não importa títulos ou formação acadêmica: o que importa é o conhecimento da Palavra de Deus – deixar Deus falar e o Espírito Santo agir...
 

16/10/2012

A Escolha dos Papas II

A palavra heresia é definida como doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 28 ed). Entretanto, no período de intolerância religiosa e perseguições do período medieval em que foram assassinadas centenas de milhares de pessoas acusadas de heresia, esta palavra tinha um significado diferente.

João Hus na praça de Praga, lugar onde
foi queimado, perto fica a igreja
onde pregava.

Heresia era tudo que contrariasse a menor das imposições de Roma. E os hereges eram perseguidos e condenados à morte, geralmente na fogueira, depois das mais cruéis e ultrajantes torturas. O grande absurdo que causa assombro é que o mais herege de todos os poderes jamais manifestado no mundo em todas as épocas persegue os Santos do Altíssimo, acusando-os de hereges, em nome de Deus.
Eis alguns dos hereges: João Huss, Wicliff, Zwinglio, Pedro Valdo, Lutero etc. Todos estes eram homens simples e piedosos, cuja heresia se constituía em contestar a autoridade papal, condenando o luxo e a corrupção dos costumes e desejando o retorno à simplicidade dos tempos apostólicos e dos ensinamentos de Jesus, tendo a Bíblia Sagrada como única norma de fé.
A história dá testemunho de alguns dos que lideraram esses movimentos. Dentre estes destacaremos alguns, que a Igreja de Roma perseguiu como heréticos, destacando em primeiro lugar a João Huss: Segundo a história, João Huss vivia na pobreza e na admiração de seu povo... (Grandes Personagens da História Universal, p. 383). Na Boémia, e em todos os eleitorados do império, a Igreja era extremamente rica. Havia três eleitorados eclesiásticos, isto é, seus príncipes eram bispos. Conventos e bispados, afora as regalias de que gozavam como a isenção de taxas e outros benefícios , possuíam um terço da terra arável e grande riqueza em ouro e construções. Toda essa riqueza e poderio da Igreja eram normais e típicos de um Estado feudal. Mas não deixavam de criar problemas. Por toda a Europa, emergiam movimentos heréticos não reconhecidos pela Santa Sé; pregavam a volta ao Cristianismo primitivo, à pobreza dos apóstolos, que viviam só para Deus.
Pregavam contra a venda das indulgências, pois ... o dinheiro obtido com a venda de indulgências aos cristãos serviria para financiar uma nova cruzada da Igreja e enriquecer ainda mais alguns bispos que se haviam afastado da verdadeira doutrina pregada por Cristo (Ibidem). Os hereges pregavam que bispos e monges deviam abandonar os direitos feudais, dividir os haveres entre os pobres e viver como os apóstolos, trabalhando e propagando a fé (Idem, p. 384). Huss recusa-se a aceitar o princípio de que o papa é a cabeça da Igreja (Idem, p. 391).
Por esta razão o herói da fé foi perseguido pelo poder papal. Intimado a apresentar-se diante de um tribunal da Igreja para defender-se, apresentando suas razões, foi aconselhado a não comparecer. O Imperador Sigismundo, entretanto, sob juramento deu-lhe um salvo-conduto, assegurando-lhe a vida e a segurança. Sigismundo, concedendo salvo-conduto a João Huss, para ir defender no Concílio de Constança sua posição, permitiu, contudo, que fosse queimado vivo (Grandes Personagens, p. 92).
João Huss, amarrado à fogueira, foi conclamado a abjurar a sua fé, se não quisesse morrer queimado. Mantendo-se fiel, morreu como herói e mártir, cantando hinos de louvor a Deus e dando exemplo de como se porta um Santo do Altíssimo, quando defrontado com a morte. Como prémio pela sua indignidade o imperador foi agraciado pelo papa como um benfeitor da Igreja. Diz a História: ... o novo papa recebeu o nome de Martinho V. Sigismundo, (o perjuro) mereceu do novo pontífice a Rosa de Ouro, a maior condecoração da monarquia vaticana (Idem, p. 391).
Outro pregador das verdades bíblicas e que sacudiu a opinião pública sobre os desmandos do papado foi Wiclif Mestre em Oxford e famoso pregador, condensou em sua doutrina toda a indignação dos católicos ingleses contra a riqueza e a corrupção do papado. Escreveu várias obras negando a ascendência papal sobre os reis, propondo o confisco dos bens da Igreja pelo Estado e invalidando a hierarquia católica. Pregava o retorno à pobreza e o livre acesso dos fiéis a Deus, mediante as Escrituras. Denunciou o comércio de indulgências perdão dos pecados em troca de dinheiro para a Igreja e desacreditou o culto aos santos e à peregrinação. Contemporâneo do Grande Cisma (quando mais de um papa se proclamou chefe da Igreja), Wiclif desafiou o clero até o fim da vida. Suas doutrinas foram condenadas como heréticas pelo papa Gregório XII (Grandes Personagens, p. 91).
Nessa época a religião havia perdido todo o sentido e semelhança com a religião de Cristo e dos apóstolos, ensinada pela Bíblia Sagrada, que estava escondida do povo. Sua leitura fora proibida pelo Concílio de Valença, desde 1.229, quando foi colocada no índice dos livros proibidos. A ignorância é tão profunda entre o povo, a religião tão envolta em superstições... O próprio papa Leão X, sentia-se mais à vontade entre artistas e cortesãos do que ao lado de teólogos... (Grandes Personagens, Erasmo , p. 470).
Os movimentos de oposição aos abusos papais aumentavam: Na Inglaterra, Henrique VIII proclama-se chefe supremo da Igreja inglesa, que passa a se denominar Anglicana . O aprofundamento do estudo dos textos bíblicos contribuiria para a realização da Reforma Protestante. (Erasmo , p. 476).
O mais eficaz e expressivo de todos os movimentos surgiu na Alemanha, aumentando a preocupação e as perseguições do clero: Outro problema extremamente grave vinha juntar-se à lista: tomava corpo, na Alemanha, uma heresia religiosa conhecida pelo nome de Reforma. Propagada por um monge chamado Lutero, a nova doutrina pregava um culto mais simples, revoltava-se contra a vida de luxo de alguns setores do clero, contestava a autoridade do papa ( Carlos V , p. 581). Não era apenas o aspecto espiritual que preocupava a Igreja: com a Reforma, perdera muitas propriedades e deixara de recolher impostos ( Galileu , p. 657). Ulrich Zwinglio pregava o abandono de todo ritual. A fé individual deveria ser incentivada sem símbolos ( Lucrécia Bórgia , p. 119).
Semelhante aos movimentos reformadores surge próximo a Roma um pregador, Francisco de Assis, que não foi perseguido e nem teve o mesmo destino dos chamados heréticos. É que por estar próximo à Roma foi ele controlado pela hierarquia vaticana: 1.208 O papado está no auge de seu poder temporal: Espanha e Portugal são Estados vassalos da Igreja. Francisco neste mesmo ano, faz voto de pobreza e começa a pregar sua doutrina. Acompanhado dos primeiros discípulos, pede autorização ao papa para fundar uma nova irmandade mendicante. Preferindo isto a vê-los cair na heresia, Inocêncio III acede verbalmente à solicitação (São Francisco, p. 304).
 
1.215 No intuito de resguardar a autoridade papal, o Concílio de Latrão reconhece a Ordem dos Franciscanos. Inocêncio espera utilizá-la a serviço de seus próprios interesses (Ibidem). A vida de Francisco de Assis é em tudo semelhante à de Pierre Valdo, pregador considerado herético por Roma. A doutrina que pregam é a mesma. A única diferença entre os dois é que o primeiro, mais próximo de Roma, foi por ela controlado e serviu aos seus propósitos.
O segundo foi condenado como herege porque não aceitava a corrupção papal. Assim registra a História: Um rico burguês de Lyon, Pierre Valdo, distribuiu todos os seus bens entre os pobres e tomou o caminho do apostolado e da pregação errante. Com o Novo Testamento traduzido para a língua provençal, seus discípulos percorriam a Europa. A iniciativa dos pobres de Lyon como eram chamados os valdenses, muito semelhante à de São Francisco de Assis, contrariou o papado, porque fugiu ao controle eclesiástico; foi perseguido pelo Concílio de Verona (Grandes Personagens da História Universal, p. 71).
Francisco refletia sobre a vida que levava antes de sua conversão: Como pude gozar tanto de riqueza, enquanto os miseráveis erram pelas estradas à cata de um pedaço de pão? Como pode haver tanta injustiça, tanto luxo, ao lado de tanta pobreza? (Grandes Personagens, São Francisco , p. 306).
A vida luxuosa do clero deixava-o cheio de perplexidade: Francisco ouve e medita. Então é isto... diz em voz baixa, Cristo também desprezava as riquezas e pregava a Seus apóstolos uma vida simples, sem nenhum artifício material! Mas a Igreja e os prelados de hoje não parecem apreciar muito este preceito (São Francisco , pp. 308 e 311). Como a vida de Jesus era diferente da vida dos papas! reflete ele. De um lado, a maior humildade; de outro, a maior das opulências! a Igreja se desviou incrivelmente dos ensinos do Cristo . Em toda parte começam a surgir reações a este tipo de coisas. Monges, isoladamente, ou mesmo algumas confrarias, resolvem corrigir os abusos e fazer voltar a igreja à austeridade e às práticas espirituais. Insurgem-se contra a doutrina teocrática, pela qual o papa pretende ser o soberano do mundo. Pregam a volta à simplicidade do Evangelho. Assim, os valdenses, ou pobres de Lyon , pretendem despojar a Igreja das riquezas terrenas . Inocêncio bem podia consentir certas reformas, cedendo às súplicas dos monges, mas que não se tocasse em seu poder, sobretudo político! As seitas reformadoras são logo qualificadas de heréticas e seus componentes perseguidos impiedosamente. Ele próprio (Francisco) dava exemplo do que pregava... Queria uma religião pura, sem instituições ou hierarquia, para não cair nos mesmos erros do clero. A Igreja enfrentava, na ocasião, o difícil desafio das seitas heréticas valdenses, cátaros, pataros, na França meridional e na Itália se tentrional , monges que levavam uma vida simples, e criticavam asperamente a dissolução de costumes no seio da igreja oficial (Idem, p. 311).
A História reconhece a distância existente entre o que a Igreja de Roma vivia e o que ela ensinava, numa época em que são visíveis os contrastes entre a teoria e a prática da Igreja (Idem, p. 312). Inocêncio já compreendera que um movimento dessa importância, fora da Igreja, poderia constituir um perigo; dentro dela, e bem tutelado, poderia servir admiravelmente a seus objetivos (Idem, p. 315). A partir de então, a ordem expandiu-se consideravelmente. Não exatamente no sentido que desejara o fundador, mas como instrumento do poder papal (Idem, p. 316).
A venda de indulgências foi a principal causa da reforma protestante. O flagrante absurdo promovido pelo papado na busca desenfreada de dinheiro, vendendo a quem pudesse pagar um lugar no paraíso revoltou algumas poucas pessoas que tiveram acesso às verdades das Escrituras e o conhecimento de que a salvação é de graça e se obtém pela fé.
Uma dessas pessoas foi o monge Martinho Lutero, que se escandalizou ao viajar para a cidade dos césares e dos papas: A Roma que Lutero conheceu, em fins de 1.510, não era mais a cidade dos mártires, o centro espiritual da Europa Cristã. É uma cidade governada por papas desejosos de estender o seu domínio sobre as regiões vizinhas. Para isso utilizam todas as armas, desde a excomunhão até os venenos: abençoam os exércitos dos reis europeus que ensanguentam o solo italiano. O papa Júlio II não se contenta em fazer a guerra: ele a comanda em pessoa, vestido de armadura e capacete. Bispados e dioceses estão à venda. Seus titulares, grandes senhores da nobreza, vivem na corte pontifícia, em meio a intrigas e galanterias. Nos locais de peregrinação e nas igrejas as prostitutas fazem seu comércio . No entanto, a venda de sacramentos era apenas um aspecto secundário, fruto da ignorância do clero da época. Muito mais grave era a venda das indulgências, destinadas a assegurar o perdão às almas do Purgatório . No fim do século XV, a Igreja havia afirmado solenemente a eficácia das indulgências. Prometia-se aos vivos a redução das penalidades futuras no Purgatório. Para os mortos, porém, era a salvação: bastava saber a soma completa dos pecados de alguém e comprar a indulgência correspondente. Algumas bulas pontifícias, mais tarde, ofereciam não só a redução das penas, mas a completa remissão dos pecados. Asseguravam a quem tivesse dinheiro suficiente, a total reconciliação com Deus, a entrada direta no Paraíso. Durante muito tempo as populações do Ocidente medieval acreditaram que poderiam comprar a salvação acumulando relíquias e indulgências em troca de uma esmola. Interessada na difusão do culto dos santos, a Igreja associou a veneração das relíquias com o comércio das indulgências . Cada uma destas relíquias representavam séculos de indulgências (Grandes Personagens da História Universal, p. 529).
Contra este estado de coisas insurgiu-se o padre católico Martinho Lutero: Os sacramentos distribuidores da graça perderão para ele toda a importância. Assume seu lugar a iluminação interior. O diálogo entre Deus e o crente vem substituir a liturgia e os sacramentos, vem substituir a longa cadeia de intermediários entre os cristãos e o seu salvador (Idem, p. 530). Unicamente a fé e não as obras, sobretudo as feitas em troca de dinheiro. Aquele que se julga salvo por ter comprado indulgências se refugia numa falsa segurança . O ponto central dos ataques era a própria concepção de comércio de indulgências: Lutero negava o poder do papa sobre o Purgatório, não vendo na hierarquia eclesiástica autoridade suficiente para apagar as penas decorrentes dos pecados. Se o papa tem o poder de livrar alguém do purgatório, por que então, em nome do amor, ele não extingue o próprio Purgatório? No Evangelho, único tesouro do cristão, não existe uma só palavra sobre essa capacidade de perdão pela compra de relíquias (Idem, p. 531).

03/10/2012

Começo do Poder Eclesiástico



O bispo de Roma Leão Magno foi o primeiro que falou no direito que os bispos têm de mandar nos cristãos 

Desde o começo, os apóstolos estabeleceram auxiliares. Assim nos informa Clemente Romano. Estes auxiliares eram chamados "episcopói" ou ''presbiterói". Também as cartas de Inácio de Antioquia (100-115) dizem a mesma coisa, talvez repetindo Clemente...Também Cipriano, bispo de Cartago, repete Clemente.

Para todos, porém, é coisa evidente que os bispos são autónomos em suas assembleias (Igrejas); "quando muito, comunicam-se uns com os outros mediante cartas exortatórias ou doutrinais, ou simplesmente pedindo esclarecimentos.

Assim Clemente de Roma escreve ao bispo de Corinto; assim Dionísio, bispo de Corinto, escreve ao bispo de Roma... Surge, aos poucos, para facilitar as consultas entre si, o cargo dos metropolitanos, cujas sedes são: Antioquia, Cesareia, Jerusalém, Alexandria e Roma.

Os bispos que pertencem a uma sé metropolitana, vez ou outra se reúnem em sínodos para confrontarem suas ideias, ou para julgarem as ideias de algum cristão que pensa diferente (herege), ou para solucionar casos duvidosos.

Só com o concilio de Nicéia, em 325, é que a coisa toma vulto oficial e imperial... Notamos aqui, de passagem, que os primeiros nove concílios se realizaram todos no Oriente e os bispos de Roma não estiveram presentes em nenhum deles, tão insignificante era a igreja de Roma!

Foi a partir do século V que os bispos de Roma tentaram reservar-se o poder de confirmar as conclusões destes concílios, baseando-se no fato de serem bispos da antiga capital do mundo. Veremos isto mais à frente.

Voltemos agora ao bispo Clemente Romano, iniciador da ideologia do poder, dando continuidade ao artigo passado.

Eusébio, bispo de Cesareia (265-340) e fundador da História Eclesiástica, nos deixou escrito (livro III; c. II) que, com a morte de Tiago, primeiro bispo de Jerusalém, "os apóstolos, os discípulos e os parentes vivos do Salvador juntaram-se para dar-lhe um sucessor e, por consenso unânime, elegeram Simão Pedro". (Parêntese: então, o primeiro sucessor de Jesus e papa, seria Tiago!?!).

Ora, na citada carta aos Coríntios, o bispo de Roma, Clemente, nos confirma que esta regra ainda perdura na Igreja de Jesus. Não só isso, mas, em Nicéia (325), os bispos presentes confirmaram ser este costume ininterrupto.

Hoje, sabemos que o XXII cânon do Concilio de Cartago "proibia aos bispos ordenar padres sem o consentimento dos demais sacerdotes e sem a presença e aprovação dos leigos".

E o bispo de Roma, Leão Magno (440-461) fez uma lei para a sua Igreja, onde se lê que "aquele que por direito terá que mandar em todos, haverá de ser eleito por todos".

É um ato de democracia eclesiástica, sem dúvida, que esconde uma realidade que já era aceita por todos – leia-se, de novo, o que São Leão Magno escreveu: "aquele que por direito terá que mandar em todos...". Fala-se de "direito" e fala-se de "mandar".

Ora, mandar é um ato de jurisdição que implica em "poder" - neste caso, poder eclesiástico que se fundamenta em direitos...

O que é poder eclesiástico? O que são estes direitos? Poder eclesiástico é de difícil definição... É um poder muito elástico, que pode ser esticado no tempo e no espaço, quilómetros afora... Na sua formulação inocente parece algo que tem a ver com a vida da alma... um poder espiritual.

Mas, ao longo dos séculos, passou da alma dos fiéis ao corpo dos fiéis (lembra da Inquisição?) e do corpo dos fiéis passou à terra dos fiéis (lembra a doação de Constantino? e da terra dos fiéis passou aos reinos, ao Ocidente, à terra inteira... (lembra do Tratado de Tordesilhas, em 1494?).

E o poder eclesiástico (elástico como é) se fundamenta em direitos adquiridos. Quais são estes direitos adquiridos dos presbíteros e dos epíscopos?

Para entender isto, voltemos ao começo. Já na época do bispo romano Clemente não era reconhecido à igreja de Roma, no âmbito da cristandade, nenhuma autoridade sobre as demais igrejas do Oriente ou do Ocidente.

Veja-se por exemplo, a luta escandalosa entre Cornélio e Novaciano, na metade do III século, querendo ambos ser bispos de Roma. Foram excomungados por um sínodo romano, mas a resposta definitiva reconhecendo Cornélio como legítimo bispo de Roma, veio do sínodo de Cartago (África).

O mesmo aconteceu quando um sínodo espanhol depôs Marcial, bispo de Mérida, e Basilídio, bispo de Lyon, por terem traído a fé na perseguição de Gallo. Os dois apelaram ao bispo de Roma, Estêvão, que os reintegrou. Mas um outro sínodo de Cartago (África) anulou o ato do bispo de Roma, confirmando a decisão do sínodo espanhol.

Cornélio, bispo de Roma (251-253), gritava que era a ele que competia decidir estas coisas, por ser Roma a capital do império, mas ninguém lhe deu ouvidos.

Assim, quando se tratou de fixar a data da Páscoa, não é o costume da Igreja de Roma que vale, mas o que determinam os concílios provinciais de Cesareia, dq Ponto, da Gallia e da África, que, seguem o exemplo de Alexandria (Egito), enquanto as pretensões de Victor I, bispo de Roma (189-199) foram derrubadas pelo bispo de Éfeso.

Assim, depois da perseguição de Décio é ainda o concilio de Cartago, convocado pelo bispo Cipriano, que resolve a questão da reconciliação dos apóstatas e o bispo de Roma nem mesmo é consultado.

Aconteceu o mesmo com o batismo dado pelos hereges: é ainda o bispo de Cartago, com os demais bispos africanos, que impõe as regras. (Veja: Santo Agostinho; "De Batismo" livro II; c. XV).
Temos dezenas de outros exemplos parecidos com esses que acabamos de citar, como, por exemplo, o caso de Paulo de Samosata; o cisma donatista; a teologia de Ário; etc.

Em todos esses casos, eram os concílios episcopais das diferentes igrejas que impunham o seu parecer, desfazendo, frequentemente, o parecer do bispo de Roma. (Veja: Fleury; "História Eclesiástica"; livro VII; 56).

É pena que quem redigiu a lista dos papas na enciclopédia Mirador, tenha colocado sob o título "principais eventos" muitas afirmações que não têm nenhuma prova histórica.

Esses fatos acima relatados nos colocam já diante de uma situação aceita no mundo cristão de então; uma situação que enquanto mostra a falta do primado romano, nos primeiros séculos, salienta o direito de cada bispo (esteja ele onde estiver) para decidir questões dogmáticas e disciplinares.

Como chegaram mais tarde os bispos a tanto poder? Este será o assunto do próximo artigo.

Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES

Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.

 Nota do IASD Em Foco
Agradecemos à distinta família do insigne Professor Carlo Bússola que, gentilmente, nos autorizou a republicar este riquíssimo material aqui no IASD Em Foco e, na série completa composta de 171 artigos, vamos colocar semanalmente este precioso acervo e legado, fruto de arguta e profunda pesquisa, à disposição dos fiéis leitores deste site. No entanto, lembramos, é vedada a republicação ou postagem deste material sem a expressa autorização dos editores deste site e, posterior, consulta à família do Professor Carlo Bússola – detentora e fiel depositária dos direitos autorais desta obra. Consoante a isso, lembramos ainda que o uso e/ou distribuição deste material – sob quaisquer formas – fora dos limites aqui expostos configura crime, sendo os infratores passíveis das penalidades previstas nas leis.


01/10/2012

VIAGEM AO SOBRENATURAL




As experiências e recordações da infância e da guerra haviam levado Roger Morneau para longe de Deus de tal maneira, que ele agora O odiava. Depois da guerra, Roger foi levado, através de um amigo, a adorar os demónios  Então, ele descobriu as boas novas de um Salvador amoroso, e sentiu o desejo de cortar os laços de adoração aos espíritos.

Neste livro, ele narra sua própria história de como o socorro divino o livrou do terrível mundo do satanismo.

Roger J. Morneau faleceu em 22 de setembro de 1998, aos 73 anos de idade.



ÍNDICE

01. Molestado Pelos Espíritos 8

02. Minha Infância 11

03. Viagem ao Sobrenatural 17

04. A Sala de Adoração dos Espíritos 24

05. Espíritos em Ação 34

06. Pressionado a Assumir um Compromisso 42

07. Da Adoração aos Demônios ao Estudo da Bíblia 46

08. O Estudo da Segunda-Feira 53

09. Estudando em Tempo Emprestado 56

10. O Dia das Promessas 61

11. O Sábado Bíblico 67

12. Novo Amanhecer e Nova Vida 70

13. Episódio de Morte 77

14. Contando as Minhas Bênçãos 83

Epílogo 87

Material Extra 88

> Mapas 89

> Fontes das Imagens 90

> Entrevistas em Vídeo e Artigo em PDF 91

> Informações Adicionais 92

Observação: A versão digitalizada desta obra contém ‘links’ para informações na Internet e alguns detalhes revelados por Roger Morneau em sua “entrevista-testemunho” pessoal, que não foram incluídos neste livro pela editora.

Digitação e Produção em PDF: Gilliard Santos de Farias

14/09/2012

Foi São Pedro Bispo em Roma?

Não existem documentos históricos da época que atestem que Pedro foi bispo em Roma

O dogma católico é claro: "É objeto de fé católica que por vontade de Jesus, Pedro devia ter perpetuamente um sucessor no cargo de pastor supremo e este sucessor é o bispo de Roma". (B. Bartmann; "Teologia Dogmática" vol. II; Ed. Paulinas; SP; 1964; pág. 481).

Com efeito, o Concilio Vaticano I decretou isto na sessão 4, C.2. Este decreto inclui um ponto dogmático: que o apóstolo Pedro sempre terá um sucessor; e um ponto histórico: que o bispo de Roma é o sucessor de São Pedro.

Os teólogos [católicos] provam o primeiro ponto pelo fato de que a Igreja de Jesus, sendo eterna, terá eternamente alguém que cuide dela e este só poderá ser o sucessor de São Pedro. Também os teólogos provam o segundo ponto dizendo que Pedro foi bispo em Roma, onde morreu mártir, deixando um outro bispo como seu sucessor.

O primeiro ponto ainda hoje é muito questionado. Os católicos afirmam e os racionalistas negam; ainda mais, dizem que nas palavras de Jesus nunca aparece a suposta figura do sucessor. O que interessa, agora, é saber se realmente Pedro esteve em Roma como bispo ou como "visitante". Nesse caso, portanto, a questão é histórica.

Temos quatro escritores que nos relatam que na sua época havia uma tradição que afirmava que Pedro tinha estado em Roma; são eles: Orígenes no III século; Lactâncio e Eusébio, ambos no IV século; Gerónimo, no V século.

É importante frisar que se trata de historiadores que viveram 300-400 anos depois de São Pedro e que relatam "tradições".

Orígenes (que morreu 187 anos depois da morte de São Pedro) costumava dizer que "Pedro foi crucificado em Roma de cabeça para baixo, a pedido seu" (Eusébio; II; 25. Veja também: Eusébius; "Eclesiastical History"; New York: 1839).

Lactâncio (que morreu 258 anos depois da morte de São Pedro) opina (isto é: acha) que Pedro foi a Roma no tempo do imperador Nero (veja: Lactantius: "De mortibus persecutorum"; 2. Veja também: Lactantius; "Works", em "Ante-Nicene Christian Library"; vols. XXX-II; London; 1881).

Gerónimo (que morreu 353 anos após a morte de São Pedro) diz que Pedro chegou em Roma no ano 42 d.C. (Shot-well J. And Loomis L.; "The see of Peter";Columbia U.P.;1927; pg. 64-65).

Eusébio (que morreu em 340, isto é: cerca de 270 anos após a morte de São Pedro, no começo do III livro da "História Eclesiástica" escreve: "Parece (note-se este "parece"!) que Pedro tenha pregado o evangelho aos judeus da dispersão e por fim foi para Roma, sendo lá crucificado de cabeça para baixo".

E acrescenta algo importantíssimo: "Depois do martírio de Pedro e Paulo, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma".

Então, se Lino foi o primeiro, Pedro era apenas, "visita" e não bispo de Roma!

O historiador Peter De Rosa em seu livro "Vicars of Christ" (London; Bantan Press; 1988) à página 15 diz que segundo vários autores Pedro só teria chegado em Roma nos últimos anos de sua vida e a sua função de bispo não passa de uma lenda; prova disto é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal.

Mas precisava dar vida e força a uma lenda para fundamentar a ideologia do poder, afirmam os racionalistas... É o que veremos mais adiante. O que nos interessa agora é a história de Pedro em Roma.

A arqueóloga romana Margherita Guarducci, professora de Epigrafia e Antigüidades Gregas na Universidade de Roma, que trabalhou junto a outros arqueólogos nas escavações feitas na Basílica de São Pedro para encontrar os restos mortais do apóstolo Pedro, escreveu dois artigos na revista internacional "Trinta dias na Igreja e no mundo", precisamente: fevereiro-1990, pg. 40-45 e agosto-1991, pg. 66-69.

O que vou relatar aqui é o resumo desses dois artigos.

Papa Pio XII "superando o receio e o acanhamento de seus predecessores" ordenou as escavações sob o altar-mor da Basílica de São Pedro. Infelizmente as escavações foram comprometidas pelo uso de ferramentas inadequadas e pela ausência de rigor científico e falta de coesão entre os arqueólogos.

Todavia, o local do túmulo foi encontrado em 1950 e Pio XII deu a notícia ao mundo. Apressadamente. Apressadamente, pois os ossos de Pedro não haviam sido encontrados. As obras pararam.

Dois anos mais tarde, em 1952, a arqueóloga Margherita Guarducci reiniciou as buscas e encontrou no muro do túmulo a inscrição em grego "Petrós ení" (Pedro está aqui); mas os ossos não estavam...

Somente em 1953 foi encontrado, numa caixa de madeira, parte de um esqueleto que examinado por antropólogos revelou pertencer a um só indivíduo de sexo masculino, de cerca de um metro e sessenta e cinco de altura, de constituição robusta e de idade entre 60 e 70 anos. A ossada estava envolvida em precioso manto de púrpura bordado em ouro.

A descoberta provocou toda uma série de contestações dentro e fora da Igreja Católica.

A arqueóloga comunicou oficialmente a descoberta a Paulo VI, que lhe disse: "A senhora não sabe quanta alegria me dá!... Aqueles ossos são como ouro para nós!" E comprometeu-se a dar logo o anúncio numa sessão do Concilio Vaticano II. Mas o anúncio não foi dado.

Certamente foi pressionado a esperar mais, talvez porque isso poderia aborrecer os protestantes, que sempre se pronunciaram contra essa tese.

Finalmente no dia 26 de junho de 1968 Paulo VI anunciou publicamente que os restos mortais de São Pedro haviam sido encontrados debaixo do altar-mor da Basílica de São Pedro. Aos poucos, porém, tudo foi esquecido.

A Santa Sé proibiu que a arqueóloga Margherita Guarducci visitasse os subterrâneos. Dez anos mais tarde, querendo completar seu livro "Pedro no Vaticano" com fotografias tiradas no local, ela soube que não poderia fotografar nada. Recorreu aos cardeais A. Casaroli e J. Ratzinger [atual papa, Bento 16] que queriam ajudá-la; mas não conseguiu nada!

Quando Paulo VI morreu, o silêncio voltou a reinar absoluto sobre as descobertas. 0s guias que acompanham os peregrinos aos subterrâneos não sabem nada ou estão proibidos de falar sobre as descobertas. Alguns até "dizem que a autenticidade dos ossos não foi confirmada" (30 dias, etc; fev. 1990; pg. 45; III Col.)

Então Pedro esteve, ou não, em Roma? A citada revista (que é ultraconservadora) no número de março 1996, pg. 50, escreve: "Todavia enquanto sobre Paulo temos notícias mais precisas (...) quanto à presença de Pedro em Roma não possuímos testemunhas de contemporâneos".
Por isso, acrescenta, "é difícil afirmar quando Pedro chegou em Roma. O certo é que Pedro não ficou ininterruptamente em Roma já que em 49 o encontramos em Jerusalém".

Tudo não passa de "tradição"... disse que disse... Por isso os racionalistas dizem que provavelmente Pedro veio a Roma como "visita", jamais como bispo.

A tradição nasceu numa época que representava o momento melhor na história da Igreja: o imperador Constantino, amigo do papa Silvestre I, bispo de Roma; em seguida: Teodósio e Justiniano.

Era o momento histórico único para colocar as bases da ideologia do poder eclesiástico romano.

Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES

Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.

Comentários do IASD Em Foco
Sabemos que há muitos cristãos sinceros entre os católicos – com os quais o Espírito Santo tem trabalhado e pelos quais temos orado diariamente – e, quando falamos isso, nos referimos tanto aos membros, leigos, como ao clero desta Igreja.

Agora, embora seja bastante difícil e até doloroso admitir isso – como o foi para Martinho Lutero, que era padre e teólogo católico, e para milhões de outros cristãos egressos do catolicismo através dos séculos – toda a base desta Igreja foi construída em cima de imposturas, falsos testemunhos, adulteração dos fatos, mentiras e desvios doutrinários.

Até mesmo quanto à tradicional e arrogante alegação feita pelos líderes e membros de que a Igreja Católica Apostólica Romana é a primeira e única Igreja instituída por nosso Senhor Jesus Cristo, como se pode ver claramente a partir desta criteriosa obra de pesquisa documental do Professor Carlo Bússola, a sua fragilidade e/ou total inconsistência vem à tona com força; ela torna-se evidente e patente, quando confrontada com a pregação, testemunho e estilo de vida dos primeiros (cristãos) seguidores de Cristo.

Nesse sentido, a Bíblia é clara e taxativa: “... aquele que diz que permanece nEle [é cristão], esse deve andar assim como Ele andou” (I João 2:6).

O próprio Cristo torna isso claro ao definir em termos espirituais quem são e como agem, de fato, os Seus verdadeiros irmãos, Sua verdadeira família, aqui na Terra: “Falava ainda Jesus ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e querem falar-Te. Porém Ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de Meu Pai celeste, esse é Meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:46-50).

Dessa forma, a verdadeira sucessão apostólica é encontrada tão somente naqueles que vivem e ensinam a doutrina dos apóstolos. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20).

Para Saber Mais Sobre o Tema Tratado Neste Artigo:
http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=145
http://www.iasdemfoco.net/mat/querosaber/abrejanela.asp?Id=138

31/08/2012

Sto. Agostinho: a Teologia Como Base do Poder Político Eclesiástico

No livro “A Cidade de Deus”, Agostinho dá a entender que a Igreja é a única representante de Deus na Terra
Para entender o pensamento de Sto. Agostinho lembramos uma particularidade histórica de valor fundamental: até o século IX ser bispo cristão ou mesmo ser um fiel cristão, não significava estar em comunhão com o bispo de Roma.

Essa "comunhão" é uma invenção muito tardia no cristianismo; além do mais, a autoridade e o valor eclesiástico de um bispo qualquer não eram maiores do que aquilo que tem um padre (vigário) qualquer da nossa cidade, com excepção do poder político do bispo de Roma que representava na Itália o imperador que vivia no Oriente.

Era-se cristão pela adesão aos decretos dos grandes concílios: de Nicéia (325) em primeiro lugar; mas também de Constantinopla (381) que tratou do Espírito Santo; de Efeso (431) que condenou o nestorianismo e o pelagianismo; de Calcedónia (451) que afirmou que Jesus tinha uma natureza humana e uma natureza divina unidas na única pessoa do verbo; e de Constantinopla II (553).

Os bispos eleitos costumavam escrever uns para os outros afirmando sua fé e lealdade aos decretos dos concílios. Os bispos de Roma faziam a mesma coisa: mandavam e recebiam cartas de outros bispos.

Daí o erro de muitos historiadores católicos que imaginam serem estas cartas romanas documentos comprobatórios do "primado": erro imperdoável porque distorce a verdade.
Voltemos a Sto. Agostinho (354-430) nascido no norte da África, numa terra que era uma mistura de raças (númida; púnica; romana) e uma mistura de religiões (orientais; egípcios; pagãos romanos e cristãos).

O "púnico" é a antiga língua da Fenícia cuja cultura sobrepujava em Cartago. Leia-se o interessante romance histórico "O Cartaginês" de Manáf Hardan; Ed. Edicon; SP; 1985.

Mas não deixe de ler também J. Mac Cabe: "St. Augustine and his Age"; London; 1926; onde se lê, à página 35, que Salviano, sacerdote cristão e teólogo, morto em Marsélia em 494, escreveu que "a África é a cloaca do mundo" e que Cartago é "a cloaca da África".

Apesar de ter nascido em Tagaste, foi em Cartago que Agostinho viveu até os 29 anos de idade quando se foi para Roma, onde lecionou Retórica por um ano, mas, não sendo pago pelos alunos, transferiu-se para Milão. O resto da história da sua vida, sua conversão ao catolicismo; sua volta à África; sua eleição a bispo é bem conhecida...

Mas é da sua influência no poder eclesiástico que agora quero falar.

Já no Concilio de Cartago, convocado em 411 pelo imperador Honório (e não pelos bispos!!!) para pôr fim à briga dos donatistas e seus 279 bispos, contra os 286 bispos católicos, notamos a posição de Agostinho: ele ensinava que sendo a Igreja Católica o "pai espiritual de todos os cristãos", ela tem o "direito de pai" para punir o filho desobediente e isso para o próprio bem dele (Epist. 173).

Quanto ao pensamento teológico de Agostinho, ele pode ser resumido em três pontos: primeiro, o universo e o homem no universo foram criados do nada; segundo, o homem é mau por sua essência; terceiro, a salvação do homem é puro dom gratuito de Deus.

Quanto ao primeiro ponto, Agostinho não conseguia conciliar a infinita pureza de Deus com a enorme "sujeira" da criatura toda mergulhada no sexo e nos vícios.

Portanto a criação devia estar "fora" de Deus, muito "fora". (O que filosoficamente é uma besteira porque pela definição do conceito, mesmo aproximativo, de Deus, não pode haver na Divindade um "dentro" e um "fora", já que Ela é tudo).

Quanto ao segundo ponto, é evidente que Agostinho era influenciado pela sua experiência psicológica negativa, de modo que projetava nos outros aquilo que ele achava em si mesmo.

Quanto ao terceiro ponto, parece que Agostinho antecede a doutrina calvinista de que Deus escolhe arbitrariamente desde a eternidade, o eleito a quem ele daria a graça da salvação (veja o "Sermão" 165).

Neste campo, seu grande adversário era Pelágio, um monge britânico que chegou a Roma no ano de 400 e defendia a tese contrária.

Houve muitos debates, muitos sínodos, muitas decisões e condenações e cada um ficou com suas ideias!

Mas o livro que resume seu pensamento filosófico e teológico é o "De Civitate Dei" (A Cidade de Deus) escrito entre 413 e 426. É uma obra que nasceu de um conflito pluricultural e num momento histórico muito triste: Alarico acabava de saquear Roma e os pagãos culpando os cristãos por faltarem aos antigos cultos e os cristãos de diferentes seitas acusando-se entre si.

Para escrever esse livro, Agostinho foi buscar em Platão a concepção de um Estado ideal que existiria "nalgum lugar, no céu"; foi buscar em São Paulo a ideia de uma comunidade viva de santos (Ef. 2,19); em Ticônio, que era donatista, buscou a doutrina das duas sociedades: uma de Deus, outra de Satanás.
Misturou tudo e ideou a cidade terrena onde os homens vivem para seus negócios, vícios e prazeres e a cidade divina que reúne os adoradores de Deus.

Que título haveria de dar ao livro? Marco Aurélio o ajudou (Meditações; 4,19): "Por que não chamar o mundo de bela cidade de Deus?" Só que Agostinho diz que a cidade de Deus teve início quando Deus criou os anjos e a cidade terrena quando os demónios se rebelaram (15,1).

Onde está hoje a cidade de Deus? Ela está na Igreja Católica, pois só ela pode identificar-se com a cidade de Deus (19,7 e 20,9).
Essa tese virou logo, logo, instrumento ideológico da política dos bispos de Roma que encontraram em "A Cidade de Deus" o fundamento ideológico de um Estado teocrático, o único que tem o direito de existir, enquanto os poderes seculares devem estar subordinados ao poder espiritual que só existe na Igreja Católica "romana".

Claro é que Agostinho não diz "romana". Foram os bispos de Roma que completaram esta idéia política. É esta a tese que mais entusiasmará Gregório VII, que, fundamentando-se nela, construirá, no século XII, o enorme império político dos bispos de Roma.

A verdade é que a tese de Agostinho foi desenvolvida aos poucos com a finalidade de tornar a Igreja de Roma uma verdadeira potência universal.

Infelizmente, desde então deu origem aos maiores abusos quanto à política e a muita violência durante toda a Idade Média, como iremos ver; isto porque a instituição espiritual e o conceito místico de "Cidade de Deus" se tornou uma verdadeira instituição jurídica política e financeira, que, como escreve H. Rohdin em "Filosofia Contemporânea" (v. II; pág. 22) "substituiu a força do espírito pelo espírito da força".

Mas se a Igreja Romana é a cidade de Deus na Terra, o seu clero pode viver em paz, gozando a vida. Explicam-se então os escritos de São Gerónimo contra os eclesiásticos romanos ("Epistucal"; 22,14):

"São reprováveis os eclesiásticos de cabelos encaracolados e perfumados que frequentam a alta sociedade e o padre que vive à caça de legados e de testamentos e se levantam logo ao romper do dia para visitar as mulheres antes de elas deixarem a cama".

Em "A Cidade de Deus" notamos que Agostinho desenvolveu suas idéias dentro de um contexto jurídico, pois se a Igreja Católica é a Cidade de Deus, então ela deve existir já nesta Terra e deve ser considerada uma sociedade jurídica com determinadas leis que tornem viável e sustentem a sua estrutura interna, externa e visível, mostrando e oferecendo o caminho para chegar ao reino de Deus, lá no Céu.

A idéia seguinte é que há uma Igreja visível que nasce de uma Igreja invisível. Tomás de Aquino e mais tarde o Concilio de Trento, no século XVI, desenvolverão estas idéias em favor da teocracia eclesiástica romana.

Jamais Agostinho imaginou (à diferença de Tomás de Aquino) que a Igreja romana tivesse o direito de punir com a morte os heréticos impenitentes (o que se fez na Inquisição).

Mas, enfim, mesmo que Agostinho jamais pensasse na Inquisição, é evidente que ofereceu o material teológico para que o bispo de Roma aprovasse a Inquisição.

Outra preciosidade que Agostinho ofereceu à Igreja de Roma foi a distinção entre "ex opere operantis" e "ex opere operantíl", que significa o seguinte: os sacramentos agem no cristão "ex opere operato" isto é: por si mesmos, ou seja, independente de estar o padre em graça ou em pecado ("ex opere operantis").

Ora, numa época de tanta imoralidade entre o clero (M. Lachatre; op. cit.; v.I; passim) nenhum fiel devia importar-se se o padre que lhe dava, por exemplo, o batismo, ou a confissão, era ou não pecador, porque o sacramento agia por sua conta, isto é: "ex opere operato": o padre era simples distribuidor.

Foi um presente e tanto para os eclesiásticos!

Entretanto, embora tendo oferecido armas valiosas aos eclesiásticos romanos, ninguém pense que ele fosse defensor do "Primado", ou, como diríamos hoje, defensor do papado. Muito pelo contrário! Nesses séculos o poder supremo do cristianismo residia nos concílios e isto continuou até o ano de 1870, quando o Concilio Vaticano I substituiu este princípio democrático pelo princípio ditatorial do primado romano e da infalibilidade papal.

O que pensaria Agostinho desta usurpação romana? Pegue o leitor a Petrologia Latina (Edição Migne; Paris; 1877; vol. V; pág. 479, ss.; número 76) e leia: o que Sto. Agostinho escreve de São Pedro apóstolo: "Porque tu, ó Pedro, me disseste: 'tu és o Cristo filho do Deus vivo' também eu te digo: 'Tu és Pedro', pois antes eras chamado Simão”.

“Esta é uma figura para que significasse a Igreja, porquanto a pedra é Cristo e Pedro é o povo cristão, pois pedra é o nome principal, tanto assim que Pedro vem de pedra e não pedra de Pedro, assim como o nome Cristo não vem de cristão mas cristão de Cristo.

“Diz, portanto, Jesus: “tu és Pedro e sobre esta Pedra que acabas de confessar, sobre esta Pedra que conheces-te dizendo: tu és o Cristo, filho do Deus vivo! Eu edificarei a minha Igreja. Quer dizer: sobre Mim, filho de Deus, Eu edificarei a Minha Igreja; sobre Mim é que Eu te edificarei e não a Mim sobre ti” (...); pois quando os homens queriam edificar sobre homens, diziam: “eu sou de Paulo; eu sou de Apolo; eu sou de Cefas...”

“Mas aqueles que não queriam edificar sobre Pedro, mas, sim, sobre a Pedra, dizem: “Eu sou de Cristo. Ora, quando o apóstolo viu que ele estava sendo eleito e Cristo desprezado, disse: porventura está Cristo dividido?

“Será que Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes batizados em nome de Paulo? Assim não foram batizados em nome de Pedro e sim em nome de Cristo para que Pedro fosse edificado sobre a Pedra e não a Pedra sobre Pedro.

Neste trecho a ideia de Agostinho é clara: não é Pedro (e seus sucessores - que, aliás, Jesus nem sequer nomeia) que vale, e sim o Cristo e somente Ele.

Mas acontece que ninguém lê "A Cidade de Deus" à luz deste trecho! Por isso Agostinho continua sendo usado como respaldo da ideologia do poder eclesiástico romano.


Continua na próxima postagem desta seção...

Autor: Carlo Bússola, professor de Filosofia na UFES


Fonte: Publicado originalmente no jornal “A Tribuna” – Vitória-ES, numa série sob o título “Os Bispos de Roma e a Ideologia do Poder”.


Nota do IASD Em Foco

Agradecemos à distinta família do insigne Professor Carlo Bússola que, gentilmente, nos autorizou a republicar este riquíssimo material aqui no IASD Em Foco e, na série completa composta de 171 artigos, vamos colocar semanalmente este precioso acervo e legado, fruto de arguta e profunda pesquisa, à disposição dos fiéis leitores deste site. No entanto, lembramos, é vedada a republicação ou postagem deste material sem a expressa autorização dos editores deste site e, posterior, consulta à família do Professor Carlo Bússola – detentora e fiel depositária dos direitos autorais desta obra. Consoante a isso, lembramos ainda que o uso e/ou distribuição deste material – sob quaisquer formas – fora dos limites aqui expostos configura crime, sendo os infratores passíveis das penalidades previstas nas leis.

16/08/2012

PROJETO DA IGREJA CATÓLICA NA CRIAÇÃO DO ISLAMISMO




A Criação do Islam pelo Vaticano – Pelo Ex- Padre Alberto Rivera

Páginas 18 a 32 da Revista em Quadrinhos “Série Alberto Rivera Parte 6: O Profeta Maomé” com revelações do ex-Padre sobre o que aprendeu sobre a Origem do Islão.

Na página 32, primeiro quadro, é dito que Jerusalém cairá nas mãos dos Papas. Isso está de acordo com a doutrina adventista do sétimo dia sobre Daniel 11:40-45. Porém, quando o texto diz que o último papa será o anticristo, não está de acordo com a doutrina da denominação adventista do sétimo dia, embora muitos adventistas tenham pensamentos semelhantes. A Doutrina adventista ensina que Lúcifer se transformará em Jesus Cristo. Obviamente a aparição do falso Cristo visa fortalecer o poder do último Papa, sendo irrelevante se esse Papa será ou não também Lúcifer ou algum assecla transformado. Judas Iscariotes foi possuído por Satanás em um momento específico. Talvez o mesmo se dê com o último Papa. Possuído indiretamente pelas legiões de anjos caídos, estará totalmente influenciado a ir a guerra contra os santos. (E em um momento que o Espírito Santo terá se retirado dos maus).

Texto usados no raciocínio:

Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze.
Lucas 22:3.

O mundo está cheio de tempestade, guerra e contenda. Contudo, ao mando de um chefe – o poder papal - o povo se unirá para opor-se a Deus na pessoa de Suas testemunhas. Essa união é cimentada pelo grande apóstata. Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 171.