Jerónimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nasceu de pais cultos e mundanos, mas de grande influência. O seu avô paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e os pais de Jerónimo planeavam que o filho ocupasse o lugar do avô. No colégio, era aluno esmerado. Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e pecado, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava muito tempo sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em contemplação perante Deus, ora cantando, ora chorando, conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda jovem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.
23/11/2011
18/11/2011
23/10/2011
21/09/2011
AS CRIPTAS DE LUCINA
Ao longo da Via Appia, após meados do séc. 2º, tiveram origem as Criptas de Lucina. O nome de Lucina deve-se à notícia trazida pelo Liber Pontificalis na biobrafia de Cornélio: "A bem-aventurada Lucina, com a ajuda de alguns eclesiásticos, recolheu à noite os restos do bispo (dirigente da igreja local) Cornélio para depô-los numa cripta escavada numa propriedade sua no Cemitério de Calisto na Via Appia, em 14 de setembro".
As criptas são formadas por dois hipogeus "alfa" e "beta", pequenas áreas subterrâneas destinadas a sepultura, contendo alguns cubículos, que se comunicam entre si por galerias e possuem exteriormente duas escadas. No séc. 4º essas criptas foram unidas ao Cemitério de Calisto através de uma galeria que permitia aos peregrinos, que tinham visitado as criptas, atingirem diretamente a sepultura de Cornélio aí sepultado.
Lapide Cornelius Martyr
Cornélio, eleito bispo em 251, depois de um ano de à frente da igreja de Roma, foi exilado em Civitavecchia onde morreu no ano seguinte. Devido aos graves sofrimentos padecidos foi considerado mártir. A Igreja de Roma celebrou a data da sua definitiva deposição no cemitério de Calisto em 14 de setembro. A sua sepultura tornou-se meta de constante peregrinação testemunhando o florescente culto aos mártires em Roma.
O corpo de Cornélio foi deposto num amplo nicho quadrangular do hipogeu b e diante dele foi colocada uma placa de mármor onde foram esculpidas as palavras:
Na pare à esquerda da sepultura estão representados os Sisto II e Optato. À direita da sepultura há uma mesa de forma circular: servia para apoiar as lamparinas a óleo que ardiam em honra dos mártires. Vêem-se na parte alta da parede, as figuras de Cornélio e Cipriano, bispo de Cartagena (mártir na perseguição de Valeriano em 258).
As quatro figuras são nimbadas, isto é, têm a auréola ao redor da cabeça; vestem hábitos eclesiásticos e com a mão esquerda seguram um livro ornado de pedras preciosas (o Evangelho). Acima da sepultura de Cornélio, encontra-se parte da lápide em que foram gravados os versos do Dâmaso, por ele ditados como lembrança da construção da escada que leva à cripta e da abertura de uma dupla clarabóia. O bispo que realizou os trabalhos levado pela própria solicitude pelas sepulturas dos mártires, e convida os fiéis a orarem por ele, enfermo e aflito por muitas preocupações.
Encontra-se nessas criptas um cubículo duplo, rico de pinturas do final do séc. 2º com as cenas do Batismo de Jesus, Daniel na fossa dos leões, duas figuras do Bom Pastor, outras duas orantes veladas, o ciclo de Jonas. Encontram-se aqui os famosíssimos peixes eucarísticos: dois peixes e diante de cada um deles um cesto com pães, com uma taça cheia de vinho tinto. Simbolizam a Sanata ceia.
19/09/2011
OS CRISTÃOS DO TEMPO DAS PERSEGUIÇÕES
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| Catacumbas de Roma. |
Desde do 1º séc. a religião cristã difundiu-se rapidamente em Roma e em todo o mundo, não só pela sua originalidade e universalidade, mas muito também pelo testemunho de fervor, de amor fraterno e de caridade demonstrada pelos cristãos para com todos. As autoridades civis e o próprio povo, antes indiferentes, começaram a demonstrar hostilidade à nova religião, porque os cristãos recusavam o culto ao imperador e a adoração às divindades pagãs de Roma. Os cristãos foram por isso acusados de deslealdade para com a pátria, de ateísmo, de ódio, de delitos ocultos, como incesto, infanticídio e canibalismo ritual; de serem causa das calamidades naturais, como a peste, as inundações, a carestia, etc.
A religião cristã foi declarada: strana et illicita: estranha e elícita (decreto senatorial de 35), exitialis: perniciosa (Tácito), prava e immodica: malvada e desenfreada (Plínio), nova et malefica: nova e maléfica (Suetónio), tenebrosa et lucifuga: obscura e inimiga da luz (Octavius de Minucio), detestabilis: detestável (Tácito); depois foi posta fora da lei e perseguida, porque considerada como o mais perigoso inimigo do poder de Roma, que se baseava na antiga religião nacional e no culto ao imperador, instrumento e símbolo da força e unidade do Império.
Os três primeiros séculos são a época dos mártires, que terminou em 313 com o édito de Milão, com o qual os imperadores Constantino e Licínio deram liberdade à Igreja. A perseguição nem sempre foi contínua e geral, isto é, estendida a todo o império, nem sempre igualmente cruel e cruenta. A períodos de perseguições seguiam-se períodos de relativa tranquilidade.
Os cristão, na grande maioria dos casos, enfrentaram com coragem, frequentemente com heroísmo, a prova das perseguições, mas não a sofreram passivamente. Defenderam-se com força, confrontando tanto a falta de fundamento das acusações que lhes eram dirigidas de delitos ocultos ou públicos, apresentando os conteúdos da própria fé ("Aquilo em que acreditamos") e descrevendo a própria identidade ("Quem somos").
11/08/2011
A IGREJA DO “DESERTO” ENTRE O ANO 160 E O SÉCULO XII
Não é fácil traçar um lugar exato para o movimento dos anabatistas, pois os mesmos mudavam-se durante os períodos de graves perseguições. Outro problema é o apelido que eles levavam. Houve tempo em que mais de um apelido foi usado para designar o mesmo grupo de pessoas, é o caso dos montanistas na Ásia, Paulicianos na Arménia e Donatistas na África do Norte, todos viveram na mesma época entre os séculos IV ao VIII. No período que vai desde o ano 160 até 1100, houve pelo menos quatro grandes e influentes grupos de anabatistas. São eles: Os Montanistas - principalmente na Ásia Menor; Os Novacianos - Na Ásia Menor e na Europa; Os Donatistas - por toda a África do Norte; e os Paulicianos - primeiramente no Médio Oriente, indo para o centro europeu e de lá para os Alpes no sul e regiões campestres no norte da Europa.
Os apelidos que receberam derivavam-se ou de um nome pessoal (exemplo: Donatistas de Donato) ou podia ser derivado de um lugar (exemplo: Albingenses da cidade de Albi no sul da França). Porém, o que mais importava nestes quatro grupos, não era o nome que recebiam, mas se realmente eram fiéis às doutrinas da Bíblia.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO MONTANISTAS.
Oficialmente os montanistas foram os primeiros cristãos a serem chamados de anabatistas pelos cristãos infiéis ou hereges. O apelido montanista vem do nome próprio MONTANO, que foi um pastor frígio que viveu por volta de 156 A.D.
Foi um movimento que varreu toda Ásia Menor num momento em que as igrejas estavam a ser destruídas pelas heresias da Salvação pelo batismo e a idéia de um bispo monárquico. Os montanistas insistiam em que os que tivessem decaído da primeira fé deveriam ser batizados de novo.
O historiador contemporâneo Earle E. Cairns diz que o movimento foi uma tentativa de resolver os problemas do formalismo na igreja e a dependência da igreja da liderança humana quando deveria depender totalmente do Espirito Santo. E também acrescentou que o montanismo representou o protesto suscitado dentro da igreja quando se aumenta a força da instituição e se diminui a dependência do Espirito Santo. (O Cristianismo através dos Séculos, pg 82 e 83).
Como a sua mensagem era uma necessidade para as igrejas o movimento espalhou-se rápidamente pela Ásia Menor, África do Norte, Roma e Oriente. Algumas igrejas grandes chegaram mesmo a serem chamadas Montanistas. Foi o caso da igreja de Éfeso. Tertuliano, considerado um dos maiores Pais da Igreja, por ser bom estudante da Bíblia, atendeu aos apelos do grupo e tornou-se montanista. Apesar de serem radicais quanto as regras de fé de uma igreja eram pessoas humildes e mansas.
As igrejas erradas reagiram contra esse movimento. No concílio de Constantinopla, em 381 (portanto nesta época a igreja e o Estado já estavam casados um com o outro), os pastores das igrejas heréticas ou católicas declararam que os montanistas deviam ser olhados como pagãos, serem julgados e mortos.
As igrejas erradas tinham verdadeiro ódio aos montanistas. O próprio Montano é visto como um arqui-herege da Igreja. Os livros inventam e condenam o movimento chamando-lhe pagão e anti-cristão. Na verdade pagãos e anti-cristãos eram os membros das igrejas erradas. Assim que as igrejas erradas casaram-se com o Estado veio a perseguição das mesmas contra os montanistas.
Vale um ressalvo ao amigo leitor. Muitas enciclopédias, ou livros, mencionam coisas ruins sobre grupos anabatistas (tais como: Montanistas, Donatistas, Novacianos, Cátaros, Paulicianos, Valdenses, Albingenses, e até mesmo os Anabatistas do século XVI). Temos que lembrar que faz parte da natureza corrompida do homem culpar os outros pelos seus erros, bem como, difamar o outro para salvaguardar a sua vida ou a sua integridade diante dos outros. Vejamos o caso dos judeus no tempo de Cristo. Os tais, malignamente mataram o Senhor Jesus, e, sabendo da ressurreição, colocaram vigias para guardarem o túmulo (Mat. 27:62-66). Não podendo evitar que Jesus saísse de lá, resolveram difamar os seus discípulos, pagando aos guardas que mentissem, dizendo terem roubado o seu corpo (Mat. 28:11-15). Não fosse a Bíblia, a Palavra de Deus, testemunhar que era mentira o que diziam os judeus, e então, estaríamos todos a pensar que Jesus nunca ressuscitou. Aliás, este ainda era o pensamento no tempo do apóstolo Paulo (Actos 25:19), sendo que o próprio Pôncio Festo, governador da Judéia, acreditava nesta mentira inventada pelos judeus. Portanto, não podemos acreditar nas enciclopédias e livros que são escritos por católicos ou protestantes, os quais, participaram de massacres contra os anabatistas. Os Cátaros ? também conhecidos como albingenses por exemplo, foram terrivelmente esmagados numa cruzada ordenada pelo Papa Inocêncio III. Foi um grupo praticamente exterminado numa das mais cruéis e sangrentas ações assassinas já vista no
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