01/04/2010

O QUE TEM HAVER O PENTECOSTES COM O PETACOLISMO?

Objectivos: Discernir o verdadeiro do falso Dom de línguas; compreender o Dom de língua bíblico.
Introdução: “Cantaialas, alarraias, raleluias ele cantalaias, glória cantalaia narraias laia lanarraias...
- Essa é a língua estranha ouvida numa igreja pentecostal.
- Hoje o movimento de línguas estranhas tem crescido assustadoramente.
- Esse "Dom" tem sido colocado como evidência de que um cristão recebeu o Espírito Santo.
- O que a Bíblia diz sobre línguas estranhas?
- Existe um Dom que é a base do recebimento do Espírito Santo?
I – Pentecostes Bíblico
A- Actos 2:1-4: “O derramamento pentecostal foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. O Espírito Santo, assumindo a forma de línguas de fogo, repousou sobre a assembléia. Isto era um emblema do dom então outorgado aos discípulos, o qual os capacitava a falar com fluência línguas com as quais não tinham nunca tomado contato. A aparência de fogo significava o zelo fervente com que os apóstolos trabalhariam, e o poder que assistiria sua obra.” (E, G. White, Atos dos Apóstolos, 22).
- O Pentecostes foi cumprimento da chuva Temporã.
B- Act.2:9-11:
- Era um idioma conhecido
- O Dom era permanente.
- O Dom era de falar.
C- O Dom de línguas de Actos 2 teve como objectivo a pregação do evangelho. Era um idioma conhecido e o Dom era permanente.
- As línguas estranhas hoje são usadas para pregar o evangelho? É um idioma conhecido? É um Dom permanente?
- Conclusão: As línguas estranhas não tem nada haver com o Dom de línguas de Atos 2.
II- O Dom de Línguas Bíblico
A- A- I Cor.12:4, 10 e 30
– O Dom de línguas estranhas hoje é colocado como evidência da conversão e recebimento do Espírito Santo.
- Os dons da Bíblia são diversos, e não há um Dom específico que todos tenham que ter.
- João.1:32: Jesus recebeu o Espírito Santo quando foi baptizado, e não depois que foi baptizado.
- Não existe um segundo momento.
- Quem foi o homem mais cheio do Espírito que já viveu? Jesus nunca falou em línguas estranhas.
- Será que a língua estranha é língua de anjos? Quando um anjo falava com um ser humano, como no caso do anjo Gabriel anunciando o nascimento de Cristo, era compreendido?
Dois tipos de Dom de Línguas hoje:
1- Quando a pessoa tem facilidade de aprender um novo idioma: Inglês, Francês, etc.
2- Quando um missionário vai pregar para um povo de língua desconhecida sem nunca ter estudado e Deus de forma sobrenatural concede o Dom, momentâneo ou permanente.
Conclusão: As línguas estranhas de hoje não tem nada haver com o Dom de línguas do Pentecostes, não é um Dom e nem é língua de anjo.
Aplicação: Uma vez, perguntei a uma senhora pentecostal se ela falava em línguas estranhas. Ela respondeu: “Eu ainda tenho pecados, zango-me muito e faço muitas coisas erradas”.
Não nos deixemos enganar.
Os dons são diversos mas o Espírito é o mesmo.
Se o Espírito é o mesmo que concede essas línguas estranhas, porque há a mesma língua nas religiões que consultam os mortos, feitiçarias, adoradores de imagens, etc.
III – Dom de Línguas em I Cor. 14
A- I Cor. 14:10: Paulo fala de idiomas conhecidos nesse capítulo, na verdade, ele nem se refere à línguas estranhas como conhecidas hoje.
- v.2: “mistério”: Este termo hoje é aplicado a algo que não se pode entender. Quando criança eu conheci um mendigo que era chamado Mistério, pois sua identidade e família eram desconhecidos.
Na Bíblia mistério é algo conhecido – ver I Cor. 15:51.
- v.3-6: Se eu estivesse a falar agora em grego, não haveria edificação da igreja, pois ninguém entenderia. Imagine o que era falar na igreja em Grego (mesomo que fosse o Pai Nosso) ou em Latim…
- v.7 e 8: Se um instrumento toca uma melodia desconhecida, é o mesmo que não tocar nada.
- v.9-19- As línguas estranhas são compreensivas?
- v.22-23: - O Dom de Línguas verdadeiro é um sinal para os incrédulos, assim como em Actos 2, ou seja, é usado para evangelizar.
- As línguas estranhas são exactamente ao contrário, são usadas como sinal para os crentes.
- v.27-28: O Dom era usado na igreja para evangelizar, e de forma organizada, não eram todos a falar ao mesmo tempo.
- v.33 e 37: Paulo realça a ordem no culto, e não a confusão e a gritaria.
IV – O Que é Então Línguas Estranhas?
Não ocorre só entre cristãos. Já foi manifestada entre: Pagãos adoradores de Amon; feiticeiros; Mulçumanos; Esquimós; Quacres; Shakers; religiões afro-brasileiras místicas; etc.
Explições: Fenómeno: 1) Físico/Psicológico 2) Artificial 3)Satãnico 4) Divino
Conclusão:
- Qual é a evidência do Espírito Santo? Gal. 5:22 - 23
- Como actua o Espírito Santo – I Reis 19:12

Existe hoje o verdadeiro Dom de línguas.
Antes da volta de Cristo Ele novamente vai repetir o Pentecostes, o Espírito Santo será derramado e muitos falarão novas línguas para a pregação do Evangelho.

Blá, blá, blá! (Resumo)
I – Pentecostes Bíblico
A- Actos 2:1-4: “O derramamento pentecostal foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. O Espírito Santo, assumindo a forma de línguas de fogo, repousou sobre a assembléia. Isto era um emblema do dom então outorgado aos discípulos, o qual os capacitava a falar com fluência línguas com as quais não tinham nunca tomado contato. A aparência de fogo significava o zelo fervente com que os apóstolos trabalhariam, e o poder que assistiria sua obra.” (E, G. White, Atos dos Apóstolos, 22).O Pentecostes foi o cumprimento da chuva Temporã.
B- At.2:9-11: Era um idioma conhecido. O Dom era permanente. O Dom era de falar, e não ouvir.
C- O Dom de línguas de Atos 2 teve como objetivo a pregação do evangelho. Era um idioma conhecido e o Dom era permanente. As línguas estranhas hoje são usadas para pregar o evangelho? É um idioma conhecido? É um Dom permanente? Conclusão: As línguas estranhas não tem nada haver com o Dom de línguas de Atos 2.
II- O Dom de Línguas Bíblico
B- B- I Cor.12:4, 10 e 30. O Dom de línguas estranhas hoje é colocado como evidência da conversão e recebimento do Espírito Santo. Os dons da Bíblia são diversos, e não há um Dom específico que todos tenham que ter. Jo.1:32: Jesus recebeu o Espírito santo quando foi batizado, e não depois que foi batizado. Não existe um segundo momento. Quem foi o homem mais cheio do Espírito que já viveu? Jesus nunca falou em línguas estranhas.
Será que língua estranha é língua de anjos? Quando um anjo falava com um ser humano, como no caso do anjo Gabriel anunciando o nascimento de Cristo, era compreendido?
Dois tipos hoje de Dom de Línguas:
1- Quando a pessoa tem facilidade de aprender um novo idioma: Inglês, Francês, etc.
2- Quando um missionário vai pregar para um povo de língua desconhecida sem nunca ter estudado e Deus de forma sobrenatural concede o Dom, momentâneo ou permanente.
Conclusão: As línguas estranhas de hoje não tem nada haver com o Dom de línguas do pentecostes, não é um Dom e nem é língua de anjo. Os dons são diversos mas o Espírito é o mesmo. Se o Espírito é o mesmo que concede essas línguas estranhas, porque há a mesma língua nas religiões que consultam os mortos, feitiçarias, adoradores de imagens, etc.
III – Dom de Línguas em I Cor. 14
A- I Cor. 14:10: Paulo fala de idiomas conhecidos nesse capítulo, na verdade, ele nem se refere à línguas estranhas como conhecidas hoje. v.2: “mistério”: Este termo hoje é aplicado a algo que não se pode entender. Quando criança eu conheci um mendigo que era chamado Mistério, pois sua identidade e família eram desconhecidos. Na Bíblia mistério é algo conhecido – ver I Cor. 15:51.
- v.3-6: Se eu estivesse falando agora em grego, não haveria edificação da igreja, pois ninguém entenderia.
- v.7 e 8: Se um instrumento toca uma melodia desconhecida, é o mesmo que não tocar nada.
- v.9-19- As línguas estranhas são compreensivas?
- v.22-23: - O Dom de Línguas verdadeiro é um sinal para os incrédulos, assim como em Atos 2, ou seja, é usado para evangelizar. As línguas estranhas são exatamente ao contrário, são usadas como sinal para os crentes. v.27-28: O Dom era usado na igreja para evangelizar, e de forma organizada, não todo mundo ao mesmo tempo.
- v.33 e 37: Paulo enfatiza a ordem no culto, e não a confusão e gritaria.
IV – O Que é Então Línguas Estranhas?
Não ocorre só entre cristãos. Já foi manifestada entre: Pagãos adoradores de Amon; feiticeiros; Mulçumanos; Esquimós; Quacres; Shakers; religiões afro-brasileiras místicas; etc.
Explições: Fenômeno: 1) Físico/Psicológico 2) Artificial 3)Satânico 4) Divino
Obs. E Marcos 16:17: É só pedir para alguém que você conhece que fala línguas estranhas pegar numa serpente ou beber um veneno.
Conclusão:
- Qual é a evidência do Espírito Santo? Gal. 5:22 - 23
- Como actua o Espírito Santo – I Reis 19:12
Existe hoje o verdadeiro Dom de línguas.
Antes da volta de Cristo Ele novamente vai repetir o Pentecostes, o Espírito Santo será derramado e muitos falarão novas línguas para a pregação do evangelho.
Se você quiser saber se você tem o Espírito Santo saiba que não há um Dom específico que evidencie isso, mas Deus deixou os frutos do espírito, esses todo o verdadeiro cristão deve ter.
Lembre-se, o amor é o maior deles.

O MÉTODO DE ESTUDO DAS DOUTRINAS CRISTÃS BÍBLICAS

O que chamamos de método histórico-crítico é o método de estudo e pesquisa bíblica que procura levar em conta o contexto histórico que envolve o texto, fazendo uma avaliação acurada (crítica) de todas as relações desta informação com o sentido do texto. Uma ênfase quanto ao sentido gramatical e histórico do relato bíblico é o alvo deste método. Realiza-se a tarefa de um historiador, que avalia um documento antigo com o alvo de compreendê-lo. Isto revela pouco sobre como vamos trabalhar, já que esta metodologia é largamente empregada por "teólogos" que não crêem na inspiração plena das Escrituras. Apesar do mau uso do método por alguns, queremos empregar o método histórico-crítico na exegese por acreditarmos que ele fornece o significado original do texto. Usaremos este método orientados pela fé que já temos na absoluta inspiração e autoridade das Escrituras. Também acreditamos ser a humildade a maior virtude de um exegeta.
É um método histórico porque leva em conta a época e a situação original em que o texto foi escrito. A Bíblia é a palavra de Deus dada através das palavras de pessoas históricas (Hb 1.1-2). Assim, o trabalho de entender a Bíblia é o trabalho de um historiador. A história é uma ferramenta de trabalho. O próprio texto bíblico no geral contém elemento histórico suficiente para dar uma idéia da situação original, dispensando-nos do uso de muito material estranho. E necessário ser prudente ao utilizar "ajudas" ex¬ternas.
Dois elementos precisam ser levados em conta quanto tratamos da Palavra de Deus: sua particularidade histórica contrabalançada por sua validade eterna. A particularidade histórica diz respeito ao que estava acontecendo na situação original. Por exemplo, Paulo escreveu o livro de Gálatas para combater doutrinas judaizantes que se infiltravam na igreja. A relevância eterna leva em conta que mesmo em uma situação diferente, a mensagem de Gálatas tem importância para cada geração de cristãos.
Em último lugar, usaremos o método histórico na tentativa de entender cada texto da Bíblia na situação, pensamento e época da própria Bíblia.
Nosso método também é um método crítico porque requer o uso de nossas faculdades mentais em raciocínios, julgamentos, estudos e esforços. A eterna inteligência e bom senso de Deus estão refletidos no seu livro. É necessário que usemos a inteligência que ele nos deu para compreendê-lo. A palavra crítico tem geralmente uma coloração negativa. Não queremos usá-la desta forma. O método é crítico em avaliar os resultados obtidos e em pesá-los. Nunca deve tornar-se crítico contra a Bíblia.
O uso da razão deve ser subordinado à fé na revelação. Não podemos chegar a Deus com a razão; Deus é quem chega a nós com a revelação de sua razão, Jesus Cristo, o logos eterno (logos: palavra grega que pode significar razão).
Exegese e hermenêutica.
Nossa tarefa é dupla: Primeiro, descobrir o que o texto significava originalmente, esta tarefa é chamada exegese; em segundo lugar, devemos aprender a discernir esse mesmo significado na variedade de contextos novos ou diferentes dos nossos próprios dias, esta é a tarefa da hermenêutica. Em definições clássicas a hermenêutica abrange ambas as tarefas, mas em tratados recentes a tendência tem sido separar as duas.
Para nós, exegese é ler e explicar os textos em empatia (e simpatia) com os escritores bíblicos. O exegeta é primeiramente um historiador que analisa os documentos. Todavia, ele tem de ir além da análise impessoal: é necessário assumir a fé que o escritor possuía para entender seus escritos. A exegese é um trabalho literário-espiritual.
A hermenêutica é necessária para a exegese. Exegese é uma palavra que vem da língua grega, sendo composta da preposição EK (de) e da forma substantiva do verbo HEGEOMAI (ir, guiar, conduzir) e significa "conduzir para fora" o sentido original de um texto. Na exegese procuramos entrar no texto (EIS), e ficar nele (EN), para então sairmos dele (EK) tirando lições para nós. Hermenêutica é a síntese dos resultados da exegese, tornando-a relevante para o leitor, ou auditório.
Pressuposições.
Pressuposições são idéias, hipóteses ou fatos que aceitamos ou carregamos conosco antes de iniciar nossa análise de um texto. O bom exegeta procura libertar-se ao máximo deles para que a sua compreensão do texto não seja distorcida pela sua pré-compreensão. Um exemplo prático ajuda a ver a importância das pressuposições. Se um exegeta pressupõe que "milagres não podem acontecer", todo seu estudo dos evangelhos e de Atos vai
revelar ceticismo quanto aos fatos narrados e vai procurar explicá-los por meio de causas naturais, ignorância do povo, erro do escritor, etc. As pres¬suposições vão guiar nossa capacidade de entender e explicar o texto.
Por outro lado, as pressuposições existem e sempre existirão. O que importa é a sua validade. O critério da validade de uma pressuposição é a sua base cristológica, que Jesus Cristo é o filho de Deus. Devemos ler a história do Novo Testamento com a pressuposição cristológica revelada pelos escritores. Esta é uma pressuposição básica para entender o Novo Testamento, e até mesmo o Velho, tomadas as devidas precauções. A pressuposição cristológica é válida para sempre.
Quando as nossas pressuposições são iguais às pressuposições dos escritores do Texto Sagrado, temos as melhores condições possíveis para entender o que eles estão falando e escrevendo. Não há um raciocínio em círculo aqui. A fé em Cristo, mantida pelos escritores do Novo Testamento, precedeu a obra escrita que produziram sob a influência do Espírito Santo. Logo, para que possamos acompanhar o pensamento desses homens, precisamos participar da fé que tiveram.
Ver o texto como o autor o viu é o nosso alvo. Buscando as pressuposições do autor, não entraremos em choque com ele. Encontrar as pres¬suposições do escritor pode ser a chave para não introduzir nossas idéias no texto. Cristo é o princípio de unidade e da verdade na interpretação da Bíblia.

05/10/2009

A INQUISIÇÃO PORTUGUESA: TESTEMUNHOS E HISTÓRIAS

E a Inquisição através, principalmente, de três séculos, em Portugal, fez quanto lhe aprouve, coma cumplicidade da corte, tripudiando sobre toda a gente, ensopando a Pátria em sangue, cobrindo de atrocidades a Nação inteira.
Ninguém lhe escapava – uma vez que cheirasse a dinheiro aos inquisidores ou lhe fizesse ciúmes por seus merecimentos ou honras. Mesmo eles não descansavam de erguer, a grandes alturas, inculcas do seu poderio e grandeza, sendo um dos meios o saber-se por todo o Reino que eles tinham nos seus cárceres gentes de importância.
O Dr. António Baião director do Arquivo da Torre do Tombo, dedicou anos ao estudo da Inquisição em Portugal, Brasil e Goa. Nos seus estudos faz menção de vários processos da Inquisição, nos quais figuraram como réus vários homens de letras e de ciências de Portugal.
Entre outros, sem falar já do muito conhecido, caso de António José – o Judeu, foram condenados pelos inquisidores de Lisboa, Coimbra ou Évora, o cónego e poeta Baltazar Estaco, o Dr. António Homem, Fernando de Pina, filho do cronista Rui de Pina, o humanista e poeta Diogo de Teive, o matemático André de Avelar, o jurisconsulto Francisco Vaz de Gouveia, o engenheiro e inventor Bento de Moura Portugal, o Cavaleiro de Oliveira, o poeta dos Ratos da Inquisição, Serrão de Castro, o poeta Francisco Manuel do Nascimento, os netos de Pedro Nunes, que foi mestre do cardeal D. Henrique, de D. João de Castro e de D. Sebastião, etc.
Dois dos mais perseguidos foram o grande historiador Damião de Góis e o padre António Vieira.
Para se ter uma pequena dimensão do valor de Damião de Góis, bastará reproduzir as seguintes palavras do Dr. António Baião: “A sua personalidade é deveras complexa. Político, como feitor em Flandres, soube representar lá fora o nome português e granjear fama europeia; humanista, as suas obras e as suas cartas em latim podem pôr-se a par das melhores da Renascença; historiador, as suas crónicas são ainda hoje consultadas com proveito e o seu nome figura com a maior justiça entre os dos nossos melhores clássicos quinhentistas.”
Durante a sua ausência no estrangeiro exerceu missões de confiança junto do rei de Dinamarca, conviveu com Melâncton, Lutero e Erasmo, e frequentou as Universidades de Lovaina e de Pádua. Um belo dia, é surpreendido pela notícia de que o seu livro sobre costumes e religiões do rei da Abissínia, escrito em latim e impresso em Antuérpia, fora impedido de circular em Portugal. Queixa-se; o inquisidor-geral, ao tempo o cardeal D. Henrique, dá-lhe explicações, mas nem estas o satisfazem nem a Inquisição o esqueceu um momento mais.
Delatou-o depois o jesuíta Simão Rodrigues como discípulo de Erasmo, como luterano e até como disputando sobre a certeza da graça. Mas muito depois disso, o próprio cardeal D. Henrique encarregou-o de escrever a Crónica de D. Manuel, tendo sido nomeado guarda-mor da Torre do Tombo.
Em 1571, o próprio genro vem depor contra ele, já lançado nos cárceres secretos. Além das delações já feitas, comprometem-no também outras pessoas, incluindo uma sobrinha. Ele só pede que o despachem, porque está com mais de setenta anos, com nove meses de cárcere, sem forças para se ter nas pernas e cheio de usagre e sarna por todo o corpo!
Pede um livro em latim, para distrair o pensamento, pois está “apodrecendo de ociosidade”. Pois nem ao menos isso lhe concedem…
Finalmente, em Outubro de 1572, vinte meses depois de preso, e ao fim de dezoito vezes ouvido, leram-lhe a sentença, na qual os inquisidores o mandavam abjurar dos seus erros heréticos perante eles e o condenavam a cárcere penitencial perpétuo, no sítio para onde fosse mandado pelo cardeal D. Henrique. Saiu em Dezembro para o Mosteiro da Batalha. E assim, um homem de “reputação europeia” – como escreve o Dr. António Baião – esteve vinte meses humilhado em desespero atroz “à mercê de pigmeus de que a História só fala para os acusar das carnes inocentes que fizeram queimar.”
Em 1665, coube a vez ao padre António Vieira, preso nos cárceres da Inquisição de Coimbra.
Depois de denunciado por um colega seu da Companhia de Jesus e lente no Colégio de Santo Antão, Martim Leite, e pelo prior da Igreja da Madalena, Jerónimo de Araújo, foi encarcerado, sendo-lhe atribuídas culpas de judaísmo, por denúncias de Manuel Ferreira e do Dr. Fernão Sardinha, médico da Câmara de El-Rei, tendo este chegado a afirmar ter-lhe ouvido dizer “que para conservação do Reino era necessário admitir nele publicamente os Judeus.”
Foi interrogado em 21 de Julho de 1663, em 25 de Setembro do mesmo ano e em 20 de Outubro. Neste último interrogatório, segundo rezam os autos, citados pelo Dr. António Baião “…logo foi mandado pôr de joelhos e se persignou e benzeu, e disse a doutrina cristã, a saber: o Padre-Nosso, Ave-Maria, Creio em Deus Padre, Salve-Rainha, os mandamentos da Santa Madre Igreja – e terminal: e tudo disse bem!!”
E diz o Dr. Baião: “Ao padre António Vieira,, ao grande orador das coisas sagradas do século XVII, faziam-se na Inquisição perguntas aviltantes e deprimentes do seu extraordinário saber, das suas crenças tão enraizadas e fixas… Cinquenta e cinco anos de altos serviços ao País, cinquenta e cinco de tanta dedicação pela ciência, que o colocavam num lugar privilegiado, eram examinados –em doutrina cristã!”
Depois de 8 de Agosto de 1666, é interrogado em vinte e oito audiências!... E o Conselho Geral determinou que contra ele se procedesse – como contra pessoa de cuja qualidade de sangue não consta ao certo!!!
Em 23 de Dezembro de 1667, ou seja depois de vinte e seis meses de cárcere, foi proferida a sentença, contra o maior vulto de Portugal de então, conforme se exprime o ilustre autor dos Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa – privando-o para sempre de voz activa e passiva e do poder de pregar e o mandavam ser recluso no Colégio ou casa de sua religião que o Santo Ofício lhe assinasse, de onde, sem ordem sua, não sairia… e que por termo por ele assinado se obrigasse a não tratar mais das proposições de que foi arguido no decurso da sua casa, nem de palavra nem por escrito, sob pena de ser rigorosamente castigado!
É inacreditável!

Vejamos estas palavras do Dr. Baião: “Assim procedia a Inquisição com um religioso da Companhia de Jesus, teólogo, e mestre de Teologia, Pregador de El-Rei de Portugal, e ministro seu na Cúria Romana e outras cortes, confessor nomeado do Senhor Infante, superior e visitador-geral das missões do Maranhão com os poderes de seu geral, e tão benemérito da Igreja que durante dez anos se empregou na conversão dos gentios, tendo tido muitas e muitas vezes disputas com os hereges em França, Holanda, Inglaterra e noutras partes.
Assim se vexava, ultrajava e condenava, por instigação de seus émulos, o grande orador sagrado que na nossa história literária se chamou padre António Vieira!”