19/04/2009

O QUE EU APRECIO NOS LUTERAMOS

O cenário tranquilo do belíssimo Vale do Rio Reno esconde o tumulto que varreu toda a Europa no início do século 16. Foi no dia 18 de Abril de 1521. Lá estava um jovem padre alemão a defender-se das acusações de heresia. Ao seu redor, estavam príncipes orgulhosos, nobres, honrados generais e líderes da Igreja. Todos naquele salão lotado se inclinavam para ouvir cada sílaba dos lábios daquele lutador solitário: Lutero.
"Ir contra minha consciência não é recto e nem seguro. Nunca. Eu não posso e não me retrato. Aqui estou, não farei outra coisa. Que Deus me ajude. Amém."
Com estas fortes palavras, Martinho Lutero lançou a Reforma Protestante. A sua posição firme marcou o ponto de viragem na História. Mas, Lutero conseguiu completar a Reforma ou essa tarefa ficou para nós hoje?
No século 16, na Alemanha, o futuro do cristianismo estava na balança. Lutero, um professor universitário, tinha desafiado a pretensão da Igreja de controlar a fé pessoal. Os seus ensinamentos provocaram um grande movimento religiosa e político em todo o território conhecido como o Sacro Império Romano. Alguma coisa tinha que ser feita para deter a crise.
O imperador Carlos V intimou Lutero a comparecer perante o Conselho Geral em Worms. O palácio imperial, que já não existe, ficava num lindo terreno. Embora não se saibam as palavras exactas de Lutero no seu julgamento, não existem dúvidas quanto à sua mensagem. A consciência deve dar contas somente a Deus. A salvação é gratuita e é pela fé. A Bíblia é a fonte da autoridade espiritual, e não a tradição da Igreja ou os decretos de seus líderes. A verdade bíblica tinha-se perdido há séculos. Era chegado a hora de trazê-la de volta. Lutero ficou sozinho em Worms. O Imperador zombou: "Esse homem jamais fará de mim um herege!" Como se esperava, o Conselho condenou Lutero. Ele foi proibido de ensinar e os seus direitos civis foram-lhe retirados. Os seus livros foram queimados, mas a mensagem que eles continham resistiram às chamas. Apesar dos escárnios generalizados e da perseguição, a mensagem de Lutero entrou no coração do povo.
Oito anos após o Conselho em Worms, um grupo de príncipes alemães colocou-se ao lado de Lutero. Eles formaram uma aliança, protestando contra a tentativa da Igreja de esmagar a Reforma. E desse protesto dos príncipes na cidade de Spires, em 1529, nasceu o termo "Protestante". Os ensinamentos de Lutero espalharam-se por toda a Europa, especialmente na Escandinávia.
Os seguidores de Lutero cruzaram o Atlântico no início da história colonial dos Estados Unidos. Na Baía de Hudson, em 1619, eles celebraram o seu primeiro Natal na América. E as primeiras Igrejas organizadas pelos imigrantes Luteranos pobres eram geralmente pequenas, com poucos pastores. Mas, à medida que os colonizadores Luteranos continuaram a chegar aos Estados Unidos, a denominação cresceu rapidamente. Congregações começaram a se unir em grupos conhecidos como Sínodos.
Os Luteranos americanos estão hoje divididos entre uma dúzia de Sínodos. Alguns desses Sínodos contêm a grande maioria dos mais de oito milhões de Luteranos.
A Igreja Luterana na América, o maior grupo, e a Igreja Luterana Americana, a terceira maior, uniram-se. A Associação das Igrejas Evangélicas Luteranas juntou-se a elas. O novo Sínodo terá mais de cinco milhões de membros baptizados.
A segunda maior organização Luterana, com 2,7 milhões de membros, está no Sínodo de Missouri. Do seu quartel general em St. Louis, eles comandam a mais antiga emissora de rádio religiosa do mundo. "A Hora Luterana", sustentada pela Associação dos Leigos Luteranos, é ouvida em mais de 100 países diferentes. E o doutor Oswald Hoffman tem sido o locutor desse programa há mais de 30 anos.
O Pastor Vandeman entrevistou o Doutor Hoffman e resultou no seguinte:

Vandeman: Porque razão, particular, é um cristão Luterano?

Hoffman: Bem, eu sou cristão porque sou um seguidor de Jesus Cristo. E sou Luterano, não porque sigo Martinho Lutero, mas porque, como Lutero, devo a minha lealdade a Jesus Cristo. Lutero passou por uma terrível experiência a fim de fazer essa grande descoberta. Ele travou uma grande luta íntima para descobrir que o evangelho não depende das obras com que contribuímos, mas da bondade e graça de Deus, que Lhe saíram do coração para os seres humanos e são mostradas ao mundo em Jesus Cristo. Esse é o evangelho.

Vandeman: O senhor diz que Lutero fez essa grande descoberta. Era então uma "verdade perdida", de certo modo?

Hoffman: Sem dúvida, era. Não quer dizer que não estivesse lá. Ela fizera parte da tradição da Igreja desde a era apostólica. Mas o lixo dos tempos foi se juntando ao redor dela, e as pessoas passaram a pensar que estavam dando uma grande contribuição a tudo isso. E Lutero disse: "Não". Depois, de ter estudado e ensinar as Escrituras, a contribuição veio de Deus. É por Deus que estamos em Jesus Cristo. Como São Paulo disse aos Coríntios: "O justo viverá pela fé". Martinho Lutero era um homem que estava sempre feliz quando falava sobre a fé e também sobre o amor.

Vandeman: E ele nos deixou as suas traduções.

Hoffman: Lindíssimas traduções. Para Martinho Lutero, atrás de cada palavra do texto grego e do hebraico das Escrituras, estava a majestade de Deus. Mas ele colocou a Bíblia na linguagem que o povo falava na época. Em várias ocasiões, ele colocou tudo na linguagem que cada lavrador pudesse entender. Assim, o Evangelho conseguiu chegar e, pelo poder do Espírito, entrar no coração das pessoas, trazendo a fé de Cristo.

Vandeman: Se Martinho Lutero fosse ressuscitado hoje e estivesse de novo entre nós, ele se sentiria a vontade na Igreja de hoje?

Hoffman: Bem, eu não sei. Alguns problemas que existiam antes foram resolvidos. E alguns problemas novos que não existiam naquele período surgiram. Creio que Martinho Lutero iria avaliá-los baseado na realidade, e ao mesmo tempo ele nos avaliaria. Sobre todos os nossos actos, sobre as nossas organizações, acho que ele teria alguma coisa a dizer. E uma dessas coisas seria: Vocês têm que ficar firmes no Senhor. Têm que se apegar ao evangelho de Jesus Cristo. Têm que proclamá-lo com a autoridade do próprio Deus. Têm que fazer isso à maneira evangélica. O que quer dizer da maneira atraente da fé, que é em Jesus Cristo.

Vandeman: Obrigado, Dr. Hoffman.

Milhões são Luteranos e participam da herança de Martinho Lutero. E eu também me considero um deles.
Há tanta coisa de que eu gosto na Igreja Luterana. Eu vos admiro por colocarem a vossa fé para bem da sociedade. Eles provêem orfanatos, hospitais, centros de tratamento para alcoólicos, lares para idosos. Existem muitas coisas de que eu gosto nos Luteranos. Mas há uma coisa que aprecio em especial. O Movimento Luterano foi convocado por Deus para revelar uma verdade negligenciada: o glorioso ensinamento da salvação somente pela fé. Lutero retirou as teias de aranha da Idade Média e restaurou os alicerces do evangelho.
No verão, após a formação no Colégio, Lutero esteve muito próximo de se encontrar com a morte. Ele voltava a pé para casa de uma visita aos pais, quando foi surpreendido por uma violenta tempestade. Um raio o atirou ao chão. Coberto de terror, ele gritou: "Santa Ana, ajuda-me! Eu me tornarei um monge." E cumpriu a sua promessa em Erfurt.
Lutero entrou para o mosteiro Agostiniano e foi ordenado em 1507. Mas, contemplando a sua primeira celebração da Missa, sentiu-se pequeno pela sua indignidade. Como poderia um pecador estar na santa presença de Deus a menos que ele próprio fosse santo também? Assim, Lutero decidiu tornar-se santo. Buscou a pureza, privando-se dos confortos da vida. E durante muitas noites, na cela do Mosteiro, tremendo sob o fino cobertor, procurava consolar-se: "Eu não fiz nada de errado hoje." Aí vinham as dúvidas. "Jejuei o bastante hoje? Sou pobre o bastante? Sou suficiente puro?" Nada do que ele pudesse fazer lhe trazia paz. Não sentia a segurança de que tinha satisfeito a Deus.
Mas finalmente descobriu que a paz pela qual se esforçava tanto para obter estava disponível como um presente. A verdade que o libertou está no livro de Romanos, no Novo Testamento. Ele descobriu que o próprio Jesus foi punido no lugar dos pecadores, de modo que podíamos ser perdoados. Perdoados gratuitamente no Senhor Jesus Cristo.
Lutero mal podia acreditar nessa boa-nova. Apesar da sua culpabilidade, a santidade poderia ser-lhe creditada. Porque Jesus, que é realmente Santo, sofrera o seu castigo. A Igreja tinha mandado os pecadores virem a Deus para ter salvação. Mas Lutero introduziu uma nova dimensão vital. Ele descobriu que os que crêem, apesar de pecadores, podem ao mesmo tempo ser considerados justos.
Sabe, Deus considera os pecadores santos assim que eles confiam em Jesus. Mesmo antes da sua vida revelar boas obras (o que, é claro, ocorrerá em seguida). Romanos 4:5 diz isto: "Mas aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça".
O ímpio que se entrega a Jesus é justificado. O perdão vem, não por sermos santos, não pelas obras, Lutero sabia, mas porque confiamos em Jesus. Toda vida, Lutero tinha pensado que seria injusto recompensar os pecadores com a vida eterna.
Assim, ele acreditava no purgatório, onde, segundo se dizia, as imperfeições seriam purificadas após a morte, para tornar os cristãos dignos do Céu. Ele pensava sinceramente que, no purgatório, o fiel seria purificado do pecado e Deus poderia considerá-lo como Seu. Lutero também cria que o sofrimento no purgatório poderia ser abreviado através da concessão de indulgências da Igreja. Essas indulgências eram concedidas àqueles que visitavam os túmulos dos santos e viam suas relíquias.
Lutero pensava que esses santos tinham armazenado medidas extras da bondade de Cristo, que podiam repartir com os pecadores. Mas agora ele aprendera que: "...Todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus." Romanos 3:23.
O próprio Paulo disse que todos estão destituídos. Até os santos têm que depositar suas esperanças no Senhor Jesus Cristo. E por Cristo ser nosso Substituto, todos os cristãos são dignos do Céu. Na cruz, Deus "nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz". Colossenses l:12.
Não é necessário o purgatório! O coração de Lutero encheu-se de alegria. Finalmente, sua consciência pesada encontrou paz. Mas o evangelho que tranqüilizou sua alma detonou o conflito com a Igreja. Começou a batalha contra as indulgências. A Igreja do Castelo de Wittenberg apresentava uma coleção de relíquias famosas. Entre elas, havia um espinho que garantiam ter ferido a testa de Cristo no Calvário. Bem, as relíquias eram expostas sempre no dia de Todos os Santos.
Peregrinos vinham de perto e de longe até Wittenberg em busca de indulgências. Lutero ansiava divulgar as boas-novas que o haviam libertado.
Assim, no dia 31 de Outubro de 1517, na véspera do dia de Todos os Santos, ele afixou uma lista de 95 objeções às indulgências na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Elas foram escritas em estilo claro, conciso e sem cerimónias.
O reformador desafiava qualquer um a debater com ele. "Os santos não têm créditos extras", clamava. "E os méritos de Cristo estão disponíveis livremente. Se o Papa tem poder para livrar qualquer um do purgatório, por que, em nome do amor, ele não revoga o purgatório livrando toda a gente de lá?"
Cópias das teses de Lutero se espalharam por toda a Europa e desencadearam uma tempestade. Lutero não tinha a intenção de se rebelar contra a Igreja. Ele só queria a reforma. Mas foi declarado rebelde e herege. Lutero foi advertido para que se retratasse, ou a Igreja relutantemente o puniria. Mas o reformador se sentiu compelido a prosseguir.
Ele confidenciou a um amigo: "Deus não me guia. Ele me empurra avante. Ele me leva para frente. Não sou dono de mim mesmo. Desejo viver em repouso, mas sou atirado no meio dos tumultos e das revoluções."
Lutero acusou a Igreja de interferir no relacionamento da pessoa com Deus. Ele proclamou que Jesus é o único mediador entre Deus e os pecadores. E que "a verdadeira peregrinação do cristão não é a Roma, mas aos Profetas, aos Salmos e aos Evangelhos".
De muitos modos, Lutero, apesar do seu amor pela Igreja, se via afastando-se dela. E a separação tornou-se definitiva quando ele condenou a Igreja como o anticristo.
O Papa Leão X excomungou Lutero em 3 de Janeiro de 1521. Seus escritos foram banidos e queimados. Pelas aparências, o próprio Lutero em breve seria também queimado. Mas Frederico, o Sábio, nobre da Saxônia, membro do colégio eleitoral da Saxônia, dispôs-se a proteger o reformador. Ele exigiu que o Imperador Carlos conseguisse uma audiência justa na Alemanha.
Carlos concordou finalmente que ela acontecesse em Worms. E quando Lutero recusou retratar-se, por segurança, seus amigos o esconderam no castelo Wartburg. E durante seu exílio, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão em um dos cômodos superiores. Mais tarde, ele também traduziu o Antigo Testamento. E após apenas 10 meses em Wartburg, tendo completado seu manuscrito, Lutero voltou corajosamente para Wittenberg e reassumiu a liderança da Reforma. Em sua ausência, os problemas aumentaram. Os fanáticos tinham abusado do zelo religioso popular. E, em 1525, começou a guerra dos camponeses, uma revolta contra os príncipes.
Lutero recebeu uma severa censura por se recusar a apoiar as exigências políticas dos camponeses. Os conflitos o acompanharam por toda a vida.
Algumas vezes, o reformador errou no julgamento. O que mais poderíamos esperar, já que ele liderou a saída de tal escuridão?
Foi assim que Lutero iniciou a Reforma. Ele jamais afirmou ter terminado a restauração da verdade. Ele disse que a obra deveria continuar mesmo após a sua morte. Sim, Lutero morreu antes de seus sonhos se realizarem.
Sabe, os problemas na Igreja haviam se desenvolvido durante os séculos, e seriam necessários séculos de reforma para solucioná-los. A luta da fé ainda não está terminada. Você alguma vez se perguntou por que a Igreja caiu na Idade Média? Houve muitos fatores, mas deixe-me falar um pouco do passado.
Nos primeiros dias do cristianismo, após a morte dos apóstolos, ocorreram alguns fatos muito tristes. A Igreja se afastou da sua fé pura e da verdade bíblica. Ora, isso foi triste, mas era de se esperar. O apóstolo Paulo havia predito isso. Ele disse que, após a sua morte, a heresia dominaria a Igreja. Isso ocorreu exatamente como as Escrituras haviam predito.
Não aconteceu da noite para o dia. A deterioração da verdade levou séculos. Tendo falhado ao perseguir a Igreja, o inimigo mudou sua tática. Ele decidiu minar o cristianismo por dentro, usando ardilosas concessões e ensinamentos falsos. Mas o Céu não foi apanhado de surpresa. Com um movimento forte, que chamamos a Reforma, Deus reverteu a trilha da apostasia e a Luz começou a aparecer. Reformadores como Martinho Lutero restauraram verdades que há muito tinham sido escondidas do povo.
Mas sabemos que a Reforma não terminou séculos depois da morte dos reformadores. Aquilo foi apenas o começo. Outros continuaram a sua boa obra.
Em qualquer outra verdade que possamos redescobrir na Palavra de Deus, jamais deixaremos de nos apoiar nos ombros de Lutero. O evangelho que ele proclamou ainda pulsa no coração de cada cristão. Mais do que qualquer outra coisa, Lutero foi um homem de Deus. Quando sobrecarregado e oprimido, ele buscou refúgio nos braços eternos do Todo-Poderoso.
Durante um momento especialmente difícil, quando a Reforma parecia fracassar, ele parafraseou o Salmo 46 num hino. Protestantes e católicos apreciam igualmente esse hino hoje. Veja a letra inspirada pela fé, na primeira estrofe.

Jeová Castelo forte é
o Deus leal e protetor;
e se vacila a nossa fé
poder nos dá em Seu amor.
Destrói o perspicaz
ardil de Satanás,
a fim de o derrotar
com Seu poder sem par,
e aos Seus provê descanso e paz.

Pense nisto! Satanás já está derrotado pelo poder maravilhoso de Cristo.
Você está oprimido pelo inimigo neste momento? Uma palavra do Céu pode salvá-lo. Você sente o peso da culpa ou do medo? Talvez a solidão ou a sensação de fracasso? Talvez enfermo ou triste? Deixe-me garantir-lhe o seguinte: o Deus que guiou e sustentou Martinho Lutero ama você do mesmo modo hoje. Ele também quer ser o seu Castelo Forte.

O QUE MAIS APRECIO NOS BAPTISTAS

Roger Williams viveu durante algum tempo na fazenda Plymouth, um museu vivo do primeiro povoado permanente inglês na América. Isso aconteceu num ambiente de forte frio em Janeiro de 1636. Como pregador exilado e fugitivo, Williams embrenhou-se na floresta em Massachusetts.
Durante quatorze semanas, ele vagueou pela neve, mal conseguindo sobreviver. De dia, procurava os alimentos competindo com os pássaros. De noite, tremia de frio, abrigado num tronco oco. Bem, finalmente, encontrou refúgio junto dos índios. Compraou-lhes um bom pedaço de terra e fundou a Colónia da Providence, onde agora fica Rhode Island, que se tornou a capital da liberdade no novo mundo e o local da primeira Igreja Baptista da América.
A nova colónia de Roger Williams não teria sido necessária. Afinal, foi em nome da liberdade que os Puritanos tinham vindo para Massachusetts. Eles cruzaram o Atlântico, a fugir da perseguição da igreja oficial da Inglaterra. Para criarem uma igreja onde pudessem adorar a Deus em liberdade e segundo a sua consciencia.
Na Inglaterra naquele tempo a liberdade de consciência era nula, uma aliança entre religião e poder político fazia lembrar a velha Europa. Entretanto, quando Roger Williams chegou à colónia da Baía em Massachusetts, teve uma calorosa recepção. As autoridades até o convidaram para liderar a única igreja em Boston. Mas Williams declinou.
Ele não podia suportar a supressão da consciência pelo governo. Ele sabia que muitas das sangrentas batalhas da História tinham sido travadas para defender a fé. E tudo para nada? O verdadeiro cristianismo não pode ser compelido nem legislado.
"Os magistrados podem decidir os deveres de homem para homem" disse Williams. "Mas quando eles tentam prescrever os deveres do homem para com Deus, eles não fazem as coisas segundo Deus mas segundo a sua própria ideia.” Williams também ensinava que ninguém devia ser forçado a sustentar o clero.
"O quê?" interrogaram as autoridades. "O obreiro não é digno do seu salário?"
"Sim", respondeu Williams, "daqueles que o contratam."
Os líderes Puritanos não podiam tolerar aquelas novas e perigosas opiniões. Assim, ele foi julgao e condenaram Williams ao exílio.
Banido de Boston, ele estabeleceu em Providence o primeiro governo moderno, ofereceu total liberdade de consciência. Williams convidou todos os oprimidos e perseguidos a buscarem refúgio em Providence, qualquer que fosse a sua fé. Mesmo que não tivessem qualquer fé, eles eram bem-vindos. E entre esse conjunto de liberdade, a Igreja Baptista encontrou raízes na América. Providence tornou-se o esboço da Constituição Americana um século e meio depois.
Os Baptistas tornaram-se a maior denominação protestante nos Estados Unidos. São quase 30 milhões de Baptistas espalhados entre as cem mil igrejas locais. Essas igrejas pertencem a vários grupos conhecidos como Convenções. O maior deles é o da Convenção Baptista do Sul, que possui metade dos Baptistas da América como membros.
Apesar das igrejas locais serem ligadas a uma Convenção, cada Congregação retém governo independente. Isso torna mais notável o facto de os Baptistas se terem envolvido tanto no evangelismo mundial. Como pode verificar, os Baptistas diferem nas suas crenças. Alguns são conservadores, outros mais liberais.
Alguns Baptistas seguem de perto o reformador João Calvino, outros não. Todavia, apesar das suas diferenças, os Baptistas são unidos no respeito às Escrituras como única fonte da verdade. A maioria dos outros protestantes e católicos tem as suas crenças, mas os Baptistas não reconhecem outro padrão além da Bíblia e como eles a entendem, é claro.
Os Baptistas também concordam que nenhum ser humano tem o direito de escolher a religião para outro e nem mesmo os pais para os filhos. Assim, os Baptistas não baptizam bebés. Em vez disso, eles dedicam os seus recém-nascidos a Deus, como Maria e José dedicaram o bebé Jesus. E quando as crianças Baptistas crescem, são livres para escolher por si mesmas se querem ser baptizadas ou não.
Os Baptistas fizeram história ao ter levado a liberdade religiosa para os seus lares e para a sociedade. Como Roger Williams, muitos Baptistas ainda acreditam na defesa da separação entre a Igreja e o Estado.
Todos sabemos que os Baptistas têm a habilidade de produzir grandes pregadores. Entre os mais famosos está Charles Spurgeon, de Londres. Hoje temos Charles Stanley, W. A. Criswell e Billy Graham. Um outro Baptista, o Dr. James Draper, foi o último presidente da Convenção Baptista do Sul. Recentemente, o Pastor Bendeman teve uma conversa com o Dr. James Draper que trascrevemos:
Vandeman: Dr. James Draper, quero que saiba o quanto me alegro por poder conversar com o senhor.
James: Estou honrado e agradecido me por ter convidado para esta entrevista. Por favor, chame-me Jimmy.
Vandeman: Jimmy, por que razão é um cristão Baptista?
James: Bem, a primeira razão seria porque os meus pais eram Baptistas muito consagrados. O meu pai era pregador, e o meu avô também foi pregador.
Vandeman: Então, é de família?
James: Isso mesmo.
Vandeman: Você é filho de pregador?
James: Sim e toda a minha vida tenho aprendido a Palavra de Deus. Cresci numa família que amava o Senhor. Meus pais me conduziram a Cristo. Quando atingi a idade de entender que eu era um pecador e precisava ser salvo, entreguei a vida a Cristo, fui batizado e entrei para a Igreja Batista. Através dos anos, a Igreja e as Instituições Batistas têm me nutrido, encorajado, treinado e educado; assim, acho que as principais razões são as minhas raízes.
Vandeman: Que abençoada herança! Aqueles primeiros anos não foram os que mais o impressionaram?
James: Não há dúvida sobre isso. De fato, o mais forte do Cristianismo é o que se vive em família, quando esta se dedica ao Senhor. Portanto, tive uma grande herança. Também creio que sou Batista por causa da minha convicção das grandes doutrinas e ensinamentos, e a grande herança da vida Batista. Os Batistas sempre enfatizaram a autoridade da Palavra de Deus e a autonomia da Igreja local. Cada Igreja é autogovernada. Reforçam o sacerdócio do cristão. Cada indivíduo tem o direito de se aproximar de Deus por si mesmo. Essas grandes doutrinas são as que eu abracei e aceitei livremente. A disposição de morrer pelo direito que todas as pessoas têm de escolher no que crer, tem sido a marca e a vida dos Batistas através dos anos. E eu sou grato por fazer parte dessa herança.
Vandeman: Gostaria que todos os grupos, os cristãos, em particular, se apercebessem do que vocês deram a eles. Notassem como Deus usou esses reformadores para resgatar a verdade negligenciada. Fale um pouco sobre o custo.
James: Muitos Batistas morreram, em nossa fé, para poderem adquirir a liberdade religiosa. E eu creio que pelo fato de, na América, o cristianismo custar tão pouco, nós não corremos riscos. Não temos que pagar nada e não existe custo em nossa fé. Isso tem diluído a força do cristianismo até certo grau, mas nossa herança é de forte sacrifício e compromisso.
Vandeman: Então você concorda comigo quando digo que se você não tem algo pelo qual morrer, provavelmente não tem nada pelo qual valha a pena viver.
James: Tem razão!
Vandeman: Obrigado por ter vindo, Jimmy.
É, existem muitas coisas de que eu gosto nos Batistas. Aprecio a ênfase que eles dão ao Evangelho. Para os Batistas, a religião não é apenas uma teoria, mas uma pessoa.
Os Batistas pregam o Cristo crucificado. Também gosto do estilo de culto deles. Poucas coisas são tão inspiradoras quanto o culto cantado dos Batistas. E há uma outra razão por que aprecio tanto os Batistas: eles foram chamados por Deus para resgatar duas verdades negligenciadas: a verdade sobre o batismo do Novo Testamento e o princípio da liberdade religiosa.
Você já pensou que, sem os Batistas, a América provavelmente não existiria como uma nação livre? George Vancroft, o conhecido historiador, observou: "Liberdade de consciência, liberdade ilimitada de pensamento foi, desde o início, o troféu dos Batistas." A democracia americana foi fundada na tradição Batista de liberdade religiosa. Mesmo antes dos dias de Roger Williams, os Batistas sofreram muito por sua liberdade.
Eles nasceram de uma luta complexa e fascinante entre os protestantes, uma luta pela liberdade de consciência. Tudo começou com o Movimento Anabatista no século 16, na Europa. Enquanto Lutero seguia avante na Alemanha, Ulrich Zwinglio lançou a Reforma na Suíça. Zwinglio ouviu pela primeira vez o Evangelho quando se preparava para o sacerdócio; e foi chamado para a linda catedral de Zurique, em 1519. Ela era chamada de Igreja do povo, então ele decidiu pregar as boas-novas.
Assim, pondo de lado o sermão que estava programado, ele abriu o Novo Testamento para o povo. Mas logo Zwinglio encontrou grande oposição. O Conselho da Cidade, influenciado por certos líderes da Igreja, se opôs à mensagem da salvação somente pela fé. Mesmo assim, ele continuou pregando a verdade que o havia libertado.
Mas, em 1523, o próprio Zwinglio começou a recuar. Durante um debate público, ele mostrou disposição em se acomodar. Zwinglio imaginou que se baixasse o tom de suas reformas, talvez conseguisse atuar dentro do sistema. Ele não queria alienar os líderes cívicos. Assim, modificou sua mensagem, buscando apenas uma reforma gradual das tradições da Igreja. Mas alguns dos jovens alunos de Zwinglio ficaram aborrecidos com essa linha. Um deles, Konrad Grebel, protestou que a verdade bíblica exige sempre ação imediata com ou sem o apoio do governo. E ele estava certo.
Grebel ficou desiludido com a disposição do seu professor de se acomodar diante dos políticos. Ele até acusou Zwinglio de permitir que o conselho da cidade exercesse a autoridade que pertence apenas à Bíblia. Zwinglio rejeitou a crítica de Grebel. Então Grebel decidiu que a verdade deveria ir avante mesmo sem o reformador. Assim, com alguns amigos, ele organizou os círculos de estudos bíblicos nos lares. Isso lhe parece familiar? E logo eles redescobriram, em seu estudo, a verdade do Novo Testamento sobre o batismo. Você se lembra como o Senhor Jesus foi batizado? Lemos a respeito em Mateus 3:16: "E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água..."
Jesus saiu da água após ser batizado. Não Lhe espirraram água nem a derramaram. Ele foi submerso no Rio Jordão. Os crentes em Cristo são "enterrados com Ele no batismo", diz o apóstolo Paulo. Infelizmente, a Igreja havia perdido de vista essa importante verdade. Durante séculos, a tradição da aspersão em bebês tinha trazido todos para a Igreja.
Agora Konrad Grebel, na Suíça, proclamava que Roma e os reformadores estavam todos enganados. Como você pode imaginar, o conselho de Zurique não gostou do que ele fez. Assim, em 21 de janeiro de 1525, eles aprovaram uma lei proibindo reuniões nos lares para estudos bíblicos.
Apesar do decreto, Grebel e seus amigos continuaram estudando juntos. Eles decidiram rejeitar não apenas as tradições de Roma, mas também as concessões de Zwinglio. E, para selar seu compromisso com Cristo, Grebel e seus amigos batizaram uns aos outros uma segunda vez. Formaram uma nova comunidade cristã conhecida como os Anabatistas, que quer dizer "aqueles batizados duas vezes".
Como Martinho Lutero reagiu aos Anabatistas? Em princípio, o reformador alemão defendeu a liberdade total de consciência. Mas, infelizmente, ele mudou o seu ponto de vista. O que o fez mudar de opinião? Bem, foi um processo gradual. Durante a guerra dos camponeses, muitos protestantes foram mortos por príncipes católicos. Milhares pereceram no campo de batalha. Lutero viu o valor de se ter o governo ao seu lado em vez de estar contra ele.
Depois que seus ensinamentos passaram a controlar o norte da Alemanha, Lutero dependia mais e mais dos príncipes protestantes para proteger a Reforma de Roma. Assim, foi formado um relacionamento Luterano Igreja-Estado. Como Zwinglio, Lutero aprovou uma favorável união da Igreja com o Estado. Para eles, pareceu ser uma questão de sobrevivência da Reforma. Mas eles não conseguiram prever os problemas que sempre ocorrem ao se misturar religião com política.
Atualmente, temos uma situação semelhante. Lutando para salvar o mundo, muitos cristãos sinceros estão fazendo pressão para legislar a moralidade, sua própria interpretação da moralidade. Mas aqueles que têm aprendido com o passado recusam favores religiosos do governo. Eles sabem que os problemas espirituais não podem ser resolvidos com ação política.
No século 16, os reformadores tinham sido expulsos por Roma; e depois eles expulsaram os Anabatistas. Acredite ou não, chegaram a perseguir seus companheiros de crença. Esse é um dos capítulos mais tristes, mais desconsertantes da história da Igreja. Primeiro, Zwinglio influenciou seus amigos políticos a esmagarem os não-conformistas.
Os Anabatistas de Zurique foram condenados à pena de morte. Mais tarde, na Alemanha, o colega de Lutero, Melâncton, argumentou que os Anabatistas deveriam ser executados. "Até a sua pacífica expressão de fé tem subvertido a ordem religiosa e civil", acusou Melâncton. Ele predisse que a oposição deles ao batismo de bebês iria produzir uma sociedade pagã. Por isso, deviam ser exterminados para salvar a nação. Hoje seria difícil aceitar uma barbaridade dessa.
Sem dúvida, os líderes protestantes erraram. Por causa da fraqueza da natureza humana, não devíamos achar isso tão surpreendente. Todo despertamento espiritual tem sido manchado por algumas pessoas desorientadas. Mesmo nas Escrituras há alguns servos fiéis de Deus que cometeram muitos erros graves.
Isso também foi verdade durante a Reforma. Os Anabatistas foram arrancados de seus lares, jogados na prisão e cruelmente assassinados. Mas seu sangue foi como semente. E os Anabatistas que escaparam da espada espalharam sua fé por toda a Europa.
Alguns foram para a Noruega, outros para a Itália, Polônia, Holanda e Inglaterra. A Holanda se tornou um paraíso especial para os Anabatistas, assim como para outros refugiados religiosos.
Um grupo de cristãos ingleses fugiu de seus colegas protestantes da Igreja da Inglaterra. Refugiaram-se na Holanda. Os dois grupos, Anabatistas e Separatistas ingleses, desfrutaram de uma bela comunhão. Um pastor inglês, John Smyth, foi totalmente convencido pelos ensinamentos Anabatistas e se rebatizou. Os Batistas modernos consideram Smyth um pioneiro da sua fé. Aí, em 1609, o grupo de Smyth voltou para a Inglaterra e organizou ali a primeira Igreja Batista.
Em poucos anos, os Batistas da Inglaterra vieram para a América com a sua herança de democracia e liberdade. Roger Williams foi apenas um dos muitos Batistas que lideraram as colônias em direção da liberdade de consciência. James Madison, um dos pioneiros da América, foi ganho para a liberdade religiosa pelos Batistas.
Quando menino, em Virgínia, ele ouviu um destemido pastor Batista, aprisionado por causa de sua fé, pregando da janela da sua cela. Bem, naquele dia, Madison dedicou sua vida à luta pela liberdade de consciência. Incansavelmente, ele conversou com Thomas Jefferson e outros para garantir a primeira emenda na Constituição Americana. Está escrito simples e majestosamente:
"O congresso não criará lei alguma relativa ao estabelecimento da religião, ou à proibição da liberdade de culto." O governo deve proteger a religião, e não removê-la. Do contrário, a intolerância certamente se mostrará de novo.
A História mostra que toda vez que a religião da maioria é imposta sobre a sociedade, isso resulta em perseguição. Muitos Batistas zelosos estão preocupados, atualmente, porque sua herança de liberdade religiosa está desaparecendo. E estão especialmente tristes em ver alguns de seus irmãos Batistas liderando a luta para legislar sobre a moralidade.
Eles sabem que a lei religiosa acorrenta a alma. A perseguição sempre surge quando a fé é imposta, não importa quão sincero seja o motivo por trás dela. As profecias do livro de Apocalipse predizem alguns eventos incomuns e terríveis para a própria América. Poderá a perseguição à liberdade de consciência surgir de novo aqui? Graças a Deus, ainda podemos desfrutar da liberdade religiosa. Sou grato aos Batistas por trazerem sua herança de liberdade para a América.
Quer voltar comigo ao século 17 na Holanda?
Um grupo de peregrinos tinha decidido iniciar uma colônia na América. Estavam prontos para entrar no navio "Speedwell", vindo da Inglaterra, e no "Mayflower". Era um momento de emoção, mas também de muita tristeza.
Eles estavam deixando para trás entes queridos, para cruzarem o desconhecido Atlântico. Para ajudar a reviver esse momento histórico, vamos imaginar que estamos em Leiden, na Holanda. Estamos no lindo jardim, de frente da mesma Igreja que eles deixaram após as palavras de despedida de seu pastor. Ela parece nova porque a Universidade de Leiden assumiu a responsabilidade de restaurá-la, mas esse foi o lugar exato onde eles ouviram a mensagem final.
Naquela hora da despedida, seu amado pastor, John Robinson, ficou em pé e disse: "Irmãos, breve iremos nos separar, e só Deus sabe se viverei para ver de novo os seus rostos. Eu lhes peço diante de Deus para me seguirem até onde eu tenho seguido a Cristo. Se Deus revelar a vocês alguma coisa por algum outro instrumento dEle, estejam prontos a receber, assim como estiveram prontos a receber qualquer verdade do meu ministério. Pois confio muito que o Senhor tem mais verdades e mais luz para serem reveladas da Sua Santa Palavra. Da minha parte, não imaginam o quanto estou triste a respeito das Igrejas reformadas. Elas não irão mais longe que os instrumentos da sua reforma. Os Luteranos não podem ser forçados a ir além do que Lutero viu. E os Calvinistas devem ficar firmes onde foram deixados por aquele grande homem de Deus. Apesar de esses reformadores terem sido luzes vivas e brilhantes em sua época, eles não entenderam todos os conselhos de Deus. Mas se vivessem hoje, estariam prontos a aceitar mais luz como a que receberam inicialmente."
Que mensagem! Nessas nobres palavras, ouvimos o verdadeiro espírito da Reforma: disposição para aprender e crescer; ansiedade para andar na verdade negligenciada que descobrimos na Palavra de Deus, como Martinho Lutero, em Wittenberg, Conrad Grebel, em Zurique, Roger Williams, em Providence, no novo mundo, e o Metodista John Wesley, da Inglaterra. Não existem oceanos que não tenhamos cruzado, mas novas oportunidades espirituais podem estar nos aguardando logo ali na esquina.
Suponhamos que Deus lhe ofereça nova verdade da Sua palavra. Você está disposto a tomar a Sua mão e caminhar nessa luz? Uma maravilhosa experiência o aguarda, se você estiver disposto.

O HOMEM QUE DEUS QUIS MATAR

1. Quando anuncio este tema.
a) As pessoas não gostam deste título e pensam: "Não, não pode ser".
b) Será que Deus quis matar a alguém?
2. A sua surpresa será maior quando eu lhe disser o nome: Foi nada menos que Moisés.
a) Deus o havia escolhido para fazer uma grande obra: a libertação de Seu povo que se encontrava em escravidão.
b) Nesse momento encontramo-lo indo para cumprir com a obra recomendada, mas Deus saiu ao seu encontro com um propósito muito sério: Êxodo 4:24.

I. POR QUE DEUS O QUIS MATAR?

1. Porque Moisés deixou de cumprir um dos mandamentos de Deus; havia sido desobediente, e não se pode brincar com as coisas de Deus.
2. Surpreendam-se! O Novo Testamento diz o mesmo.
a) O homem que foi redimido pelo sangue de Cristo.
b) Não quer submeter a sua conduta à lei (está em pecado segundo I João 3:4).
c) Não está amparado pela graça.
d) É o homem que Deus quer matar. Hebreus 10:26-27.

II. ESTE ASSUNTO DESPERTA RESISTÊNCIA

1. Perceberam as oposições que desperta o que eu acabo de enunciar? Alguém dirá: "Não me parece lógico."
a) Não pretendamos que as coisas de Deus sejam lógicas a mentalidades pecadoras. S. Paulo relata isto em. Rom. 8:7.
b) Portanto, ao resistir à lei de Deus, tudo o que estou a demonstrar é que sou carnal, e não espiritual.
2. Assim, como no cinema há censura: cortam e/ou proíbem o que crêem que é mau; autorizam o que acham que é bom; e contudo, cada coisa é vista...! Parece que na vida religiosa muitos querem ser os seus próprios auto-criticos, não aceitam a censura da Palavra de Deus.
a) Lêem, mas obedecem só ao que se harmoniza com o seu próprio modo de pensar.
b) Desfazem-se daquilo que lhes desagrada.
3. Mas o princípio bíblico é: "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores". Romanos 13:1.
a) Nesse caso, sendo Deus a autoridade Suprema.
b) Todos nós Lhe devemos ser submissos.
c) Muitos, na sua cegueira, procuram submeter a Bíblia ao seu próprio critério.
4. Talvez a oposição esteja entrelaçada, no fundo, com o que muitos me têm dito (e é uma idéia frequente): "Ficou muito claro, mas não sinto no meu coração vontade de guardar a Lei de Deus."
a) Então:
(1) Deixam de lado os claros mandamentos de Deus.
(2) Operam como eles sentem.
(3) Crêem que o fazem correctamente.
b) Cuidado: quando o homem faz justiça de acordo com os seus sentimentos e/ou critério, acontecem coisas raras.
ILUSTRAÇÃO: Um cidadão egípcio completou 20 anos de cárcere por homicídio. Quando foi condenado, negou ter cometido o crime. Mas as evidências estavam contra ele e a sentença foram 20 anos de prisão. Posto em liberdade, ao voltar para o seu povo, encontrou a presumida vítima e em perfeito estado de saúde.
Essa é a justiça humana. É claro que neste caso, o ex-presidiário enfurecido, matou aquele que poderia ter-lhe evitado esses anos de prisão e não o fez, e levou o seu cadáver à policia. Foi processado e condenado de novo, mas como já tinha cumprido a pena, foi posto em liberdade.
c) A justiça humana é uma expressão da boa vontade; uma tentativa saudável de resolver as coisas.
(1) Mas não é a expressão da perfeição.
(2) Por isso é que não me parece sensato submeter a Lei de Deus aos retoques da justiça humana, aos sentimentos pessoais.
5. Há uma razão bíblica pela qual não devemos basear a nossa conduta religiosa só aos nossos sentimentos. Jeremias 17:9.
a) Talvez seja por isso que Deus teve o trabalho de escrever com o Seu próprio dedo nas tábuas de pedra os Dez Mandamentos.
b) Para evitar toda distorção.
6. Como me mataria Deus?
a) Aquele que não crê, já está condenado. S. João 3:18.
b) O problema daquele que não quer guardar a Lei é:
(1) Que ao negar-se a obedecer está a debilitar a fé pela qual poderia ser salvo. Tiago 2:17,20.
(2) E Deus não é Deus dos mortos. Mateus 22:32.
c) Portanto, fica sem Salvador.
(1) Está perdido.
(2) Isso é terrível! Hebreus 10:26, 27, 31.
7. Seguindo o processo, nós o entenderemos melhor.

Explicar como passaram de vida para a morte e como passar da morte para a vida.
1. O caminho de Deus é o caminho para a Vida.
(NOTA: Coloque as palavras: DEUS, VIDA.
2. Deus colocou Adão no caminho da vida.
(NOTA: Situe-o visualmente no caminho da vida. Pode ser com uma figura, ou simplesmente um ponto.)
3. Disse-lhe que para permanecer na vida e devia obedecer.
(NOTA: Coloque a palavra OBEDIÊNCIA.)
4. Enquanto Adão obedeceu permaneceu no caminho da vida.
5. Ao desobedecer à lei, saiu do caminho da vida e entrou no caminho da morte.
(NOTA: Coloque o outro caminho DESOBEDIÊNCIA. Pode ser colocada uma flecha que visualize a passagem de vida para morte.)
6. A cruz foi levantada para dar-nos vida. Sairmos do caminho da desobediência é colocarmo-nos no caminho da vida – obediência.
NOTA:
(1) Coloque a cruz entre os dois caminhos;
(2) Inverta a flecha: estava orientado da vida para a morte, agora está orientado da morte para a vida;
(3) Tire Adão da obediência e coloque-o no caminho da desobediência.

III. COLOQUEMOS CADA COISA NO SEU LUGAR

1. Somos salvos pela fé, e somente pela fé na graça de Deus. Mas a fé não ocupa o lugar da obediência ou fidelidade, como queira chamá-la. Romanos 3:31.
2. Os sacrifícios e penitências não podem ocupar o lugar da obediência. I Samuel 15:22,23.
3. A tradição não pode ocupar o lugar da obediência.
S. Mateus 15:3,7,8.

IV. NÃO É INJUSTO

1. Não é injusto que uma criança obedeça a seu pai.
a) Conforme: Há pais maus, deslocados, injustos.
b) Mas se o pai é equilibrado, justo, carinhoso, é justo que a criança obedeça ao seu pai.
2. Deus é:
a) Amoroso.
b) Justo.
c) Sábio.
3. Muitos de nós que oramos "Pai Nosso que estás no céu..."
a) Não queremos obedecer à Sua lei.
b) Isso não muda a Deus.
c) Revela quem somos nós. I S. Pedro 1:14.

CONCLUSÃO:

1. Vejam que contraste há entre um homem rebelde, a quem Deus quis matar, e o tipo de homem de Apocalipse 2:10.
2. Peçamos a Deus em oração que nos ajude a ser cristãos deste tipo, aos quais Deus quer dar a coroa da vida.

04/04/2009

OS TROPEÇOS DOS EVAGÉLICOS/PROTESTANTES

Os três principais problemas com os cristãos protestantes para entender as Escrituras seriam, a meu ver:

1 - A incompreensão da razão da escolha divina de Israel.

A razão de Deus ter o Seu "povo escolhido" não foi só para conceder-lhe privilégios, mas uma MISSÃO. Neste ponto muitos cristãos vivem em confusão. Não compreendem que Israel devia cumprir o papel de "testemunhas de IHWH" e luz das nações até os confins da Terra (Isa. 43:10, 11; 42:6; 49:6).

Por isso Israel situava-se numa região do mundo ainda hoje tremendamente estratégica, - a encruzilhada de três continentes - Europa, Ásia e África.

O papel de Israel era transmitir aos moradores da Terra o conhecimento do verdadeiro Deus, a Sua lei e o Seu plano de salvação [Ver Salmo 67].

O apelo divino para os estrangeiros se unirem ao concerto com Israel em Isa. 56:2-7 (por sinal, a partir da observância do sábado) ocorre no contexto do ideal divino expresso no vs. 7, "a Minha casa será chamada casa de oração para TODOS os povos".

2 - A incompreensão do teor dos debates de Paulo sobre a lei.

A chave para entender isso é Rom. 9:30-32. Paulo diz que a fé NÃO ANULA a lei, e sim a CONFIRMA (Rom. 3:31), e diz que com a sua mente serve à lei de Deus (Rom. 7:25), a que traz o preceito "não cobiçarás", sendo santa, justa, boa, espiritual (vs. 7, 8, 12, 14, 22), dela recomendando naturalmente aos GENTIOS de Éfeso e Roma os seus 5º., 6º., 7º., 8º., 9º. e 10º. preceitos (Efé. 6:1-3; 4:24-31; Rom. 13:8-10).

Paulo não condenava a lei, e sim o seu "uso ilegítimo" (1 Tim. 1:8) tê-la como fonte de justiça, o que nunca foi foi a sua função. Esse uso errado da lei causou o tropeço da nação.

3 - A incompreensão sobre o teor dos debates de Cristo quanto ao sábado.

Para isso basta perguntar: Qual era o teor de tais debates com os lideres judaicos. SE deviam guardar o sábado, QUANDO guardar o sábado, ou COMO observar o dia no seu devido espírito?

Sabendo responder a estas perguntas tem-se a solução plena da questão.

03/04/2009

UMA IGREJA CAMBALEANTE

O site católico MONTFORT. Site que tem como finalidade a "DEFESA DA FÉ" , reconhece Bento XVI, um Papa cambaleante, dá uma no cravo e outra na ferradura.

"O caso da ordenação do ex pastor anglicano, casado e pai de dois filhos, propagandisticamente, favorece os inimigos do celibato. E isso é bem ruim.
Haveria ainda outros pontos a examinar, como por exemplo, o precedente dos ritos católicos orientais cujos padres podem se casar. Haveria que analisar ainda a possível vantagem de atrair para a Igreja Católica um grosso contingente de anglicanos revoltados pela escandalosa permissão de sagração de um homossexual declarado como Bispo anglicano, pela ordenação de mulheres, pela aprovação do aborto pela cúpula anglicana, afundando cada vez mais o anglicanismo no abismo da heresia e das capitulações imorais.
Não creio que São Pio X permitisse a ordenação desse anglicano casado, exatamente pelo fato de isso acontecer num clima de favorecimento aos que querem destruir o celibato.
Mas Bento XVI não é São Pio X. É um Papa que na juventude teve formação modernista, e durante quase toda a vida defendeu o Vaticano II. Isso é como chumbo em seus pés, que o faz caminhar vacilante e cambaleante numa direção que desagrada aos modernistas radicais.
Ora, na visão do Terceiro Segredo de Fátima aparece exatamente um Papa caminhando vacilante e cambaleante em direção a uma montanha encimada pela Cruz, em direção a um Calvário...
Visão semelhante teve Dom Bosco no sonho da procissão de um papa que retorna a Roma, e no sonho da batalha no mar, no qual um Papa reconduz a nave da Igreja para a Hóstia Consagrada -- para a Missa -- e para Nossa Senhora.
Será Bento XVI o Papa do retorno vacilante e cambaleante? "

04/03/2009

O QUE EU APRECIO NOS METODISTAS

O ano era 1736. John Wesley, um missionário da Inglaterra, quase não sobreviveu à viagem através do Atlântico até a colónia da Geórgia. A violenta tempestade no mar passou, mas a alma de Wesley permaneceu revoltada. Apesar do seu compromisso sincero, ele não conseguiu encontrar paz em Deus.

Assim que chegou a Savannah, Wesley viveu algum tempo com um grupo de colonizadores da Alemanha. Eles também eram missionários, descendentes do mártir do século 15, John Huss. Perseguidos na Morávia encontram refúgio na Alemanha e daqui foram para os Estados Unios, terra da liberdade e de grandes promessas.
Um dos alemães olhou para Wesley com olhar gentil, mas penetrante, e perguntou:
"Você conhece a Cristo?"
John deu uma resposta onde não havia compromisso:
"Eu sei que Ele é o Salvador do mundo."
"Sim, mas você sabe que Ele o salvou?"
Wesley ficou inquieto. Ele não tinha a certeza do perdão. Percebia-se agora porque tentara envangelizar os índios sem sucesso.
Após dois frustrantes anos, Wesley voltou para Inglaterra. Façamos uma análise retrospectiva de dois séculos e meio. Imaginemos que estamos no belíssimo jardim da Igreja na Inglaterra de onde Wesley era originário, Igreja construída pelo memorável Thomas Gray, que escreveu a sua famosa elegia.

William Penn e sua família também cultuaram nessa Igreja. E escolhi esse local histórico para reviver a experiência de John Wesley.

Numa reunião em Maio de 1738, numa capela em Londres, alguém estava a ler o prefácio de Martinho Lutero do seu Comentário sobre Romanos, quando a luz de repente veio sobre Wesley. Ele descreveu o momento: "Cerca de quinze para as nove, enquanto ele, isto é, Lutero, estava descrevendo a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti o meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiava em Cristo apenas para a salvação; e a certeza me foi dada de que Ele havia levado todos os pecados, inclusive os meus." Bem, agora abrasado pelo Evangelho, Wesley pregou com novo poder.

Multidões se reuniam para ouvi-lo de todos os lados. Um reavivamento varreu a Inglaterra e chegou até a América. Era o começo da Igreja Metodista. Os Metodistas hoje são uma das maiores denominações protestantes. Eles têm em todo o mundo cerca de 24 milhões de pessoas como membros.

A América tem cerca de 20 grupos Metodistas. O maior deles, com mais de nove milhões de membros, é a Igreja Metodista Unida. E o Doutor James Ault foi um dos Presidentes do Conselho dos Bispos da Igreja Metodista Unida. O pastor Vandeman fez uma visita ao Dr. James Ault e entrevistou-o em Pittsburgh.

Vandeman: Bispo James Ault, estou feliz que se tenha se aceite representar a grande Igreja Metodista Unida e, é claro, a tradição Wesleyana em toda parte devido à sua liderança mundial (era então Presidente Mundial da Igreja Metodista Unida). Mas diga-nos: Por que você, pessoalmente, é um cristão Metodista?

Ault: Fui amado e aceito na fé por minha família e pelos professores da escola da Igreja, e fui conduzido ao Ministério ordenado por um Pastor na nossa Igreja local. Mas continuo um Metodista unido por causa das diferenças de pontos de vista entre nós e a Igreja Metodista. Primeiro, preocupamo-nos com as pessoas, com a dignidade humana e com a responsabilidade moral. Também, damos atenção à primazia da graça. Por graça queremos dizer a acção do amor de Deus em Jesus Cristo através da actividade do Espírito Santo.

John Wesley falou sobre três aspectos da graça. Ele falou sobre o primado da graça, que nos cerca e nos persuade a nos movermos na direcção da fé. Falou sobre a justificação pela fé, que tem a ver com um Deus amoroso, receptivo e perdoador. E também falou sobre o crescimento na graça que nos move em direcção à perfeição na medida que amadurecemos na fé, e crescemos na graça rumo à santificação. Ou o que chamaríamos de graça santificadora. Também nos preocupamos quanto à conversão e mudança de coração, levando as pessoas a Cristo. Isso pode acontecer de uma maneira dramática, ou de uma maneira gradual. Buscamos manter juntas a fé e as obras. E, finalmente, a nossa Igreja é organizada numa interligação igreja local, regional e mundial. Assim, deixamos a Igreja local livre sob o Espírito, para viver e testemunhar. E a Igreja geral combina todas essas igrejas locais num esforço nacional e internacional.

* Vandeman: Mas, dentro desses pontos, o que você escolheria como único?
* Ault: Creio que, para hoje, a fé e as obras. A nossa Igreja foi dividida em dois campos desde 1960. Um dando ênfase à salvação pessoal e outro ao envolvimento social. E para que a Igreja sirva o Evangelho como um todo, temos que mantê-los unidos, crescendo na graça dentro do corpo e testemunhando o amor a Deus nas pessoas.
* Vandeman: Crescimento é um elemento básico que parece tão em falta em inúmeros grupos que conhecemos. Será que estamos a pegar as partes únicas que sentimos que Deus usou através das várias denominações para defender as verdades que têm sido negligenciadas? Lutero trouxe a justificação pela fé, os Anabatistas trouxeram o baptismo. A sua Igreja mostra como a conversão e a santificação, ou o crescimento, desenvolvem o cristão. Você acha que estamos conduzindo isso bem?
* Ault: Eu acho que é um excelente formato, porque compartilhamos de uma tradição comum, todos na fé cristã. Mas existem essas ênfases distintas de Igreja para Igreja, que têm enriquecido o todo. Compartilhamos juntos em levar avante o todo.
* Vandeman: Obrigado, James.

Existem muitas coisas de que eu gosto nos meus amigos Metodistas. Mas há uma coisa que eu aprecio em especial: o movimento Metodista foi chamado por Deus para resgatar uma verdade negligenciada.

Wesley enfatizou que os cristãos produzirão o fruto da obediência como resultado do seu relacionamento com Jesus. Uma verdade realmente essencial.

E agora, voltemos ao jardim da Igreja. Por volta do século 18, a Inglaterra tinha se afastado de Deus. A pregação de Wesley tirou a nação do seu sono espiritual.

É claro, nem todos apreciaram o despertar. Presas nas teias de aranha da Tradição, as Igrejas fecharam as portas para o novo reformador. Assim, Wesley foi para os campos. Ele pregava ao ar livre, até ao alvorecer, antes dos trabalhadores iniciarem a sua labuta diária.

Veja um trecho do seu diário de 21 de Setembro de 1743: "Fui acordado entre as três e as quatro da manhã por um grupo de funileiros, que, temendo chegarem atrasados, juntaram-se ao redor da casa, e cantavam em louvor a Deus. Às cinco horas, preguei de novo sobre: `crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo'. Eles devoraram a Palavra de Deus."

Os conversos amontoavam-se nas reuniões de Wesley. Ele tentou manter o seu movimento dentro da Igreja estabelecida. Mas muitos dos que aceitavam a sua pregação não pertenciam à Igreja. Por isso, Wesley teve de os organizar em sociedades para prover o seu cuidado espiritual. Mesmo assim, ele insistia que eles assistissem aos cultos regulares da Igreja da Inglaterra. E, apesar da lealdade de Wesley, as autoridades civis e religiosas rejeitaram o seu ministério. Wesley sofreu mais do que uma mera recusa do seu direito de pregar. A 4 de Julho de 1745, uma multidão arrombou a sua casa e exigiu a sua morte. Veja como ele descreveu a experiência: "Entrei de imediato no meio deles e disse: `Aqui estou. Qual de vocês tem alguma coisa para me dizer? A qual de vocês fiz alguma coisa errada? A você? A você? Ou a você?' Continuei a falar até chegar ao meio da rua, aí, erguendo a voz, eu disse: `Vizinhos compatriotas, vocês querem me ouvir falar?' Eles gritaram com veemência: `Sim, sim. Ele deve falar. Ele deve. Ninguém o vai impedir.' E eu falei. Até que um ou dois dos chefes do grupo viraram-se e juraram que ninguém me tocaria."

Bem, às vezes, a oposição a Wesley era mais violenta, e o seu diário de Setembro de 1769 registou. Ele diz, com um toque de humor: "Eles ergueram a voz contra mim, especialmente um, que estava com os bolsos cheios de ovos podres; mas, um jovem aproximando-se discretamente bateu com as mãos nos dois bolsos, quebrando todos os ovos. Num instante ele perfumava todo o ambiente; embora não fosse tão suave como o bálsamo."

Sim, não havia um só momento de tédio para John Wesley! E também nenhum momento ocioso. Ele viajou a cavalo quatrocentos mil quilómetros durante o seu ministério. No período de 50 anos, ele pregou uma média de 15 sermões por semana. Aos 88 anos, John Wesley faleceu.
Ao redor do seu leito, havia dignitários da Igreja, grandes amigos e familiares. E bem ao lado do aposento estava um quartinho para oração. Em frente à janela, uma mesa, um banco para ajoelhar-se, e sobre a mesa apenas duas coisas: a Bíblia de Wesley e uma vela. Todas as manhãs, às quatro horas, Wesley entrava nesse quartinho para ajoelhar-se e falar com Deus.

Na verdade, esse era o "lugar da força" do Metodismo. Perto do final da longa e frutífera vida de Wesley, ele escreveu esta mensagem encorajadora: "Sou agora um velho, enfraquecido da cabeça aos pés; os meus olhos pouco vêem, a minha mão direita treme muito, a minha boca aquece e seca-se todas as manhãs. Tenho uma febre insistente quase todos os dias. Os meus movimentos são fracos e lentos. Entretanto, abençoado por Deus, não deixo o meu trabalho. Ainda posso pregar e escrever."

O longo ministério de Wesley centralizou-se em duas grandes verdades que tinham sido esquecidas: o perdão de Deus é grátis para todos; e todos somos responsáveis em crer e obedecer.

Vou mostrar-vos um gráfico para ilustrar a mensagem de Wesley. As ilustrações têm o seu ponto fraco. Não existe um meio de ilustrarmos a delicada obra do Espírito Santo, mas as ilustrações podem esclarecer verdades espirituais. Jesus usou parábolas para explicar os Seus ensinamentos.

Digamos que esse gráfico representa a minha vida. E a linha que cruza o centro mostra que eu me converti, o meu "novo nascimento".

A linha ao topo representa a perfeição ou maturidade como vista na vida de Jesus. E uma outra linha oscilante através do gráfico mostra a minha experiência diária, a minha vida antes da conversão.

Agora, note a minha vida antes da conversão. Estou a tentar ser um bom chefe de família, cidadão respeitável, trabalho duro, pago os impostos, sou bom com meus entes queridos, posso até ir à Igreja, mas ainda não sou convertido. Não estou pronto para aceitar Jesus como meu Salvador e Senhor. Mas estou a consider uma mudança.

Do lado esquerdo do gráfico, você pode imaginar-me e vê que sigo numa direcção da conversão, a caminho de mudar os meus modos antigos por uma vida nova em Jesus. Talvez um programa de televisão evangélico me tenha atraído para que eu me renda a Cristo. Talvez uma tragédia, como a perda de um ente querido, me mostre a necessidade de Deus. Ou até algo maravilhoso, como tornar-me pai, sinto tudo isso como apelos a tornar-me um cristão autêntico. Portanto, estou a ponto de entregar a vida a Cristo. Mas aí recuo, relutante em trocar alguns de meus modos antigos pelo modo como Deus quer que eu viva. Por uns tempos, fico a tentar decidir o que fazer. Assim, combato a convicção e, como resultado, me encontro a cair mais e mais no pecado.

Mas o diabo entra em cena em pessoa. Eu leio a letra minúscula do seu contrato, percebo que ele quer provocar a minha ruína. Alarmado, eu volto-me para Jesus como meu refúgio. Entendo por que Ele morreu por mim, e não posso mais resistir ao Seu amor. Assim, finalmente, rendo-me sem reservas a minha vida e sigo em linha recta até Cristo, o meu Salvador.

Por um acto de Deus, experimento o que é frequentemente chamado o "novo nascimento". Uma feliz experiência, de facto. Mas nesse momento crucial, algo estranho acontece. Imediatamente, enfrento o que parece ser um desafio impossível. Perfeição ou maturidade de carácter. Como é que vou conseguir atingi-la?

Mas note, já que estou perdoado, naquele exacto momento estou purificado diante de Deus, perfeito à Sua vista. O Salvador deu-me o registo de vida santa. É como se eu nunca tivesse pecado. Está a ver? Deus trata-me como se eu estivesse no topo do gráfico. Em termos teológicos, isso é "justificação".

E quanto ao meu viver diário, acabo de começar uma vida cristã. Sou um bebé espiritual. Os bebés precisam crescer, e eu também. Assim, começo o meu relacionamento com Jesus, que substitui o meu relacionamento com o pecado.

No gráfico, abaixo da linha oscilante, está o registo do quanto Cristo tem vivido dentro de mim. Mas o registo desse progresso completa a exigência da perfeição em Jesus? Não. Entretanto, se estou a andar em toda a luz que Ele me envia e permaneço comprometido, Ele me dá o registo da Sua própria vida perfeita, e eu fico justificado aos Seus olhos. Mas suponhamos que eu me torne morno, indiferente. Velhas tentações voltam e tornam a seduzir-me. Às vezes, eu me rendo ao clímax da tentação. Isso significa que não estou salvo? Não, claro que não. Os bebés sofrem quedas.

O meu netinho, André, sofre tantos tombos que eu nem sei como ele consegue viver e sorrir. É assim que ele aprende a andar, e ainda irá tropeçar. Mas ele voltará a levantar-se. E durante esse tempo ele está a crescer. Assim é com a vida cristã. Apesar das muitas vitórias que Deus me dá, eu ainda tropeço. Porém, pela Sua graça, sou capaz de voltar a levantar-me. Enquanto eu estiver disposto a permitir que Cristo viva em mim, permaneço perdoado. A perfeição do Salvador cobre todas as minhas faltas.

Quando Deus olha para mim, Ele não vê as minhas fraquezas. Ele vê o registo perfeito do Seu filho, Jesus Cristo, cobrindo a minha vida. Assim, Deus pode dizer a meu respeito: "Este é Meu filho amado, ou filha, em quem Me comprazo." A cada nível do crescimento do cristão, Deus nos considera perfeitos e maduros. E se você pensa que isso é uma afirmação exagerada, tente lembrar-se como crescem os bebés. É assim que crescemos espiritualmente.

Os bebés são perfeitos em todos os estágios do desenvolvimento, não são? É o que Deus quer dizer com a palavra, "perfeito" ou "maduro". E em qualquer momento deste processo, Deus nos considera perfeitos ou maduros. Em Cristo, Ele está a atrair-nos para nos tornar como Ele. Agora, suponhamos que eu morra aqui mesmo. Ainda tenho defeitos. Ainda há crescimentos que eu não atingi. Isso quer dizer que estou perdido? É claro que não. O registo perfeito de Jesus ainda me cobre. Eu permaneço perdoado aos olhos de Deus porque, como diz a Palavra de Deus, em I João 1:7: "Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está... o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado."

Notícias empolgantes. Perdão constante, se andarmos à luz de Sua abençoada Palavra.
Lembre-se novamente de que as ilustrações têm o seu ponto fraco, mas note o quanto isso ajuda. Tudo abaixo da linha é o registo da justiça comunicada de Deus, é Cristo vivendo na minha vida, e tudo acima da linha é a justiça imputada de Deus, é o registo perfeito de Cristo cobrindo a minha vida. Ambos vêm de Deus.

A justiça imputada de Jesus é um guarda-chuva que me cobre com perdão enquanto eu viver. Eu jamais fico acima da minha necessidade de justificação, ou seja, da minha necessidade de estar coberto pelo sangue de Jesus. Todo o tempo que ando com Jesus, sou perdoado, estou a crescer na santificação; é a justiça comunicada de Jesus.

Deus, desse modo maravilhoso e encorajador, está a trabalhar em nós para restaurar-nos a imagem do Criador. Essa foi a mensagem da salvação que aqueceu o coração de Wesley. Essa é a verdade negligenciada que ele restaurou para dar equilíbrio à nossa fé.

Percebe agora por que gosto dos Metodistas? Deus chamou Lutero e Calvino para proclamarem o perdão. Depois, Deus chamou Wesley para declarar o viver puro e o crescimento cristão. Todos eles trouxeram de volta verdades vitais que tinham sido negligenciadas. John Wesley não afirmou que ele possuía toda a luz. Ele sabia que, com o passar do tempo, novas verdades se revelariam da Palavra de Deus.

Alguma vez já lhe ocorreu por que existem tantas religiões? Talvez você tenha começado a ver a resposta ao ler estes artigos. Sabe, temos a tendência de seguir os nossos líderes, a crer em tudo o que eles crêem e um pouco mais. Mas não avançar nada além do que eles avançaram antes de morrer. Nos dias de Lutero, a Igreja Católica recusou-o e a Igreja Luterana nasceu. Quando Deus trouxe mais luz com os Anabatistas, muitos Luteranos não aceitaram. Foi quando surgiu a Igreja Baptista. E quando mais verdades surgiram através de Wesley, muitos Calvinistas e outros o rejeitaram. E assim temos os Metodistas.

A história continua. Ela um dia acabará? Veremos. Deixe-me dar-lhe algo para pensar. É possível que possa haver mais luz para seguirmos? Verdades negligenciadas da Palavra de Deus que precisamos seguir hoje? A Bíblia diz em Provérbios 4:18: "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito."

Mas muitas pessoas parecem relutantes em receber a nova luz, ao contrário da menina na nova Inglaterra colonial que tinha captado o espírito de Wesley. Ela escreveu um pequeno poema que um pregador itinerante copiou e escreveu no seu diário. Quero que leia. Acredite ou não, a menina que escreveu esse poema tinha apenas nove anos. Veja a sua mensagem:
"Saiba que toda alma é livre para escolher o que será a sua vida. Pois esta eterna verdade é dada, que Deus não forçará o homem a ir para o Céu. Ele atrai, persuade, dirige-o bem. Abençoa com sabedoria, amor e luz. Em inúmeras maneiras, é bom e gentil, mas nunca força a mente do homem."

Deus nunca força a mente humana. Você e eu somos livres, livres para fazer o que bem quisermos à medida que a verdade avança. Podemos recusar crescer além das crenças dos nossos antepassados. Ou podemos escolher por nós mesmos andar na luz que brilha continuamente da inesgotável Palavra de Deus.

23/02/2009

O QUE APRECIO NOS CARISMÁTICOS

Um reavivamento carismático está a varrer a América, Europa e muitos países Africanos. E tudo começou na Califórnia, em Abril de 1960. Dennis Bennett, reitor da Igreja Episcopal de St. Marks, em Van Nuys, fez à sua congregação uma surpreendente declaração e o cristianismo nunca mais foi o mesmo. Bennet informou o seu povo que, em Outubro de 1959, ele tinha recebido o "Baptismo do Espírito Santo". Ele declarou: "O Espírito Santo tomou os meus lábios e a minha língua e formou uma poderosa linguagem, que eu mesmo não conseguia entender."

A sofisticada Igreja de Bennett ficou chocada. Um dos seus colegas renunciou e foi embora e não foi o único. Mas multidões, desde então, têm tido uma experiência igual à de Bennet.
Grandes concentrações enchem estádios de futebol. Testemunhos de vidas modificadas ecoam pelo ar no meio de fervorosos aleluias. Lágrimas de alegria descem pelos rostos. Lado a lado, Protestantes e Católicos cantam "somos um no Espírito". Não resta a menor dúvida, algo grande está acontecer. Segundo uma recente pesquisa do Gallup, mais de 40 milhões de americanos nas diversas denominações consideram-se Carismáticos. Muitos julgam esse despertamento o maior evento religioso desde o Pentecostes no primeiro século. Outros não têm tanta certeza. O que está realmente a acontecer? Para entender esse reavivamento Carismático, temos que voltar aos dias dos primeiros Metodistas.

John Wesley ensinou que, depois dos crentes nascerem de novo, uma "salvação mais alta ainda" os aguardava. Ele chamava essa experiência a "segunda bênção" do Espírito Santo. Poderia vir de repente, disse Wesley, purificando instantaneamente e renovando a alma. O pecado seria substituído pelo amor perfeito. Wesley e os seus pregadores desafiavam os seus ouvintes a buscar o grande derramamento de bênçãos do Espírito. O próprio Wesley nunca afirmou ter obtido essa segunda bênção. Mas ele buscou a experiência até à morte.

Desde a morte de Wesley, alguns dos seus mais directos colaboradores continuaram a promover a segunda bênção. Entre eles, destaca-se Phoebe Palmer, que publicou um "guia para a perfeição do cristão". Nele, sugeria que a santidade plena não é ganha pela luta espiritual, mas pela confiante reivindicação das promessas de Deus. Chamou a essa experiência o baptismo do Espírito Santo.

Apesar dos esforços de muitos revivalistas, durante o século 19, a Igreja Metodista estava a perder o seu primeiro amor. Esta renovação espiritual veio dar um impulso impressionante, tanto individual como colectivo. Um desses grupos inspirou Hannah Whithall Smith a escrever um livro maravilhoso: O Segredo para Uma Vida Cristã Feliz.

Muitos revivalistas da santificação promoveram uma religião ao estilo pentecostal, que enfatiza os milagres. Crendo estarem sob a orientação directa do Espírito Santo, eles resistiram às restrições da autoridade da Igreja. Finalmente, a Igreja Metodista sentiu-se forçada a desaprovar o movimento da santidade. Assim, os pentecostais cresceram fora do Metodismo.
Em poucos anos, na viragem do século XX, mais de 20 grupos de santificação tinham nascido. O maior deles era o dos Nazarenos e o da Igreja Peregrinos da Santificação. Mais tarde, apareceram várias Igrejas de Deus, e outras denominações. Muitos crentes da santificação começaram a falar em línguas. Charles Fox Parham, um curador da fé em Topeka, Kansas, espalhou esses reavivamentos de línguas. Parham insistia no falar em línguas como uma experiência necessária para cada cristão.

Rapidamente os Pentecostais inflamavam as igrejas na cidade de Los Angeles, na cena do famoso reavivamento da Rua Azusa, em 1906. O falar em linguas tornou-se o foco da religião para muitas denominações da santificação. Mas a linha principal dos Protestantes e dos Católicos evitava o Pentecostalismo. Nos anos 60, quando tudo mudou. Depois que Dennis Bennett tomou posição em St. Marks, as barreiras ruíram entre os pentecostais e os seus colegas protestantes. Crentes ansiosos formaram grandes grupos de denominações e começaram a falar em línguas. Esse novo movimento tornou-se conhecido como a Renovação Carismática.

Em pouco tempo, alguns Católicos juntaram-se às fileiras dos Carismáticos. Em junho de 1967, noventa católicos reuniram-se em Notre Dame para celebrar a sua experiência de línguas. Sete anos mais tarde, aquele grupo tinha aumentado para 35 mil. O crescimento Carismático entre os católicos tem sido notável, quase incrível. Uma recente pesquisa mostrou que mais de quatro milhões de Católicos americanos assistiram a uma reunião de Carismáticos naquele mês em que tinham feito a pesquisa.

O que pensam os líderes católicos sobre as línguas? Bem, o Papa Paulo VI abençoou o reavivamento Carismático. E, no início de 1981, o Papa João Paulo II expressou apreciação explícita pela renovação Carismática dentro da Iigreja. Muitos estudiosos católicos têm apoiado as línguas. Edward O'Conner escreve: "Os católicos que aceitaram a espiritualidade pentecostal têm-na achado em completa harmonia com a sua fé e vida espiritual."

Muitos leigos se têm envolvido com esses grupos Carismáticos. O maior e mais conhecido deles é a Associação Internacional de Empresários do Evangelho Total. Demos Shakarian, fundador e Presidente desse grupo foi entrevistado por Vandeman.

Vandeman: Vocês têm reunido milhares de homens de negócios. Como é que se chama esse movimento?
Shakarian: Chama-se Associação Internacional de Empresários do Evangelho Total. Começamos com 21 homens. Hoje, somos mais de 800 mil e reúnem-se todos os meses em 87 países e quatro mil núcleos. É o poder do Espírito Santo.
Vandeman: O que o leva ser um cristão Carismático?
Shakarian: É onde está o poder. O poder do baptismo do Espírito Santo. Pensaram que estávamos loucos. Mas eu disse: Deus mandou o Seu poder para toda a América. Preparemo-nos para receber o melhor do Espírito Santo. É o mesmo poder que os discípulos receberam no cenáculo. O poder e a salvação desceram. Três mil foram salvos num só dia, cinco mil noutro dia. E Pedro ressuscitou os mortos e curou os doentes. Ele não fez aquilo sozinho. Fez pelo poder do Espírito Santo. Eu sabia que era o que os homens queriam ver, a realidade do cristianismo, o movimento Carismático.
Vandeman: É preciso falar sobre o Espírito Santo, amá-Lo, aceitá-Lo e recebê-Lo mais do que qualquer outro dom, você não concorda?
Shakarian: Sim, concordo.
Vandeman: Acha que o meu tratamento convosco foi juto?
Shakarian: Sim, foi!

Os Carismáticos têm contribuído muito para a espontaneidade e alegria do culto. E, nesta época de auto-suficiência secular, eles lembram-nos que somos seres dependentes do Espírito de Deus para cumprir o Seu propósito na nossa vida. Outra coisa que eu gosto nos Carismáticos é o da sua experiência de oração. Quando oram, oram realmente! Eles esperam respostas de Deus. Repito: existem muitas coisas que eu aprecio nos Carismáticos. De facto, eu mesmo sou um Carismático, no sentido bíblico da palavra. Deixe-me explicar, por favor. A palavra "Carismático", em grego, significa "Dom da Graça". E eu creio nos dons do Espírito.

Assim, como vê, sou um Carismático. Mas eu não falo em línguas. Ora, isso cria uma dúvida para muitos Carismáticos. Sabe, eles crêem que as línguas são a prova da presença do Espírito Santo. Se eu não falar em línguas, não sou um privilegiado. Talvez seja um cristão de segunda classe. Alguns provavelmente até digam que, por eu não conseguir falar em línguas, não estou salvo. Não os censuro por nada. E eles também não me censuram. Eles só estão preocupados a minha salvação. Mas vamos relembrar que existem inúmeros e vários dons do Espírito. A Bíblia nunca diz que todos recebem o mesmo dom. Jesus tinha o poder do Espírito como nenhum outro jamais teve, ou jamais terá. João Baptista disse: "...Deus dá do Seu Espírito sem medida." João 3:34.
Todavia não há nenhum registo a indicar que Jesus alguma vez falou em línguas. Isso é uma coisa para se pensar, não é? Qual é o propósito das línguas? Bem, os apóstolos usavam as línguas para comunicar o Evangelho em idiomas estrangeiros. A palavra traduzida por "língua" significa "linguagem".

Quando Cristo enviou os Apóstolos para evangelizar o mundo, Ele não queria que eles tivessem que passar anos a estudar idiomas. Assim, deu-lhes o dom de línguas. Milhares de todas as partes ouviram o Evangelho na sua própria lingua no dia de Pentecostes.

Agora, há outro dom que os Carismáticos mencionam muito: o dom de curas. Você pode ver aqueles que curam na televisão. Eles dizem que Deus quer curar todas as doenças desde que tenhamos fé. Bem, eu certamente creio na cura. Mas a garantia da cura instantânea pode não ser uma boa notícia, afinal, ela pode criar um tremendo peso de culpa.

Se a fé deve sempre trazer a cura, então aqueles que permanecem doentes não têm fé? O doente de algum modo não é "suficientemente espiritual" para ser curado? Este é um assunto sério. Se a fé que me salva deveria me curar, então quando não sou curado, talvez eu não esteja salvo?
Muitos santos com doenças incuráveis clamam a Deus para serem curados, no entanto continuam doentes. Nessas circunstancias muitos começam a duvidar da salvação. Carregam um fardo de culpa pior até do que a sua dor.

Como disse, eu creio na cura divina. Muitos pelos quais tenho orado têm sido milagrosamente curados. Mas também tenho visto muitos santos morrerem doentes. E Deus os ama do mesmo modo como se Ele os tivesse curado. Sabe, Deus quer nos curar no momento e do jeito que Ele quiser, como sabe que é melhor. Às vezes, Ele cura de imediato; Às vezes, espera para nos curar na ressurreição, quando Jesus vier.

O apóstolo Paulo cria em curas. Ele até ressuscitou um jovem da morte. Mas ele próprio nunca foi curado de uma misteriosa aflição chamada de "espinho na carne". Três vezes ele suplicou a Deus que o livrasse. Finalmente, ele aceitou aquele sofrimento. E foi uma bênção, para mantê-lo humilde e dependente. Assim, ele entregou a sua aflição a Deus e prosseguiu com a vida. É preciso mais fé para pedir para ser curado agora, ou para submeter a vontade a Deus e deixar que o Senhor faça o que for melhor. O que exige mais fé? Obter o que eu quero agora ou deixar Deus operar a Seu próprio tempo e maneira?

Graças a Deus, a salvação não depende de termos ou não uma determinada resposta à oração. Em vez disso, ser salvo depende da nossa decisão em confiar e obedecer a Jesus. A nossa esperança repousa em Cristo, não em nós mesmos. Jesus é a nossa passagem para o Céu.
A nossa fé deve aceitar a Cristo, e não exigir como se tivéssemos a competir com os Apóstolos e todos aqueles que receberam resposta às suas orações. Olhar pela fé Jesus na cruz é o sublime milagre. E assim somos salvos através do sangue de Jesus, não pelos milagres que Deus opera na nossa vida.

Deus fará maravilhas na nossa vida se cooperarmos com Ele. Mas quando colocamos a confiança em Cristo, não faremos das nossas conquistas espirituais um salvador.

Suponhamos que eu me sinta seguro da salvação só porque vejo milagres aconteceren na minha vida. Posso tornar-me descuidado na minha obediência? Um Carismático escreveu na capa da sua Bíblia: "Pouco me importa o que a Bíblia diz, eu já tive uma experiência". Não nos compete questionar a sinceridade desse homem. Mas certamente o Espírito Santo, que inspirou a Bíblia não nos levaria a negligenciar a obediência à Palavra de Deus. Será que é por isso que a Bíblia nos traz uma advertência em I João 4:1? "Não deis crédito a qualquer espírito, antes provai os espíritos se procedem de Deus."

Sem dúvida, o inimigo pode falsificar o Espírito Santo. Satanás e os seus anjos podem operar “verdadeiros” milagres, até fazer com que desça fogo do céu num falso Pentecostes. E as Escrituras na verdade predizem que o inimigo realizará maravilhas do mal usando o nome de Jesus Cristo. "Muitos Me dirão naquele dia; Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? E em Teu nome não expulsamos demónios? E em Teu nome não fizemos muitas maravilhas? Então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniqüidade." Mateus 7:21-23

Os falsos profetas usarão o nome de Cristo para praticar o mal. Satanás pode abusar do dom de cura em nome de Jesus. Ele pode falsificar o dom de línguas. Afinal, ele é um anjo caído. Ele pode falar qualquer língua da Terra ou do Céu. Os milagres em si mesmo não são nenhuma prova da presença de Deus.

Evidentemente, alguns milagres podem ser operados pelo inimigo, por isso a Bíblia exorta a provar os espíritos? E qual é a prova? Como podemos distinguir o que vem de Deus e o que é contrafacção? As Escrituras dizem com toda clareza: "Pois amar a Deus é obedecer aos Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são difíceis de obedecer." I João 5:3.
Como vemos, o amor para Deus significa muito mais que um sentimento que aquece o coração quando O cultuamos. A verdadeira prova do amor cristão é a obediência aos mandamentos de Deus. Por isso, cuidado! Acredito que os Carismáticos (Pentecostais e outras Congregações Cristãs) concordarão que devemos ter cuidado e não nos deixar-mos levar por qualquer vento de doutrina.

Não devemos ficar satisfeitos com a experiência da mornidão, sem ousadia e a falta do fogo do Espírito Santo na vida. Deus quer que os seus Filhos vivam uma experiencia mais rica, que tenhamos mais, quer encher os nossos corações com amor transbordante. Quer dar-nos a vitória sobre o pecado e guiar-nos a toda a Verdade. O Espírito Santo é o maior dom de Deus e é e nossa maior necessidade.

Termino com uma história. Mencionámos Hannah Whithall Smith e o livro O Segredo para uma Vida Cristã Feliz.
Em 1865, Hannah e o seu marido, Robert, mudaram-se com a família para Milltown, Nova Jersey. Foi onde Hannah conheceu os Metodistas da Santificação. Apesar de ela ser uma Quaker, ficou profundamente impressionada com eles.
Robert partilhou do interesse da esposa pela vida da santificação. E num Verão assistiram a uma reunião sobre a santificação numa floresta na Costa de Nova Jersey. Mas Robert recebeu uma experiência espiritual sensacional, que foi descrita por sua esposa: "Após a reunião o meu marido foi sozinho para um ponto da floresta, para continuar a orar a sós. Quando, de repente, da cabeça aos pés ele foi abalado pelo que parecia ser uma vibração magnética de prazer celeste, e jorros de glória pareciam derramar-se sobre ele, alma e corpo, com a segurança interior de que aquele era o ansiosamente esperado baptismo do Espírito Santo."
Naturalmente isso fez Hannah desejar uma experiência semelhante. Ela foi ao altar noite após noite. Orou durante horas a fio. Mas nada aconteceu. Não foi dessa vez que ela teve uma experiência espiritual espetacular como o seu marido tinha tido. A princípio, ela ficou desapontada e acaba por concluir que Deus já lhe tinha dado o Espírito na paz que reinava no seu coração. Ela possuía algo mais permanente e substancial do que uma experiência dramática e emocional. Mas a história não terminou.
Na primavera de 1875, Robert viajou para a Alemanha, onde realizou reuniões evangelísticas e de ensinos altamente bem-sucedidos perante grandes multidões, mas sempre numa atmosfera bastante carregada de emoção.
Numa carta à esposa, ele exultou: "Toda a Europa está aos meus pés!" E quando retratos seus foram oferecidos à venda, oito mil foram vendidos imediatamente. Então caiu a base do ministério de Robert. Circularam boatos sobre a sua questionável conduta com as mulheres e os boatos chegaram à imprensa.
As reuniões foram canceladas pelos patrocinadores. Robert voltou para casa, para junto de Hannah. Hannah permaneceu fiel junto do marido, apoiando-o em silêncio. Que aconteceu com Robert e a sua sensacional experiência espiritual? A sua fé falhou. Ele afundou-se em grande depressão. Hannah continuou a viver o seu cristianismo calmo e consistente.

É admirável a fidelidade desta mulher! Vamos deixar Deus entrar na nossa vida da maneira que Ele preferir. Ele pode não vir até nós com o dom da cura ou de línguas. Pode vir como foi com Elias na Grutoa do Carmelo numa brisa calma e suave. Uma coisa é certa se deixarmos o Senhor entrará na nossa vida quendo nos rendermos pela fé. E não precisamos de esperar uma experiência sensacional. A paz e plenitude do Espírito Santo pode ser sua agora.

PORQUE RAZÃO HÁ TANTAS RELIGIÕES?

Nos Alpes do norte da Itália e ao sul da Suíça encontramos montanhas cobertas de neve numa beleza deslumbrante, vales verde, regados por límpidos regatos, enormes planícies atapetadas de perfumadas flores silvestres e pomares e vinhedos repletos de deliciosos frutos. Esse é um território de Deus, a lembrar a Terra Nova.

Mas uma coisa trágica aconteceu nos Alpes há muitos anos. A neve se tornou vermelha de sangue - o sangue do povo de Deus. Uma história comovente, e ao mesmo tempo inspiradora, nos aguarda. Além dela, também conhecemos uma fascinante profecia bíblica sobre os resgatadores da verdade negligenciada.

Por que tantas religiões? Você já fez a si mesmo essa pergunta? A resposta não é difícil de se achar. Faremos uma pausa no exame das Igrejas individualmente, para descobrir uma profecia no centro do livro de Apocalipse, que acabará com a confusão que muitas pessoas têm diante de tantas e diferentes "estradas para o Céu".

Comecemos o estudo nos Alpes onde, há muitos anos, viveu um povo gentil chamado os Valdenses. Por muitos séculos, eles mantiveram a luz da verdade brilhando no meio das trevas espirituais. Os Valdenses preservaram a antiga fé entregue aos santos por Jesus Cristo em pessoa e pelos apóstolos; a fé que havia sido negligenciada e mal utilizada pelos líderes religiosos.
Quero fazer uma pergunta: a erosão da fé pela Igreja Cristã surpreende-vos? Afinal, os registos do Antigo Testamento mostram uma ligação contínua com a apostasia. E o Novo Testamento predisse que a história se repetiria.

Mais uma vez, um afastamento constante da verdade iria corromper a verdadeira fé. Os apóstolos Pedro e Paulo foram alertados disso.

O Apocalipse predisse as lutas do povo de Deus durante a Era Cristã. "E viu-se um grande sinal no céu; uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz." Apocalipse 12:1 e 2.

Ora, quem é essa mulher? Bem, na Bíblia, Deus usa muitas vezes o símbolo da mulher para representar a Igreja. Uma mulher pura representa Seus sinceros seguidores, e uma mulher imoral representa o cristianismo caído. Portanto, a mulher pura de Apocalipse 12 deve representar o povo fiel de Deus. E a mulher estava grávida. Logo, uma criança está sendo atacada. "E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho... e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho." Apocalipse 12:3 e 4.

O dragão é Satanás, o inimigo mortal da Igreja. Você se lembra de como Satanás, trabalhando através de Herodes, o Imperador Romano, tentou destruir Cristo, matando todos os bebés do sexo masculino em Belém? Mas o menino Jesus escapou com Sua mãe, Maria, e José. Você conhece a história.

Depois que Cristo cresceu e começou Seu ministério, o inimigo O atacou com uma nova estratégia. Ele abordou o Senhor no deserto com várias tentações ardilosas. Mas Jesus não traiu Sua fé. Enfurecido, Satanás tentou ainda outra táctica. Ele atraiu os líderes religiosos com seus enganos. Assim que obteve o controle da liderança religiosa da época, o inimigo usou os líderes para perseguir Jesus.

Aparentemente eles venceram Cristo na cruz, mas Ele ressurgiu vitorioso do túmulo para ascender ao trono de Deus. "E deu (a Igreja) à luz um Filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu Filho foi arrebatado para Deus e para o Seu trono." Apocalipse 12:5.

O diabo ficou totalmente frustrado em seus ataques ao Filho de Deus. Assim, decidiu voltar-se contra a mulher, a Igreja. Ele atacou o povo de Deus com a mesma estratégia que havia usado contra Jesus. A história se repetia de maneira incrível.

Primeiro, o diabo tentou matar a Igreja nascente. Ele usou os líderes romanos como seus agentes, como havia feito contra o menino Jesus. Mas, apesar da feroz perseguição de Nero e seus sucessores, o cristianismo sobreviveu e cresceu. Satanás percebeu que não poderia destruir o povo de Deus pela violência. Assim, o inimigo se aproximou da Igreja com tentações subtis. Ele pretendia atrair os líderes, fazendo concessões em sua fé. Muitos recusaram-se a ceder, permanecendo fiéis ao Senhor, como Jesus tinha sido quando tentado. Mas o inimigo conseguiu mais uma vez manipular os líderes religiosos da época. E, como no tempo de Cristo, a verdade ficou enterrada na tradição. O povo fiel de Deus, ao recusar participar da apostasia, foi marcado para morrer, como Jesus tinha sido.

A história registra o fato trágico. Você pode encontrá-la em qualquer biblioteca. Os líderes religiosos martirizaram milhões de crentes sinceros sem nenhum crime, a não ser o de seguir a Palavra de Deus.

Durante muitos séculos, os santos tiveram que viver escondidos. "E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias." Apocalipse 12:6.

Há uma profecia de tempo, um período de perseguição durando 1.260 dias. Esses dias são literais ou simbólicos? Devemos saber que o Apocalipse é um livro de símbolos. Lembre-se também que a perseguição durou muitos séculos, muito mais que os 1.260 dias. Mas na profecia simbólica, um dia representa um ano.

Por isso, seguramente os 1.260 dias sejam 1.260 anos.
Foi o que os Reformadores ensinaram. Martinho Lutero e outros acreditavam que esse período de tempo representava 1.260 anos de opressão sobre a Igreja na Idade Média.

A história confirma isso. No século seis, a Igreja foi influenciada pelo Imperador Justiniano ao exarar um decreto em que retirava a protecção aos hereges, como eram chamados os fiéis seguidores de Deus. Essa perseguição tinha atingido uma fúria incontrolável em 538 d.C.
Se acrescentar-mos 1.260 anos aos 538 leva-nos ao ano de 1798. Exactamente nesse ano, Napoleão interrompeu o poder que oprimia os fiéis. Assim, durante os séculos negros, como a profecia de Apocalipse (16:23) predisse, o povo de Deus teve que refugiar-nos nas covas, cavernas da terra.

As montanhas dos Alpes e de outros lugares remotos da Terra protegeram a Igreja. Embora enfraquecida, a luz da verdade nunca se apagou por completo.

Os Valdenses adoravam a Deus em capelas secretas chamadas "Chiesa uma delas, a mais famosa, chama-se de La Tanna", que quer dizer "Igreja da Terra". Só se consegue descer o túnel rochoso que leva ao salão de reuniões da Igreja, apoiando-se nas mãos e nos joelhos. Nessa mesma caverna, camuflada pela Natureza, durante muitos anos, os Valdenses adoraram a Deus.
Mas chegou finalmente o dia em que um grupo deles foi cercado por soldados que fizeram uma fogueira na abertura. O oxigénio foi consumido e os Valdenses cantaram louvores a Deus até deixarem de respirar. Estavam felizes por darem a vida em vez de renunciar à fé.

Ninguém sabe quantos crentes verdadeiros derramaram o seu sangue durante o longo exílio da Igreja no deserto. Mas, assim como Deus cuidou do Seu Filho, Ele também preservou o Seu povo. E como Jesus saiu do túmulo vitorioso, a Igreja finalmente emergiu de sua hibernação no deserto.

A palavra "Igreja" aqui não significa Religião Luterana, Religião Baptista ou Religião Adventista. No Novo Testamento, a palavra "Igreja", do termo grego "Ecklesia", quer dizer simplesmente "os escolhidos". Será que gostaria de ser um dos escolhidos de Deus?

Ilustração: Suponhamos que esteja em pé ao lado de uma colina vendo uma enorme planície numa extensão de quilómetros. Ao longe vê o caminho-de-ferro que cruza a planície e desaparece num túnel.

De repente, ouve o som de um comboio que se aproxima. Uma enorme locomotiva antiga com dois vagões de passageiros passa velozmente.

Agora, se a locomotiva, com os seus belos vagões, desaparece num lado do túnel, você não esperaria que a mesma locomotiva, com os mesmos vagões, saísse do outro lado? É claro que sim. E se a locomotiva, com os dois belos vagões de passageiros, entrar por um lado da montanha, e do outro lado sair um trem moderno movido a diesel, puxando vários vagões? Você ia dizer: "Aconteceu algo com o trem dentro do túnel." E você estaria certo.

Vamos esquecer os trens por um momento e imaginar que a verdadeira Igreja começasse a seguir o caminho do tempo no início da Era Cristã. Visualize a Igreja de Apocalipse 12 com sua fé pura, viajando pelos séculos. E ali pelo ano 538 tornou-se necessário, a fim de preservar sua fé, que ela se escondesse. Por isso, ela desaparece no túnel do deserto por mais de mil anos.
Você não esperaria que a mesma Igreja, ensinando o mesmo corpo de verdades, o qual desaparecera havia tantos anos, emergisse do túnel do deserto ensinando a mesma mensagem que os primeiros cristãos ensinaram? Claro que sim.

E se do túnel não saísse uma Igreja, mas muitas igrejas, muitas religiões diferentes? Você diria que alguma coisa devia ter acontecido dentro do túnel e você estaria certo!

A história da Igreja revela que algo perturbador aconteceu durante a Idade Média. A verdade sofreu, fragmentou-se, mas sobreviveu.

Temos notado como Deus interveio para restaurar a verdade negligenciada, parte por parte. Como Ele levantou reformadores, um por um, para trazer de volta a verdade que tinha sido esquecida durante os longos séculos no deserto. Martinho Lutero apareceu em cena para restaurar a pulsação do cristianismo. E a Reforma começou; mas ela não terminou no século 16.
A luz apenas começava a surgir no deserto do túnel. Francamente, poderíamos esperar que todas as verdades escondidas por tanto tempo pudessem ser recuperadas de imediato? Não, provavelmente não.

Lutero redescobriu que o perdão vem pela fé somente em Jesus Cristo. E assim temos a Igreja Luterana. Mas a importância de algumas outras verdades não foi vista claramente por Lutero.
Algumas dessas verdades negligenciadas vieram depois, como o baptismo por imersão, que foi recuperado pelos Anabaptistas. Os Anabaptistas se aproximaram dos grandes estudiosos protestantes e tentaram convencê-los a aceitar essa nova luz, mas eles não aceitaram. Assim, nasceu a Igreja Baptista. E quando outras verdades vieram através de Wesley, as Igrejas estabelecidas as recusaram. Isso fez nascer os Metodistas.

A história continua assim. É a triste tendência humana de confiar no passado, traçar um círculo em torno das crenças e chamá-las de credo. Esses credos originais ajudaram a reinstalar os alicerces do cristianismo. Mas eles não fizeram provisão para a luz futura. Por isso, temos tantas religiões hoje. "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Provérbios 4:18.

Você pode ver o que Deus está a tentar fazer com o Seu povo? Ele quer preservar cada raio de luz que cada reformador guardou tão cuidadosamente, acrescentando novas verdades entretanto descobertas que também foram perdidas ao longo dos séculos. Ele quer apresentar essa mensagem em toda a sua beleza original ao mundo tão desesperadamente necessitado. E isso está a acontecer. Lenta, mas seguramente, as verdades escondidas na confusão da Idade Média estão a surgir. Conforme as verdades são recuperadas, outros movimentos têm passado a existir; cada um defendendo uma nova luz redescoberta.

Vamos agora ler Apocalipse 12:17: "E o dragão (Satanás) irou-se contra a mulher (a igreja), e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os Mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo."

Temos uma descrição do povo de Deus dos últimos dias. Lembre-se, não estamos a falar especificamente sobre religiões, mas sobre o povo de Deus. Você notou quais são as marcas identificadoras? Guardar os Mandamentos de Deus e a fé em Cristo. Os Dez Mandamentos poderão conter alguma verdade a ser posta de parte? Não. E quanto ao quarto Mandamento? Não é uma verdade muito negligenciada? Você já notou que o quarto Mandamento, o que trata do sábado, é diferente dos outros? Nove dos Mandamentos dizem o que devemos fazer em relação a Deus e ao nosso próximo. Mas o Mandamento do sábado diz o que Deus fez por nós e para nós. Ele convida-nos a partilhar do descanso para nos O louvarmos pela Sua obra.
"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra... porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra... e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou." Êxodo 20:8-ll.

O sétimo dia, o sábado, convida-nos a celebrar a obra de Deus como nosso Criador. E há uma outra razão por que adoramos a Deus, uma outra razão para santificarmos o sétimo dia. Vamos reverentemente até ao Calvário.

É tarde de sexta-feira, perto da hora de saudar o sábado. Jesus, pendurado na cruz, lembra-nos tudo o que fez pela nossa salvação. Agonizante, Ele proclama: "Está consumado!" Missão cumprida! Humanidade redimida. Outra vez, Jesus descansa no sábado em homenagem à Sua obra terminada,(a obra da redenção) exactamente como fez após a criação. Só que, dessa vez, descansa no túmulo. E, depois do descanso do sábado, Cristo levanta-se e se eleva ao trono dos Céus.

A ideia de adorar no sábado, o sétimo dia, pode ser nova para você. Ou você pode ter ouvido dizer que guardar o sábado é para os judeus, ou para oslegalistas. Porém, nada poderia estar mais longe da verdade. A palavra sábado quer dizer descanso. É o oposto de trabalho.
Cada semana, o sábado lembra-nos que nos devemos afastar das obras humanas e descansar nas obras de Deus por nós. E isso é o Evangelho! Sem o descanso do sábado, a obediência à Lei de Deus torna-se de facto legalista. Nunca se esqueça disso: não somos salvos por guardar a Lei de Deus. Somos salvos por descansarmos em Cristo. Isso é o Evangelho! E é também a mensagem do sábado. Entre os deveres essenciais esboçados na Lei, o sábado oferece-nos descanso nas obras de Cristo por nós.

Agora entendemos por que Jesus disse ser o "Senhor do Sábado". Mostramos fé em Jesus, nosso Criador e Redentor, descansando no sétimo dia. Então, já que o sétimo dia, que chamamos sábado, é o dia de culto ao Senhor, por que muitos cristãos guardam o primeiro dia da semana, o domingo? Bem, você sabe que a Igreja da Idade Média, sem autorização das Escrituras, assumiu a responsabilidade de mudar o sábado para o domingo.

Por volta do século 16, alguns cristãos fiéis ainda guardavam o sétimo dia. Um grupo de Anabaptistas, por exemplo, observava o sábado, apesar da feroz perseguição. Mas, finalmente, a verdade negligenciada e quase esquecida sobre o Sábado, o sétimo dia, foi recuperada. Desde o século 19, milhões de cristãos ao redor do mundo têm começado a prestar culto ao Senhor no sábado bíblico. Que herança Deus tem para nós hoje? Destacando as verdades vitais recupadas pelos grandes reformadores, o caminho não está todo feito devemos continuar a entrar na Bíblia com o espírito que animou esses homens e mulhres do passado, buscar, analisar, cavar até encontrar a pérolo de grande preço. É isso que voce deseja? Então você tem o espirito da Reforma. O espírito bíblico de não se conformar com um amontoado de velhas tradições, que tem história, mas não têm a VERDADE!

Um menino apascentava as ovelhas do pai. Não muito distante dali, naquele vale, um outro menino também apascentava as ovelhas. Estes meninos com o passar do tempo tornaram-se muito amigos. Um dia, uma forte tempestade eclodiu repentinamente, e os garotos com as suas ovelhas refugiaram-se numa grande caverna. Quando a tempestade passou e era hora de eles irem para casa, surgiu um problema. Eles não conseguiam separar as ovelhas. Eles conheciam algumas, mas tinham dúvida sobre outras.

Finalmente, receosos de receber maus tratos dos seus respectivos pais, foram para casa. Um seguiu por um caminho e o outro por outro. O que pensa que aconteceu? Sim, as ovelhas separaram-se sozinhas, cada uma seguiu o seu próprio pastor.

Você é uma das ovelhas de Cristo? Ele revelhou-lhe uma nova verdade, aceite-a e perquise mais e mais até que se torne caminho iluminado. Oro para que Jesus fique na sua vida.